Mercado abre cauteloso entre inflação e balanço da Nvidia

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IPCA-15 no Brasil, inflação PCE e PIB nos Estados Unidos dividem as atenções com os resultados da maior fabricante de chips para inteligência artificial. Petróleo recua com sinais de negociação para a reabertura do Estreito de Ormuz.

Os mercados internacionais operam sem direção única nesta quarta-feira (26), em uma sessão marcada por indicadores de inflação no Brasil e nos Estados Unidos e pela expectativa em torno do balanço da Nvidia. A combinação desses eventos pode influenciar as projeções para os juros, o câmbio e o comportamento das bolsas nas próximas semanas.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, às 9h, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de agosto. A expectativa predominante é de deflação no mês, resultado que poderá oferecer algum alívio ao Banco Central em meio ao esforço para conduzir a inflação em direção à meta de 3%.

Mais importante do que o número geral será a composição do índice. O mercado observará especialmente o comportamento dos preços dos serviços, dos alimentos e dos núcleos de inflação, que excluem itens mais voláteis e ajudam a identificar se a desaceleração está se tornando consistente.

Uma leitura melhor do que a esperada poderá favorecer os ativos brasileiros, contribuir para a queda dos juros futuros e aliviar a pressão sobre setores mais dependentes de crédito, como varejo, construção civil e empresas de menor capitalização. Uma surpresa negativa, porém, poderá reforçar a postura cautelosa do Banco Central.

Inflação e PIB movimentam Wall Street

Nos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas para o índice de preços dos gastos com consumo, o PCE, principal indicador de inflação utilizado pelo Federal Reserve na condução da política monetária.

A expectativa é de que o índice tenha encerrado julho com alta acumulada de aproximadamente 3,3% em 12 meses, ainda acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano. Caso a inflação venha acima das projeções, o mercado poderá revisar as apostas para os juros e ampliar a pressão sobre as ações de tecnologia.

Também será divulgada a segunda leitura do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no segundo trimestre. O dado ajudará a medir a resistência da maior economia do mundo diante dos juros elevados, do encarecimento da energia e das incertezas geopolíticas.

Antes da abertura, os contratos futuros de Wall Street mostravam cautela: o S&P 500 recuava 0,08%, o Nasdaq perdia 0,24% e o Dow Jones avançava discretamente, 0,03%. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, caía 0,35%.

Nvidia testa novamente o entusiasmo com a inteligência artificial

Após o encerramento do pregão norte-americano, a Nvidia apresenta os resultados do segundo trimestre de seu ano fiscal de 2027. A conferência com investidores está marcada para as 17h no horário de Nova York, segundo o calendário oficial da companhia.

Mais do que os números do trimestre, os investidores acompanharão as projeções da empresa para receitas, margens e demanda por chips utilizados em inteligência artificial. Também estarão no radar eventuais comentários sobre investimentos das grandes empresas de tecnologia, capacidade produtiva e ritmo de entrega de novos processadores.

O resultado da Nvidia ganhou dimensão macroeconômica. A companhia tornou-se um termômetro do ciclo global de investimentos em inteligência artificial e exerce forte influência sobre o Nasdaq e o S&P 500. Um balanço robusto poderá recuperar o apetite por risco; uma projeção mais fraca poderá provocar correções em todo o segmento tecnológico.

A Salesforce também apresenta seus resultados depois do fechamento do mercado.

Petróleo recua com possível avanço diplomático

No mercado de commodities, o petróleo registra forte queda depois das altas provocadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Às 7h31, o barril do Brent recuava 3,14%, negociado a US$ 85,80.

O movimento acompanha informações sobre possíveis avanços nas negociações entre Irã e Omã para a criação de um corredor marítimo e a retomada mais segura do tráfego pelo Estreito de Ormuz. A passagem é estratégica para o transporte mundial de petróleo e qualquer bloqueio ou limitação eleva o risco de desabastecimento e pressiona os preços da energia. Dados atualizados ao longo da manhã mostravam o Brent próximo de US$ 86, com o mercado ainda reagindo às tratativas diplomáticas.

A queda do petróleo reduz parte da pressão inflacionária global, mas poderá pesar sobre as ações da Petrobras. O minério de ferro, em sentido contrário, avançava 1,04%, cotado a US$ 98,15, oferecendo algum suporte para empresas ligadas à mineração.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
9hIBGE divulga o IPCA-15 de agosto
9hBroadcast/Indexa Pesquisas divulga levantamento eleitoral
9h30Estados Unidos divulgam o PCE de julho
9h30Segunda leitura do PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre
14h30Tesouro Nacional publica o Relatório Mensal da Dívida Pública
14h30Banco Central divulga o fluxo cambial semanal
Após o fechamentoBalanços de Nvidia e Salesforce

Mercados internacionais

Estados Unidos

Índice futuroVariação
S&P 500-0,08%
Nasdaq-0,24%
Dow Jones+0,03%
EWZ — ações brasileiras em Nova York-0,35%

Dados registrados às 7h28.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50+0,22%
Londres — FTSE 100-0,13%
Frankfurt — DAX+0,19%
Paris — CAC 40+0,41%

Dados registrados às 7h29.

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300+0,85%
Hong Kong — Hang Seng+0,56%
Japão — Nikkei+0,62%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent-3,14%US$ 85,80 por barril
Minério de ferro+1,04%US$ 98,15

Dados registrados às 7h31.

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