Petróleo cai abaixo de US$ 90 e mercados avançam após sanções limitadas contra o Irã

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Investidores reduzem o prêmio de risco depois que o pacote anunciado pelos Estados Unidos ficou aquém das ameaças feitas por Donald Trump; no Brasil, arrecadação federal de julho concentra as atenções.

O mercado financeiro inicia esta terça-feira (25) com melhora do apetite por risco, avanço dos futuros de Wall Street e forte queda do petróleo. O movimento ocorre depois que o pacote de sanções anunciado pelos Estados Unidos contra o Irã foi considerado menos abrangente do que indicavam as ameaças do governo de Donald Trump.

O petróleo Brent recuava 2,90%, cotado a US$ 89,50 por barril, depois de cair a aproximadamente US$ 89,21 e atingir o menor nível desde 17 de agosto. Os investidores interpretaram a estratégia americana como uma tentativa de ampliar a pressão econômica sobre Teerã sem provocar, neste momento, uma escalada militar capaz de interromper o fornecimento mundial de petróleo.

A reação positiva, porém, não significa que o risco geopolítico tenha desaparecido. O Irã prometeu responder às medidas americanas, enquanto um navio petroleiro foi atingido próximo à entrada do Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte mundial de energia. A redução do tráfego marítimo na região também continua sob observação.

Sanções ficaram abaixo das ameaças

O governo Trump havia sinalizado a adoção de um amplo pacote de sanções secundárias contra países e empresas que mantivessem relações comerciais com o Irã. O anúncio, entretanto, concentrou-se em aproximadamente 60 pessoas, empresas e embarcações ligadas à comercialização de petróleo e produtos petroquímicos iranianos e russos.

Entre os alvos está a companhia Wellbred Capital, sediada em Singapura, além de empresas relacionadas localizadas nos Emirados Árabes Unidos, Suíça e França. As medidas não alcançaram, de maneira imediata, grandes parceiros comerciais do Irã, como o mercado temia.

A percepção predominante é de que Washington preferiu testar uma ofensiva econômica mais limitada, preservando espaço para negociações e evitando uma nova disparada do petróleo. Segundo a Reuters, os contratos da commodity caíram mais de 3% e atingiram a menor cotação em uma semana.

O chamado “Dia D” das sanções, portanto, produziu mais alívio do que temor nos mercados. Mas é cedo para declarar o fracasso definitivo da estratégia: sua eficácia dependerá da aplicação das medidas, da adesão dos parceiros internacionais e da resposta iraniana.

Queda do petróleo melhora o humor dos investidores

Os futuros das bolsas americanas operam em alta, com destaque para o Nasdaq, favorecido pela redução dos preços da energia e pelo recuo da percepção de risco imediato no Oriente Médio.

A queda do petróleo ajuda a aliviar as expectativas de inflação, reduz a pressão sobre os juros e melhora o ambiente para ações de tecnologia e empresas mais sensíveis ao custo do crédito. As bolsas europeias também avançam, apoiadas pela avaliação de que as sanções foram menos severas do que o esperado.

O movimento não é inteiramente homogêneo. Empresas petrolíferas podem sofrer com a redução da commodity, enquanto companhias aéreas, transportadoras e setores intensivos em combustíveis tendem a ser beneficiados.

Brasil acompanha melhora externa

O EWZ, fundo negociado em Nova York que representa uma carteira de ações brasileiras, avançava 0,54% no início da manhã. O desempenho indica uma abertura potencialmente positiva para o Ibovespa, embora o comportamento de Petrobras possa limitar parte dos ganhos caso a queda do petróleo se mantenha.

Vale acompanha o recuo de 0,34% do minério de ferro, cotado a US$ 97,10. Em sentido contrário, empresas ligadas ao transporte, à aviação e ao consumo podem receber algum apoio da redução dos custos energéticos.

No mercado doméstico, o principal indicador do dia será a arrecadação federal de julho. A Receita Federal apresenta os dados às 11h, em entrevista coletiva transmitida pelo Ministério da Fazenda. O resultado ajudará a medir o comportamento das receitas e a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais.

Estimativa preliminar do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta que o governo central pode ter registrado superávit primário de R$ 11 bilhões em julho, com receita líquida de R$ 226,2 bilhões. O número oficial, contudo, dependerá da divulgação da Receita e, posteriormente, do resultado consolidado pelo Tesouro Nacional.

Agenda econômica e política

HorárioEvento
11hReceita Federal divulga a arrecadação federal de julho
21h05Ronaldo Caiado participa de sabatina na TV Globo

A coletiva sobre a arrecadação está confirmada pela Receita Federal.

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500+0,49%
Futuros do Nasdaq+0,97%
Futuros do Dow Jones+0,47%
EWZ — ações brasileiras em Nova York+0,54%

Dados apurados por volta das 7h24.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50+0,56%
Londres — FTSE 100+0,09%
Frankfurt — DAX+0,79%
Paris — CAC 40+0,39%

Dados apurados por volta das 7h25.

As ações europeias avançam diante das sanções menos severas contra o Irã, da redução do petróleo e da valorização de empresas do setor de defesa. O movimento também encontra apoio no crescimento de 0,3% da economia alemã no segundo trimestre, acima de algumas projeções do mercado.

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300−0,24%
Hong Kong — Hang Seng−0,02%
Japão — Nikkei 225+0,50%

As bolsas asiáticas encerraram sem uma direção única. O mercado japonês avançou, enquanto as ações chinesas foram pressionadas, entre outros fatores, pela venda de participação acionária da Alibaba com desconto.

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent−2,90%US$ 89,50 por barril
Minério de ferro−0,34%US$ 97,10

Dados apurados por volta das 7h26.

O que observar ao longo do dia

O alívio desta manhã depende da permanência de três condições: ausência de nova escalada militar, manutenção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e aplicação limitada das sanções americanas.

Qualquer ameaça concreta ao transporte de petróleo pode reverter rapidamente a queda da commodity e devolver volatilidade às bolsas. O mercado comprou tempo, não necessariamente paz.

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