Queda de quase 10% do índice Kospi na Coreia do Sul contamina bolsas internacionais, pressiona ações de tecnologia e coloca investidores em modo de cautela antes da divulgação da ata do Copom.
Os mercados financeiros globais iniciam esta terça-feira (23) sob forte pressão vinda da Ásia. Em um movimento incomum, não foi Wall Street que determinou o humor dos investidores ao redor do mundo. Desta vez, o epicentro da turbulência surgiu na Coreia do Sul, onde o índice Kospi despencou 9,99%, provocando uma onda de vendas que rapidamente se espalhou pelos mercados internacionais.
A queda interrompe uma sequência de valorização considerada extraordinária. O principal índice sul-coreano acumulava alta de 94% no ano e impressionantes 172% nos últimos doze meses, desempenho que levou analistas a questionarem se parte do mercado não estaria vivendo uma espécie de euforia semelhante à observada nas chamadas “meme stocks”.
Por trás da correção está o aumento das dúvidas sobre a capacidade das empresas ligadas à inteligência artificial de entregar resultados compatíveis com as expectativas que vêm sustentando as valorizações recordes observadas nos últimos meses.
SpaceX amplia pressão sobre o setor de tecnologia
O movimento de aversão ao risco ganhou força após novas perdas das ações da SpaceX. Os papéis da empresa aeroespacial e de inteligência artificial liderada por Elon Musk recuaram mais de 16% na segunda-feira e registravam nova queda de cerca de 4% no pré-mercado desta terça-feira.
Desde sua estreia na bolsa, em 12 de junho, a trajetória das ações tem sido marcada por forte volatilidade. Após alcançar níveis superiores a US$ 200 por ação, os papéis voltaram para a região dos US$ 148, ainda acima dos US$ 135 definidos no IPO, mas já bastante distantes dos recordes recentes.
O movimento pressiona todo o setor de tecnologia, especialmente empresas associadas ao desenvolvimento de inteligência artificial, segmento que se tornou o principal motor das bolsas globais nos últimos anos.
Brasil acompanha o pessimismo externo
No Brasil, os ativos também refletem o aumento da cautela. O EWZ, principal fundo negociado em Nova York que representa as ações brasileiras, recuava 1,79% no pré-mercado.
O movimento ocorre apenas um dia após o Ibovespa recuperar o patamar histórico dos 170 mil pontos, marca que voltou a colocar o mercado brasileiro entre os destaques de desempenho em 2026.
Além do cenário internacional, os investidores acompanham a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento poderá oferecer sinais mais claros sobre os próximos passos da taxa Selic, especialmente após o comunicado da semana passada ter sido considerado ambíguo por parte do mercado financeiro.
Commodities também operam em baixa
As commodities registram perdas moderadas nesta manhã.
O petróleo Brent recua 0,49%, negociado a US$ 77,52 por barril, enquanto o minério de ferro cai 0,60%, para US$ 97,65 por tonelada.
Os movimentos refletem a combinação entre menor apetite ao risco e preocupações sobre o ritmo de crescimento econômico global.
Panorama dos mercados
| Indicador | Variação |
|---|---|
| Futuros S&P 500 | -1,30% |
| Futuros Nasdaq | -2,55% |
| Futuros Dow Jones | -0,47% |
| Euro Stoxx 50 | -1,21% |
| FTSE 100 (Londres) | -0,39% |
| DAX (Frankfurt) | -1,22% |
| CAC 40 (Paris) | -0,73% |
| CSI 300 (China) | -2,77% |
| Hang Seng (Hong Kong) | -1,82% |
| Nikkei (Japão) | -2,55% |
| Brent | -0,49% |
| Minério de Ferro | -0,60% |
O que observar hoje
📌 Divulgação da ata do Copom
📌 Reação do mercado às perdas da SpaceX
📌 Comportamento das ações ligadas à inteligência artificial
📌 Fluxo estrangeiro para mercados emergentes
📌 Movimento do dólar frente ao real
Fonte: Focus/Ibovespa
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