Projeto de Lei 431/26 mobiliza lideranças do setor agropecuário em Uberlândia e amplia discussão sobre competitividade, crédito e sobrevivência da produção leiteira brasileira.
A recente audiência realizada para discutir os impactos das importações de leite e derivados reacendeu um debate sensível para produtores rurais de Uberlândia e região, até que ponto o produtor brasileiro conseguirá competir diante da entrada crescente de produtos vindos do Mercosul com preços mais baixos e custos de produção diferentes da realidade nacional?
O tema ganhou força após a tramitação do Projeto de Lei 431/26, que prevê a destinação de parte dos recursos arrecadados com o Imposto de Importação para um fundo voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva nacional. A proposta busca criar mecanismos de compensação para setores diretamente afetados pela concorrência externa, especialmente o leite.
Em Uberlândia, uma das principais referências do agronegócio mineiro, lideranças do setor acompanham o avanço da discussão com atenção. O presidente do Sindicato Rural de Uberlândia, Thiago Soares Fonseca, tem defendido a necessidade de fortalecimento da produção nacional diante do aumento das importações e da perda de competitividade enfrentada pelos produtores locais.
O debate também mobiliza o cooperativismo regional. Na CALU – Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia, presidida por Cenyldes Moura Vieira, a preocupação envolve diretamente o impacto das importações sobre a renda do cooperado, o equilíbrio de mercado e a manutenção da atividade leiteira em pequenas e médias propriedades rurais.
Nos bastidores do setor, o temor é que o avanço das importações continue comprimindo margens já pressionadas por custos elevados de produção, combustíveis, energia, insumos e logística. Para muitos produtores, a conta deixou de fechar há bastante tempo.
A situação preocupa especialmente a agricultura familiar, segmento acompanhado de perto pela EMATER-MG. Técnicos ligados à assistência rural alertam que municípios do Triângulo Mineiro podem enfrentar redução da atividade leiteira caso o cenário de perda de competitividade continue avançando sem medidas compensatórias mais efetivas.
O Projeto de Lei 431/26 surge justamente nesse ambiente de tensão econômica. A proposta tenta transformar parte da arrecadação obtida com o próprio aumento das importações em instrumento de proteção à cadeia produtiva nacional. O problema é que parte do setor ainda vê a medida com cautela, avaliando que o fundo pode amenizar perdas, mas não resolver o desequilíbrio estrutural enfrentado pelo produtor brasileiro.
Na prática, o agro cobra mais do que compensações financeiras. Produtores defendem políticas permanentes de competitividade, revisão tributária, crédito rural acessível, ampliação do seguro rural e maior previsibilidade econômica.
O avanço das importações de leite também expõe um debate maior sobre soberania alimentar, custo Brasil e a capacidade de sobrevivência do produtor nacional diante de um mercado cada vez mais globalizado e desigual.
Enquanto Brasília discute mecanismos de compensação, no campo a preocupação é mais imediata: manter a atividade economicamente viável sem transformar o produtor rural em mero sobrevivente de uma concorrência que muitos consideram impossível de enfrentar nas condições atuais.
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