Ações da Nvidia sobem 7% e devolvem otimismo a Wall Street

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Resultados acima das expectativas renovam o entusiasmo com a inteligência artificial, enquanto investidores aguardam sinais do Federal Reserve e acompanham os dados de emprego no Brasil.

Os mercados internacionais iniciam esta quinta-feira (27) com sinais mistos, mas o forte desempenho da Nvidia devolve parte do otimismo a Wall Street. As ações da fabricante de chips avançam mais de 7% no pré-mercado, depois de a companhia divulgar receita e lucro acima das projeções dos analistas.

A empresa registrou receita de US$ 96,2 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2027, crescimento de 18% em relação ao trimestre anterior e de 106% na comparação anual. Somente a divisão de data centers, relacionada diretamente à expansão da inteligência artificial, alcançou US$ 89 bilhões, alta de 117% em um ano. Os números foram divulgados pela própria Nvidia.

O resultado reforça a percepção de que a corrida global por infraestrutura de inteligência artificial continua sustentando os investimentos das grandes empresas de tecnologia. No pré-mercado, o movimento da Nvidia impulsiona principalmente o Nasdaq, que avança mais de 1%. Os futuros do S&P 500 também operam em alta, enquanto o Dow Jones apresenta leve recuo.

O movimento não elimina, porém, as dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial nem sobre a capacidade das empresas de transformar os gastos bilionários em receitas sustentáveis. A sessão indica alívio, mas não encerra o debate sobre uma eventual valorização excessiva das companhias de tecnologia.

Jackson Hole mantém investidores cautelosos

Além dos balanços corporativos, o mercado acompanha o início do Simpósio de Jackson Hole, encontro que reúne dirigentes de bancos centrais, economistas e representantes do sistema financeiro.

A principal expectativa está concentrada no discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, previsto para sexta-feira (28). Os investidores buscam indicações sobre a condução dos juros norte-americanos diante de uma inflação ainda resistente.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, utilizado pelo Fed como principal referência de inflação, ficou em 3,7% nos 12 meses encerrados em julho, repetindo a taxa de junho. O resultado mantém o debate sobre a necessidade de juros elevados por mais tempo e limita apostas em uma flexibilização rápida da política monetária.

A cautela aparece no desempenho desigual dos mercados. Enquanto as empresas de tecnologia avançam, os juros dos títulos do Tesouro norte-americano continuam elevados e o dólar ganha força diante de algumas moedas.

Mercado brasileiro acompanha emprego e contas externas

No Brasil, a agenda é concentrada em indicadores capazes de oferecer um retrato mais claro da atividade econômica. O Banco Central divulga as estatísticas do setor externo referentes a julho, enquanto o IBGE apresenta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad Contínua.

De acordo com informações do IBGE os dados do mercado de trabalho serão observados com atenção porque a desaceleração da atividade ainda não apareceu de maneira significativa nos índices de emprego. No trimestre encerrado em junho, a taxa de desocupação havia ficado em 5,4%.

O resultado desta quinta poderá indicar se o mercado de trabalho continua resistente ou se os juros altos e a perda de ritmo da economia começam a afetar as contratações.

A deflação registrada pelo IPCA-15 em agosto reforçou a percepção de moderação da atividade, mas a composição do índice mostrou que o alívio ainda não é uniforme. Para os investidores, uma desaceleração gradual da economia pode favorecer futuras reduções dos juros. Uma piora mais forte do emprego, entretanto, aumentaria as preocupações com o crescimento.

O ambiente externo relativamente favorável aos ativos de risco pode oferecer suporte ao Ibovespa. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha empresas brasileiras, avançava 0,50% no pré-mercado. O dólar, porém, poderá permanecer pressionado pela inflação norte-americana e pelos juros elevados nos Estados Unidos.

Tendências do dia

O desempenho da Nvidia tende a favorecer as ações de tecnologia e empresas relacionadas à inteligência artificial. No Brasil, Petrobras poderá acompanhar a valorização do petróleo, enquanto Vale e siderúrgicas enfrentam a queda do minério de ferro.

Bancos, varejistas e empresas ligadas ao consumo doméstico deverão reagir aos números da Pnad Contínua. O mercado também acompanhará o resultado do Governo Central, previsto para a tarde, em meio às preocupações persistentes com o equilíbrio das contas públicas.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
8h30Banco Central divulga estatísticas do setor externo de julho
8h30Banco Central Europeu divulga a ata da última decisão monetária
9hIBGE publica a Pesquisa Anual de Serviços de 2024
9hIBGE divulga a Pnad Contínua
9h30Estados Unidos divulgam os pedidos semanais de auxílio-desemprego
15h30Tesouro Nacional publica o Resultado do Governo Central
Durante o diaInício do Simpósio de Jackson Hole

Mercados internacionais

Estados Unidos — pré-mercado

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500+0,44%
Futuros do Nasdaq+1,07%
Futuros do Dow Jones-0,08%
EWZ — Brasil em Nova York+0,50%

Dados registrados por volta das 7h26.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50-0,20%
Londres — FTSE 100-0,48%
Frankfurt — DAX+0,28%
Paris — CAC 40-1,01%

Dados registrados por volta das 7h28.

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300+0,86%
Hong Kong — Hang Seng-0,34%
Japão — Nikkei-0,20%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+0,54%US$ 88,31 por barril
Minério de ferro-0,44%US$ 97,70

Dados registrados por volta das 7h29.

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