Investidores aguardam Warsh em Jackson Hole; bolsas globais operam sem direção única

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Primeiro discurso de Kevin Warsh no simpósio deverá indicar como o novo presidente do Federal Reserve pretende conduzir os juros diante da inflação persistente e das pressões sobre o mercado de títulos.

A sexta-feira (28) começa com os investidores internacionais concentrados em Jackson Hole, nos Estados Unidos. Às 11h, no horário de Brasília, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, fará seu primeiro discurso à frente da autoridade monetária no tradicional simpósio de bancos centrais.

O encontro costuma servir como uma espécie de farol para a política monetária norte-americana. Desta vez, entretanto, a expectativa é ainda maior. O mercado tenta compreender não apenas a avaliação de Warsh sobre inflação e atividade econômica, mas também o estilo de comunicação que deverá marcar sua gestão.

Desde que assumiu o Fed, Warsh reduziu o conteúdo do comunicado divulgado após a decisão de política monetária e concedeu uma entrevista considerada pouco esclarecedora por parte dos analistas. Agora, investidores esperam saber se o presidente do banco central retomará a comunicação mais previsível da instituição ou manterá uma postura menos comprometida com indicações antecipadas sobre os juros.

Inflação limita espaço para flexibilização

A principal dificuldade do Federal Reserve continua sendo a inflação norte-americana, atualmente em 3,7% em 12 meses, ainda distante da meta de 2%.

Esse cenário reduz o espaço para cortes de juros e aumenta o risco de uma política monetária restritiva por mais tempo. A possibilidade de novos aumentos também voltou a aparecer nas projeções, embora o mercado ainda atribua probabilidade limitada a uma elevação já na reunião de setembro.

Outro ponto sensível envolve a atuação do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos públicos. A tentativa de conter os juros de longo prazo pode produzir efeito contrário ao desejado pelo Fed, caso estimule o crédito e dificulte a convergência da inflação para a meta.

Os rendimentos dos títulos de dez anos permanecem próximos de 4,68%, nível que encarece financiamentos, pressiona empresas e compete diretamente com o mercado de ações.

Tecnologia perde parte do impulso

Os futuros dos principais índices de Wall Street operam sem uma tendência comum antes do discurso. O Nasdaq recua, devolvendo parte da valorização registrada na quinta-feira, quando os resultados da Nvidia impulsionaram as empresas ligadas à inteligência artificial.

A Nvidia avançou 8,7% na sessão anterior, ajudando o Nasdaq a subir mais de 1,5%. Nesta manhã, porém, resultados menos empolgantes da Marvell Technology voltaram a provocar cautela no setor.

O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha as ações brasileiras, também recua no pré-mercado. O movimento sinaliza possível realização de lucros no início dos negócios no Brasil, após a recuperação recente dos ativos domésticos.

Estados Unidos — futuros às 7h22

IndicadorVariação
S&P 500-0,05%
Nasdaq-0,30%
Dow Jones+0,07%
EWZ — ações brasileiras em NY-0,67%

Europa avança antes do discurso

As bolsas europeias operam em alta, com recuperação mais forte do mercado francês. O CAC 40 sobe cerca de 1%, depois das perdas provocadas pelas preocupações políticas e fiscais da França.

As ações de bancos e empresas do setor de luxo contribuem para o movimento positivo. Ainda assim, a revisão do crescimento francês no segundo trimestre para estabilidade reforça os sinais de fraqueza da economia da região.

Mercados europeus — às 7h23

MercadoVariação
Euro Stoxx 50+0,78%
Londres — FTSE 100+0,22%
Frankfurt — DAX+0,64%
Paris — CAC 40+1,02%

Ásia encerra sessão mista

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única. O Nikkei avançou no Japão, enquanto os mercados da China continental recuaram. Em Hong Kong, o Hang Seng apresentou leve valorização.

O desempenho da região refletiu a combinação entre cautela com os juros norte-americanos e ajustes nas ações de tecnologia. Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 1,79%, pressionado por empresas como Samsung e SK Hynix.

Mercados asiáticos

MercadoVariação
China — CSI 300-0,46%
Hong Kong — Hang Seng+0,07%
Japão — Nikkei 225+0,41%
Coreia do Sul — Kospi-1,79%

Agenda brasileira reúne inflação, crédito e emprego

No Brasil, o mercado acompanha uma sequência importante de indicadores. O IGP-M de agosto ajuda a antecipar pressões sobre preços no atacado e pode oferecer sinais sobre a trajetória futura da inflação ao consumidor.

O Banco Central divulga as estatísticas monetárias e de crédito referentes a julho. Os dados serão observados especialmente pelo comportamento das concessões, taxas cobradas pelos bancos, inadimplência e endividamento das famílias.

À tarde, o Caged mostrará a geração de empregos formais em agosto. O indicador ganha importância depois de a Pnad Contínua apontar nova redução do desemprego e nível recorde de ocupação no país.

A Agência Nacional de Energia Elétrica também anunciará a bandeira tarifária válida para setembro. A decisão poderá influenciar as projeções de inflação, uma vez que as cobranças adicionais sobre a conta de luz têm impacto direto no orçamento das famílias e nos custos das empresas.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
8hIGP-M de agosto
8h30Estatísticas monetárias e de crédito de julho
11hKevin Warsh fala no Simpósio de Jackson Hole
14h30Caged de agosto
17hAneel anuncia a bandeira tarifária de setembro
17hDario Durigan recebe representantes da The Economist

Commodities operam perto da estabilidade

O petróleo Brent apresenta pequena queda, mas permanece próximo de US$ 90 por barril. O nível elevado mantém a energia entre os principais fatores de risco para a inflação mundial, especialmente diante das incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

O minério de ferro avança e poderá oferecer algum suporte às ações da Vale e de outras empresas ligadas à mineração na B3.

Commodities — às 7h24

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent-0,11%US$ 89,60 por barril
Minério de ferro+0,85%US$ 98,60 por tonelada

Tendências do dia

A abertura da B3 deverá ser marcada pela cautela e por movimentos contidos até o discurso de Kevin Warsh. A reação dos mercados dependerá principalmente de três pontos: sua avaliação sobre a inflação, a possibilidade de novos aumentos dos juros e a relação entre o Federal Reserve e o Tesouro norte-americano.

Uma manifestação mais dura poderá fortalecer o dólar, elevar os rendimentos dos títulos públicos e pressionar as bolsas. Um discurso equilibrado, sem sinalização de aperto imediato, tende a favorecer os ativos de risco.

No ambiente doméstico, IGP-M, crédito, emprego formal e bandeira tarifária completarão uma agenda capaz de alterar as expectativas para inflação, consumo e trajetória da taxa Selic.

Fontes consultadas: Reuters, Banco Central do Brasil, CME Group e dados de mercado informados às 7h24.

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