Petróleo sobe e desafia otimismo global sobre possível acordo entre EUA e Irã

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Brasil pode ampliar participação no comércio mundial ao integrar cadeias de valor; Federação lança agenda com propostas para alcançar esses objetivos

Mercados internacionais avançam apostando em solução diplomática no Oriente Médio, mas petróleo volta a subir diante de impasses envolvendo o Estreito de Ormuz, enriquecimento de urânio e pressão inflacionária global.

Os mercados globais começam esta sexta-feira em clima de aparente otimismo, mas com um nível crescente de tensão embutido nos preços das commodities energéticas. Bolsas da Europa, Ásia e futuros americanos operam em alta após novas sinalizações de uma possível rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã. Ainda assim, o petróleo sobe novamente e expõe que o mercado financeiro segue desconfiado de um acordo rápido para encerrar o conflito no Oriente Médio.

A aposta dos investidores está concentrada na informação de que uma comitiva americana embarcaria para o Paquistão para uma nova rodada de negociações indiretas com Teerã. O problema é que o mercado já ouviu esse discurso antes. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, declarações do presidente Donald Trump indicando um possível cessar-fogo foram feitas diversas vezes, sem que um acordo concreto fosse efetivamente alcançado.

Enquanto isso, o Estreito de Ormuz continua parcialmente comprometido para a circulação internacional de navios petroleiros, que é um dos fatores mais sensíveis da economia global neste momento. Cerca de 20% do petróleo transportado no mundo passa pela região. Qualquer interrupção prolongada aumenta imediatamente o temor de choque energético, inflação global e desaceleração econômica.

Os pontos de atrito continuam praticamente os mesmos:

  • o enriquecimento de urânio pelo Irã;
  • a manutenção do programa nuclear iraniano;
  • e a possibilidade de cobrança de pedágio para passagem de embarcações por Ormuz.

Na prática, o petróleo reage menos ao discurso político e mais ao risco logístico real. O Brent volta a subir acima de US$ 104 por barril, sinalizando que o mercado ainda precifica risco elevado de desabastecimento e encarecimento energético global.

Nos Estados Unidos, o foco também se volta para a política monetária. A posse de Kevin Warsh no comando do Fed acontece sob forte expectativa do mercado financeiro e presença confirmada de Trump. Warsh assume após meses de pressão política pública sobre Jerome Powell, alvo constante do republicano por manter juros elevados.

Mas o cenário se tornou mais complexo. A guerra no Oriente Médio e a alta dos combustíveis ampliam o risco inflacionário justamente no momento em que parte do mercado apostava em cortes de juros nos Estados Unidos. Agora, cresce a percepção de que o Fed poderá ser obrigado não apenas a manter juros elevados, mas eventualmente voltar a discutir novas altas caso o petróleo continue pressionando a inflação americana.

Ao mesmo tempo, Wall Street mantém o entusiasmo com a nova onda de mega IPOs de tecnologia e inteligência artificial. O anúncio da abertura de capital da SpaceX reforçou o apetite por ativos ligados à inovação. O mercado também monitora a expectativa de futuras ofertas públicas da OpenAI, dona do ChatGPT e da Anthropic, responsável pelo Claude.

No Brasil, o clima é mais moderado. O EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, opera em leve queda nesta manhã. O mercado acompanha principalmente a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal, que poderá trazer novos congelamentos orçamentários em meio à pressão fiscal crescente.

Mercados — 7h27

Mercados — 7h27
Futuros S&P 500+0,14%
Futuros Nasdaq+0,09%
Futuros Dow Jones+0,27%
Europa — 7h28
Euro Stoxx 50+0,86%
Londres — FTSE 100+0,44%
Frankfurt — DAX+0,78%
Paris — CAC 40+0,51%
Ásia
CSI 300 — China+1,30%
Hang Seng — Hong Kong+0,86%
Nikkei — Japão+2,68%
Commodities — 7h28
Petróleo Brent+2,35%, a US$ 104,99 o barril
Minério de ferro+0,29%, a US$ 106,10 por tonelada

Agenda do dia

HorárioEvento
3hAlemanha divulga leitura final do PIB do 1º trimestre
9h30Paulo Picchetti e Nilton David (BC) participam de reunião trimestral com economistas
12hTrump participa da posse de Kevin Warsh na presidência do Fed
15hFazenda publica relatório bimestral de receitas e despesas
15hDario Durigan e Bruno Moretti concedem entrevista coletiva

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