Quando o Citi acende a luz amarela no Banco do Brasil

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Inadimplência no agro e na pessoa física pressiona lucros e muda o humor do mercado sobre a maior estatal bancária do país

Quando o Citi rebaixa uma ação como o Banco do Brasil (BBAS3), o que ele está dizendo não é “o banco vai quebrar”. Ele está dizendo algo mais sofisticado e mais perigoso para o investidor. Ele quer dizer que o risco aumentou mais rápido do que a capacidade de gerar lucro. Foi isso que aconteceu no terceiro trimestre de 2025.

O Banco do Brasil, que vinha sendo visto como uma das estatais mais bem administradas do país, revisou para baixo suas próprias projeções de lucro. Antes, esperava ganhar entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões em 2025. Agora, admite algo entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Essa diferença de até R$ 4 bilhões não é detalhe contábil, é um sinal de que o crédito concedido nos últimos anos começou a azedar.

E é aí que entra a palavra que o Citi mais teme: inadimplência.

O coração do problema: crédito que não volta

O Banco do Brasil tem uma característica única. Ele é o maior financiador do agronegócio do país e um dos maiores bancos de crédito rural do mundo. Isso sempre foi uma força. Mas em 2024 e 2025 virou uma fragilidade.

A quebra de safras, a alta dos custos, a queda dos preços de commodities e a pressão sobre produtores médios e pequenos fizeram com que muitos empréstimos parassem de ser pagos no ritmo esperado.

O governo tentou aliviar isso com a Medida Provisória 1.314, que permitiu renegociar R$ 12 bilhões em dívidas rurais. Mas o efeito foi o contrário do desejado no curto prazo: muitos produtores pararam de pagar esperando condições melhores, o que fez a inadimplência subir ainda mais.

Na linguagem dos bancos: o problema foi empurrado para frente, mas o buraco cresceu.

O sinal que mais preocupa o Citi

Até aqui, o problema estava concentrado no agronegócio e em pequenas e médias empresas. O Citi poderia tolerar isso.

O que mudou é que agora o problema vazou para a pessoa física.

Os índices de atraso de 30 e 90 dias dos clientes pessoas físicas subiram forte. Nos cartões de crédito, a piora foi de 2,4 pontos percentuais em um único trimestre, algo grave para qualquer banco.

Isso indica que o problema não é apenas rural. É de renda, de fluxo de caixa e de capacidade de pagamento dos clientes do banco.

Quando a inadimplência contamina a pessoa física, o risco vira sistêmico.

Por que o Citi cortou o preço-alvo

O Citi não cortou o preço-alvo do BB por maldade. Ele fez isso porque o banco terá que gastar mais com provisões para calotes. Toda vez que um cliente não paga, o banco precisa separar dinheiro para cobrir o prejuízo. Esse dinheiro sai do lucro.

O Citi estima que o Banco do Brasil terá de gastar cerca de R$ 3 bilhões a mais com provisões do que se esperava antes. Resultado: menos lucro, menos dividendos, mais risco. Por isso o preço-alvo caiu de R$ 29 para R$ 23. Não porque o BB seja ruim, mas porque o risco agora consome parte do valor do banco.

Isso é crise? Não. É alerta.

O Banco do Brasil não está quebrando. Mas também não está na situação confortável que o mercado imaginava.

O Citi está dizendo algo muito claro: a recuperação do crédito vai demorar mais do que o esperado e o governo não conseguirá resolver isso só com renegociação. A conta ainda vai chegar.

O que isso significa para o Brasil

O Banco do Brasil é uma engrenagem central do crédito no país. Se ele precisa pisar no freio, o agronegócio, as pequenas empresas e até o consumo sentem. E quando um banco do tamanho do BB entra em modo defensivo, o crescimento da economia inteira perde fôlego.

É por isso que, quando o Citi levanta uma “bandeira vermelha”, não é fofoca de mercado. É o radar financeiro global avisando: o risco subiu. E quando o risco sobe, o dinheiro fica mais caro, para o banco, para o governo e para você.

Como atravessar um Brasil em modo de alerta financeiro

O momento que o Brasil atravessa não é de colapso, mas de reprecificação do risco. Quando bancos globais como o Citi elevam o nível de cautela sobre instituições centrais do sistema financeiro, como o Banco do Brasil, isso sinaliza que o dinheiro ficará mais seletivo, mais caro e mais desconfiado.

Na prática, isso significa que famílias e empresas entram em uma fase em que o crédito deixa de ser um aliado e passa a ser um fator de risco. O país segue funcionando, os salários continuam sendo pagos, mas o sistema financeiro começa a exigir mais garantias, mais histórico e mais disciplina.

É por isso que este é um período em que apertar o cinto não é conservadorismo, é racionalidade econômica. Gastar menos, reduzir dívidas, rever parcelamentos longos e evitar compromissos financeiros rígidos torna-se uma forma de proteção patrimonial.

Investimentos também precisam ser lidos com outro olhar. Ambientes de estresse bancário não são os melhores para apostas ousadas ou para exposição excessiva a ativos de risco. Liquidez, previsibilidade e proteção contra choques passam a valer mais do que promessas de retorno elevado.

Em linguagem simples: este é um momento de defesa, não de ataque.
Quem atravessa esse tipo de ciclo com as finanças organizadas, nome limpo e baixa alavancagem chega ao outro lado em posição de força, enquanto quem ignora os sinais do sistema costuma pagar o preço mais alto.

Fonte:
Redação

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