Mercado acompanha inflação nos EUA e no Brasil enquanto petróleo perde prêmio da guerra e tecnologia impulsiona bolsas

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Queda do petróleo reduz parte da pressão inflacionária global, mas investidores aguardam indicadores decisivos nos Estados Unidos e no Brasil antes de apostar nos próximos passos dos bancos centrais.

Os mercados financeiros iniciam esta quinta-feira em clima mais otimista, mas ainda sob forte influência da inflação e das expectativas sobre os juros nas duas maiores economias do continente americano.

A principal mudança dos últimos dias veio do mercado de petróleo. Depois da forte alta provocada pelas tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, o barril do Brent voltou praticamente ao nível registrado antes do agravamento do conflito. A redução dos riscos geopolíticos ajuda a aliviar uma das principais fontes de pressão sobre a inflação mundial.

Entretanto, economistas lembram que a inflação não responde imediatamente às quedas das commodities. Custos já incorporados ao transporte, à indústria e aos serviços costumam permanecer por algum tempo antes de serem repassados ao consumidor, razão pela qual bancos centrais mantêm postura cautelosa.

É justamente esse comportamento que será colocado à prova nesta quinta-feira.

Nos Estados Unidos, investidores aguardam a divulgação do PCE (Personal Consumption Expenditures), indicador de inflação preferido do Federal Reserve. O mercado espera uma alta anual próxima de 4,1%, ainda bastante acima da meta oficial de 2%, reforçando a expectativa de que o banco central americano continue adotando uma política monetária restritiva.

No Brasil, as atenções se voltam para o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial. O dado chega em um momento em que o mercado revisou para cima as projeções para a inflação de 2026, enquanto investidores também aguardam o Relatório de Política Monetária do Banco Central para buscar sinais sobre os próximos movimentos da taxa Selic.

Tecnologia lidera recuperação das bolsas

O destaque internacional desta manhã é o forte avanço das empresas ligadas à inteligência artificial.

As ações da fabricante americana Micron Technology dispararam no pré-mercado após divulgar resultados acima das expectativas e apresentar perspectivas bastante otimistas para a demanda por chips de memória destinados a data centers de inteligência artificial. O bom desempenho também impulsionou outras gigantes do setor, fortalecendo o sentimento positivo entre os investidores.

Como reflexo, os futuros do Nasdaq avançam mais de 2%, enquanto as bolsas da Ásia encerraram o pregão em alta, com destaque para o índice Nikkei, do Japão, que registrou valorização superior a 4%.

Na Europa, os principais índices também operam no campo positivo, acompanhando o movimento de recuperação do setor de tecnologia.

Brasil acompanha cenário externo

O mercado brasileiro deverá reagir tanto ao ambiente internacional quanto aos indicadores domésticos.

Além do IPCA-15, investidores acompanham o Relatório de Política Monetária do Banco Central, a divulgação da arrecadação federal de maio e, no fim do dia, a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O comportamento da inflação continuará sendo determinante para as expectativas em relação aos juros, ao câmbio e ao desempenho da Bolsa brasileira nas próximas semanas.

Mercado em resumo

IndicadorVariação
Futuros S&P 500+0,75%
Futuros Nasdaq+2,14%
Futuros Dow Jones+0,27%
Euro Stoxx 50+0,69%
DAX (Alemanha)+0,70%
CAC 40 (França)+0,46%
FTSE 100 (Reino Unido)+0,28%
CSI 300 (China)+1,56%
Hang Seng (Hong Kong)-1,43%
Nikkei (Japão)+4,61%
Petróleo Brent-1,36% (US$ 72,74)
Minério de Ferro-0,83% (US$ 97,55)

Entenda o cenário

IndicadorO que observar
🇺🇸 PCE dos EUAPrincipal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve
IPCA-15Prévia da inflação oficial brasileira
Petróleo BrentVoltou aos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio
TecnologiaMicron impulsiona ações ligadas à Inteligência Artificial
Banco CentralMercado busca sinais sobre os próximos passos da Selic

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