Economia perde força em março e desaceleração amplia cautela no mercado

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Queda do IBC-Br reforça sinais de atividade mais fraca em meio a juros elevados, inflação resistente e cenário internacional instável.

A economia brasileira perdeu força em março e ampliou os sinais de desaceleração observados ao longo do primeiro trimestre de 2026. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,7% em relação a fevereiro, já descontados os efeitos sazonais.

O resultado divulgado pelo Banco Central do Brasil foi pressionado principalmente pela retração do setor de serviços, que caiu 0,8% no período. A indústria e a agropecuária também registraram queda de 0,2% cada. Excluindo o agro, o recuo da atividade econômica foi ainda mais intenso, chegando a 0,9%.

Embora o indicador ainda acumule crescimento de 1,3% no trimestre encerrado em março e alta de 1,8% em 12 meses, economistas avaliam que o dado mais recente reforça a percepção de perda gradual de dinamismo da economia brasileira.

Para Sidney Lima, os números mostram que o ambiente econômico começa a sentir com maior intensidade os efeitos dos juros elevados e das incertezas internas e externas.

“O IBC-Br divulgado hoje mostra que a economia perdeu força em março, com queda relevante na comparação com fevereiro, mesmo depois de um começo de ano mais positivo. Apesar de o primeiro trimestre ainda indicar crescimento, o dado mais recente acende um sinal de atenção, porque mostra que o ritmo está desacelerando”, afirmou.

Segundo ele, o setor de serviços, responsável por grande parte da atividade econômica brasileira, foi um dos principais responsáveis pela perda de fôlego observada no período.

“Na prática, o número sugere que a economia continua crescendo, mas de forma menos intensa e mais sensível aos juros altos e às incertezas do cenário atual, o que reduz a chance de surpresas positivas mais à frente e reforça um ambiente que exige cautela nas projeções”, explicou.

A leitura é compartilhada por André Matos, que avalia que os indicadores setoriais já vinham apontando enfraquecimento da atividade econômica no fim do trimestre.

“O IBC-Br veio em linha com o que os indicadores setoriais já vinham sinalizando, com a atividade mostrando claros sinais de fadiga no fim do primeiro trimestre. Quando se olha a fotografia completa de março, fica evidente que a economia perdeu fôlego”, disse.

Segundo Matos, o atual patamar da taxa Selic começa a produzir efeitos mais evidentes sobre consumo, crédito e investimentos.

“Para um indicador que tem o setor de serviços como quase metade da sua composição, esse mix é suficiente para confirmar que a Selic em 14,50% está exercendo seu papel restritivo sobre a economia, exatamente como o Copom descreveu na ata da última reunião”, afirmou.

O cenário se torna ainda mais delicado porque a desaceleração ocorre em meio à persistência da inflação e à pressão internacional sobre combustíveis e commodities.

Para o economista, o Brasil vive atualmente um ambiente de “estagflação branda”, combinação de atividade econômica mais fraca com inflação ainda resistente.

“É um ambiente de estagflação branda, em que o Banco Central não tem espaço para acelerar cortes de juros mesmo diante de uma economia mais fraca, porque o choque do petróleo mantém pressão sobre combustíveis, fretes e fertilizantes”, explicou.

O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo continuam influenciando expectativas de inflação e custos logísticos no Brasil. Isso afeta diretamente transporte, alimentos, fertilizantes e produção industrial, dificultando uma desaceleração mais rápida dos preços.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho ainda resiliente ajuda a evitar uma perda mais brusca de atividade econômica no curto prazo. A manutenção do desemprego em níveis historicamente baixos e o avanço da renda real seguem sustentando parte do consumo das famílias.

Para investidores, o cenário reforça a expectativa de juros elevados por mais tempo e mantém a renda fixa como opção atrativa em meio à cautela sobre setores mais sensíveis ao ciclo econômico.

Nos bastidores do mercado financeiro, cresce a percepção de que o segundo semestre de 2026 poderá ser marcado por uma economia mais lenta, inflação ainda pressionada e menor espaço para estímulos monetários mais agressivos.

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