Audiências em Washington sobre novas tarifas contra produtos brasileiros dominam o cenário internacional, enquanto mercados aguardam indicadores econômicos na Europa, Estados Unidos e Brasil.
A semana começa com um novo teste para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Representantes da indústria, do agronegócio e de diversos setores exportadores brasileiros participam nesta segunda-feira (6), em Washington, das audiências promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que podem servir de base para a imposição de uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
O encontro reúne entidades empresariais, empresas exportadoras, importadores americanos e grupos favoráveis às tarifas. Entre os participantes brasileiros estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Abimaq, o Cecafé, a Abicalçados e grandes empresas como Weg, Suzano, Bauducco, Nestlé e Coca-Cola.

Paralelamente às audiências, o governo brasileiro intensifica as negociações diplomáticas com Washington para evitar a adoção das novas tarifas. Entre as alternativas em estudo está a redução de impostos de importação sobre alguns produtos americanos que atualmente possuem pouca concorrência no mercado brasileiro.
Embora a ameaça tarifária continue no radar dos investidores, os números mais recentes mostram que os exportadores brasileiros vêm conseguindo diversificar mercados. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o valor das exportações para os Estados Unidos cresceu 3,7% em junho na comparação anual. Em volume físico, porém, houve queda de 6,6%, indicando aumento do preço médio das mercadorias exportadas.
No exterior, o ambiente permanece cauteloso. As bolsas asiáticas encerraram o pregão sem direção única, enquanto investidores aguardam novos indicadores econômicos na Europa e nos Estados Unidos. A atenção também permanece voltada para a política monetária americana e para possíveis impactos das disputas comerciais sobre a inflação global.
No Brasil, além da divulgação do Relatório Focus pelo Banco Central, investidores acompanham a balança comercial e uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que poderá trazer novos sinais sobre a condução da política econômica.
Radar do investidor
- Exportadores brasileiros defendem produtos nacionais em audiência nos Estados Unidos.
- Governo negocia alternativas diplomáticas para evitar novo tarifaço.
- Mercado acompanha Relatório Focus e balança comercial brasileira.
- Investidores monitoram indicadores de atividade dos Estados Unidos.
- Commodities seguem relativamente estáveis no início da semana.
Agenda econômica
| Horário | Evento | Local |
|---|---|---|
| 6h00 | PPI e Vendas no Varejo | Zona do Euro |
| 8h25 | Relatório Focus | Brasil |
| 10h45 | PMI de Serviços e Composto | Estados Unidos |
| 11h00 | Audiência do USTR sobre tarifas | Estados Unidos |
| 15h00 | Balança Comercial | Brasil |
| 15h00 | Reunião entre Lula e Dario Durigan | Brasil |
Mercados internacionais
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Futuros S&P 500 | +0,47% |
| Futuros Nasdaq | +1,08% |
| Futuros Dow Jones | +0,03% |
| EWZ | +0,73% |
Europa
| Índice | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | -0,14% |
| FTSE 100 (Londres) | -0,20% |
| DAX (Frankfurt) | +0,17% |
| CAC 40 (Paris) | +0,09% |
Ásia
| Índice | Variação |
|---|---|
| CSI 300 | -0,0036% |
| Hang Seng | +1,14% |
| Nikkei 225 | -0,0092% |
Commodities
| Ativo | Cotação |
|---|---|
| Petróleo Brent | US$ 68,30 (+0,57%) |
| Minério de ferro (Dalian) | US$ 98,25 (-0,11%) |
O que observar hoje
A audiência do USTR tende a ser o principal fator de influência sobre os ativos brasileiros nesta segunda-feira. Embora não produza uma decisão imediata, o evento pode sinalizar o grau de disposição do governo americano em ampliar barreiras comerciais. Ao mesmo tempo, os investidores acompanham os dados de atividade econômica nos Estados Unidos e a condução das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington, fatores que podem influenciar o câmbio, as exportações brasileiras e o desempenho da Bolsa ao longo da semana.
Fonte: B3/XP
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