Ataques no Estreito de Ormuz voltam a pressionar petróleo, enquanto bolsas ignoram risco geopolítico e seguem apostando em desaceleração do conflito.
A terça-feira começa sob um cenário de tensão renovada no Oriente Médio, mas com os mercados financeiros insistindo em operar sob uma lógica curiosa: a de que a guerra ainda pode ser contida. Os Estados Unidos voltaram a atacar posições ligadas ao Irã ainda na noite de segunda-feira, alegando que a operação teria como objetivo proteger tropas americanas de “ameaças representadas pelas forças iranianas”. A justificativa, considerada vaga e com forte tom político-militar, amplia as dúvidas sobre a real sustentação do cessar-fogo informal que vinha sendo costurado nos bastidores.
Informações da agência Bloomberg apontam que os ataques também contaram com participação israelense e teriam sido motivados por movimentações iranianas para instalação de novas minas submarinas no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta.
O movimento recoloca o mercado diante de uma velha pergunta: até onde vai a disposição das potências em evitar um choque mais amplo na região? Na prática, a simples ameaça sobre Ormuz já é suficiente para contaminar preços globais de energia, seguros marítimos, logística internacional e expectativas inflacionárias.
O petróleo reage imediatamente. O barril do Brent volta a subir forte nesta manhã e se aproxima novamente da faixa dos US$ 100, refletindo o receio de interrupções no fluxo global da commodity. O avanço ocorre justamente um dia após investidores terem comprado a narrativa de uma possível estabilização do conflito e reabertura gradual da rota marítima.
Apesar disso, os futuros das bolsas americanas operam em alta, num comportamento que reforça a leitura de que parte relevante do mercado ainda acredita numa guerra limitada, sem impacto estrutural mais profundo sobre crescimento global e política monetária dos bancos centrais.
O ETF EWZ, principal termômetro das ações brasileiras negociadas em Nova York, sobe mais de 1% no pré-mercado americano, indicando abertura positiva para o Ibovespa. O movimento também encontra apoio na expectativa de entrada de fluxo estrangeiro em mercados emergentes exportadores de commodities, especialmente diante da alta do petróleo e da relativa resiliência do real nas últimas sessões.
No Brasil, a agenda econômica é mais enxuta. O principal dado do dia será divulgado pelo Banco Central, com as estatísticas do setor externo referentes a abril. Investidores acompanham principalmente o comportamento das contas correntes, fluxo cambial e entrada de investimentos estrangeiros.
Nos Estados Unidos, o destaque será o índice de confiança do consumidor medido pelo Conference Board. Já durante a madrugada, a China divulga os números do lucro industrial de abril, indicador importante para medir o ritmo real da desaceleração econômica chinesa e seus reflexos sobre demanda global por commodities.
Na Europa, o humor é mais cauteloso. Bolsas operam majoritariamente no vermelho, refletindo preocupação maior com energia, inflação e impacto econômico de uma eventual ampliação do conflito no Oriente Médio.
O mercado segue, portanto, dividido entre duas narrativas: a da diplomacia possível e a da escalada inevitável. E enquanto investidores tentam adivinhar qual delas prevalecerá, petróleo, ouro e ativos defensivos voltam lentamente ao radar global.
| Mercados — 7h20 | |
|---|---|
| Estados Unidos | |
| S&P 500 Futuro | +0,63% |
| Nasdaq Futuro | +1,01% |
| Dow Jones Futuro | +0,42% |
| Europa | |
| Euro Stoxx 50 | -0,82% |
| Londres (FTSE 100) | +0,58% |
| Frankfurt (DAX) | -0,70% |
| Paris (CAC 40) | -1,05% |
| Ásia | |
| CSI 300 (China) | +0,53% |
| Hang Seng (Hong Kong) | -0,03% |
| Nikkei (Japão) | -0,25% |
| Commodities | |
| Brent | +2,93%, a US$ 98,96 |
| Minério de ferro | -1,53%, a US$ 105,10 |
| Agenda do dia | |
| 8h30 — Banco Central divulga setor externo de abril | |
| 11h — EUA divulgam confiança do consumidor (Conference Board) | |
| 22h30 — China publica lucro industrial de abril | |
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