Fabricante de chips supera as projeções, mas ações recuam diante das expectativas elevadas e do aumento dos investimentos; no Brasil, investidores acompanham vendas no varejo e os efeitos das novas tarifas americanas.
Os mercados financeiros iniciam esta quinta-feira (16), em ambiente de cautela. A combinação entre realização de lucros no setor de tecnologia, nova escalada militar no Oriente Médio e aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos reduz o apetite por risco e pressiona as principais bolsas internacionais.
O destaque corporativo do dia é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, a TSMC. A maior fabricante de semicondutores por contrato do mundo registrou lucro líquido recorde de 706,6 bilhões de dólares taiwaneses, cerca de US$ 22 bilhões, no segundo trimestre, crescimento de 77% em relação ao mesmo período de 2025. A receita avançou 36%, para US$ 40,2 bilhões, impulsionada principalmente pela demanda por chips avançados utilizados em inteligência artificial.
Apesar dos números expressivos, os recibos de ações da companhia negociados em Nova York recuavam mais de 4% no pré-mercado.
Resultado superou as expectativas, mas mercado queria mais
É importante fazer uma correção na leitura inicial. O balanço da TSMC não decepcionou em termos financeiros. Pelo contrário, o lucro superou a projeção de 632,6 bilhões de dólares taiwaneses calculada a partir das estimativas de analistas. A receita também ficou no limite superior da orientação divulgada anteriormente pela companhia.
A reação negativa das ações mostra outro fenômeno: as expectativas em torno da inteligência artificial chegaram a níveis tão elevados que resultados recordes já não garantem valorização imediata. Investidores também avaliam o impacto do aumento dos investimentos da empresa nos Estados Unidos, os custos da expansão internacional e a possibilidade de pressão sobre as margens.
A TSMC anunciou mais US$ 100 bilhões em investimentos na produção americana, elevando para US$ 265 bilhões o compromisso total no país. Ao mesmo tempo, aumentou a projeção de despesas de capital em 2026 para uma faixa entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões.
Portanto, não se trata de falta de crescimento. O mercado está questionando quanto custará sustentar esse crescimento e por quanto tempo a companhia conseguirá continuar superando expectativas que já são excepcionalmente altas. Segundo a Reuters, o lucro trimestral foi recorde e ficou muito acima das estimativas.
Wall Street recua com tecnologia sob pressão
Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq operavam em queda pela manhã, enquanto os contratos do Dow Jones apresentavam leve alta. O movimento indica uma pressão mais concentrada sobre empresas de tecnologia e semicondutores.
O mercado americano também aguarda os pedidos semanais de auxílio-desemprego e as vendas no varejo de junho. Os dois indicadores poderão influenciar as expectativas para os juros dos Estados Unidos, especialmente se apresentarem sinais de desaceleração mais forte do consumo ou do mercado de trabalho.
Na agenda corporativa, os investidores analisam os balanços de TSMC, GE Aerospace e UnitedHealth antes da abertura. Após o fechamento, as atenções estarão voltadas para Netflix e Alcoa.
Estreito de Ormuz mantém petróleo e mercados sob tensão
A retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã elevou novamente o risco geopolítico. O Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações por ser uma rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás.
O Irã declarou que o controle do estreito constitui uma “linha vermelha” e prometeu reagir às operações americanas. A escalada inclui ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos e ações de retaliação contra instalações militares americanas na região. A Reuters acompanha a nova escalada no Estreito de Ormuz.
Mesmo com pequena queda nesta manhã, o petróleo Brent permanece próximo de US$ 85 por barril. A manutenção dos preços em patamar elevado pode aumentar os custos de transporte, energia e produção, além de dificultar o processo de redução da inflação internacional.
Tarifaço americano aumenta incerteza no Brasil

No mercado doméstico, investidores calculam os possíveis efeitos da tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras. A medida, prevista para entrar em vigor em 22 de julho, alcança produtos como açúcar, aço e equipamentos elétricos, mas preserva itens considerados estratégicos para o mercado americano, entre eles café, carne bovina, energia, componentes aeronáuticos, laranja e suco de laranja.
O governo brasileiro considera a medida injustificada e avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio, além de preparar eventuais respostas comerciais. O risco, para empresas e investidores, é que uma reação brasileira provoque nova rodada de retaliações e aumente a insegurança para exportadores. A Reuters detalha os produtos atingidos e as exceções previstas.
O EWZ, fundo que representa ações brasileiras negociadas em Nova York, recuava 0,36% antes da abertura, refletindo a cautela com o ambiente externo e com a disputa comercial.
Varejo brasileiro mede força do consumo
No Brasil, o principal indicador econômico do dia é a Pesquisa Mensal de Comércio referente a maio, divulgada pelo IBGE. O resultado ajudará a medir os efeitos dos juros elevados, do endividamento das famílias e da perda de fôlego da atividade econômica sobre o consumo.
Em abril, o volume de vendas do varejo havia recuado 1,5% na comparação com março, interrompendo a sequência positiva observada no primeiro trimestre. A série oficial está disponível na Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.
A divulgação ganha ainda mais importância depois da queda do setor de serviços em maio. Caso o varejo também apresente desempenho fraco, aumentará a percepção de desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre.

Agenda econômica desta quinta-feira
| Horário | Indicador ou evento |
|---|---|
| 9h | IBGE divulga as vendas no varejo de maio |
| 9h30 | Estados Unidos publicam os pedidos de auxílio-desemprego |
| 9h30 | Estados Unidos divulgam as vendas no varejo de junho |
| 10h | Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, reúne-se com jornalistas do JOTA |
| 22h | Donald Trump faz pronunciamento aos americanos |
Mercados internacionais — Estados Unidos
| Indicador | Variação |
|---|---|
| Futuros do S&P 500 | -0,12% |
| Futuros do Nasdaq | -0,53% |
| Futuros do Dow Jones | +0,20% |
| EWZ — ações brasileiras em Nova York | -0,36% |
Dados registrados às 7h27.
Mercados internacionais — Europa
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | -0,29% |
| Londres — FTSE 100 | -0,27% |
| Frankfurt — DAX | -0,50% |
| Paris — CAC 40 | -0,66% |
Dados registrados às 7h28.
Mercados internacionais — Ásia
| Mercado | Variação |
|---|---|
| China — CSI 300 | -1,85% |
| Hong Kong — Hang Seng | +1,33% |
| Japão — Nikkei | -2,79% |
Commodities
| Produto | Variação | Cotação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | -0,27% | US$ 84,72 por barril |
| Minério de ferro | -0,29% | US$ 100,10 |
Dados registrados às 7h29.
Fonte: B3/XP
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