Petróleo e juros derrubam bolsas no último pregão de agosto

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Novos ataques dos Estados Unidos ao Irã levam o Brent novamente acima de US$ 90, enquanto discurso mais duro do Federal Reserve reforça a possibilidade de alta dos juros em setembro.

O mercado financeiro inicia a semana sob pressão de duas forças que voltaram a preocupar os investidores: a escalada do conflito no Oriente Médio e a perspectiva de que os juros norte-americanos poderão subir novamente já em setembro.

Os futuros das bolsas de Nova York operam em queda nesta segunda-feira (31), último pregão de agosto. Às 7h25, os contratos do S&P 500 recuavam 0,17%, enquanto os futuros do Nasdaq e do Dow Jones caíam 0,12% e 0,17%, respectivamente.

O movimento ocorre depois de os Estados Unidos realizarem um novo ataque contra lançadores de foguetes iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz. A ofensiva interrompe uma trégua informal de aproximadamente um mês e aumenta o risco de uma nova reação do Irã.

A região concentra uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Qualquer ameaça à circulação de navios pelo estreito provoca uma reação quase imediata nas cotações da commodity. Nesta manhã, o petróleo Brent avançava 3,81%, negociado a US$ 91,46 o barril.

Além de pressionar empresas consumidoras de energia, a valorização do petróleo reforça o risco inflacionário. Combustíveis mais caros elevam custos de transporte, produção industrial e distribuição de mercadorias, criando um novo desafio para os bancos centrais.

Fed endurece o discurso

A pressão geopolítica encontrou um mercado já cauteloso após o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole.

Warsh afirmou que a autoridade monetária deverá agir caso a inflação não apresente uma trajetória consistente em direção à meta de 2%. A sinalização foi interpretada como uma preparação para novas altas dos juros.

O Barclays passou a projetar dois aumentos de 0,25 ponto percentual ainda em 2026, um em setembro e outro em dezembro. Os contratos negociados no mercado indicam probabilidade próxima de 60% de elevação dos juros na reunião de 16 de setembro.

Juros mais elevados aumentam o retorno dos títulos públicos norte-americanos e reduzem a atratividade relativa das ações, especialmente de empresas de tecnologia e crescimento, mais sensíveis ao custo do dinheiro.

Apesar da queda desta manhã, agosto ainda deverá terminar positivo em Wall Street. Até sexta-feira, o S&P 500 acumulava valorização de 2,96%, enquanto o Nasdaq avançava 4%.

Ibovespa tenta limitar perdas do mês

O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha as principais ações brasileiras, subia apenas 0,08% no pré-mercado. O desempenho próximo da estabilidade oferece pouco impulso para o Ibovespa, que acumula queda de 1,31% em agosto.

A bolsa brasileira, entretanto, recuperou parte das perdas registradas durante o mês. No pior momento, o índice chegou à região dos 166 mil pontos e acumulou recuo de aproximadamente 6,6%.

Petrobras poderá receber apoio da valorização internacional do petróleo. Vale, por sua vez, tende a acompanhar a alta de 1,01% do minério de ferro, cotado a US$ 99,40 por tonelada na referência informada nesta manhã.

No mercado doméstico, as atenções estarão concentradas na proposta do Orçamento da União para 2027, no resultado fiscal do setor público consolidado e nas novas projeções do Relatório Focus.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
8h25Banco Central divulga o Relatório Focus
8h30Resultado do setor público consolidado de julho
9hDario Durigan participa do Macro Day 2026, do BTG Pactual
10h45Bruno Moretti apresenta perspectivas para o PLOA 2027 no Macro Day
14h30Márcio Elias Rosa reúne-se com Jamieson Greer para discutir as tarifas dos EUA
Durante o diaGoverno encaminha ao Congresso a proposta do Orçamento de 2027

A comissão mista do Congresso deverá analisar nesta segunda-feira a medida provisória que elimina o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A previsão oficial é que, se aprovado na comissão, o texto seja votado pelos plenários da Câmara e do Senado na terça-feira.

Mercados internacionais

Estados Unidos — futuros

ÍndiceVariação
S&P 500-0,17%
Nasdaq-0,12%
Dow Jones-0,17%
EWZ+0,08%

Dados às 7h25.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50-0,36%
Frankfurt — DAX-0,81%
Paris — CAC 40-0,06%
Londres — FTSE 100Mercado fechado por feriado

As bolsas europeias acompanham o aumento da tensão no Oriente Médio e o temor de que a valorização do petróleo dificulte o controle da inflação. Associated Press

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300+0,35%
Hong Kong — Hang Seng-0,07%
Japão — Nikkei-0,14%

As bolsas asiáticas encerraram o dia sem direção única. A China foi sustentada por indicadores industriais positivos, enquanto Japão e Hong Kong recuaram diante do aumento das tensões geopolíticas.

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+3,81%US$ 91,46 por barril
Minério de ferro+1,01%US$ 99,40 por tonelada

Dados entre 7h25 e 7h27.

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