Agro inicia o dia com ajustes nos grãos, café pressionado e boi gordo estável

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Soja e milho devolvem parte dos ganhos recentes, enquanto avanço da colheita pesa sobre o café e contratos futuros do boi mantêm expectativa de recuperação no final do ano.

O mercado do agronegócio inicia esta quinta-feira (27) com movimentos de correção nas principais commodities. Depois das valorizações registradas na sessão anterior, soja, milho e trigo recuam em Chicago, pressionados pela realização de lucros e pelas dúvidas sobre a demanda internacional.

A soja havia avançado mais de 28 centavos de dólar por bushel na quarta-feira, enquanto o milho ganhou 13 centavos. Nesta manhã, os contratos devolvem parte da alta, em um movimento técnico acompanhado de perto pelos produtores brasileiros. A valorização do dólar pode limitar a pressão sobre os preços internos e favorecer as exportações.

Além das condições das lavouras norte-americanas, o mercado acompanha os impactos do clima sobre a produção chinesa. Chuvas intensas e temperaturas elevadas atingem regiões produtoras de milho, soja e algodão, podendo comprometer a qualidade das lavouras e ampliar a necessidade de importações. Segundo a Reuters, eventuais perdas poderão aumentar a procura chinesa por milho, sorgo e algodão.

Milho encontra suporte na demanda doméstica

No Brasil, o aumento da oferta da segunda safra continua limitando avanços mais expressivos do milho. A pressão, entretanto, é parcialmente compensada pelo consumo das indústrias de ração e pela expansão da produção de etanol de milho.

Na B3, o contrato com vencimento em setembro fechou a quarta-feira cotado a R$ 72,08 por saca, praticamente estável. O comportamento dos produtores, que evitam ampliar as vendas em momentos de baixa, também reduz a disponibilidade imediata do cereal e impede quedas mais fortes.

A soja com vencimento em novembro encerrou a sessão anterior cotada a US$ 27 por saca, com recuo de 1,17%. As negociações físicas permanecem seletivas, com compradores e vendedores divergindo sobre os preços.

Café recua com colheita próxima do fim

O café segue marcado por forte volatilidade. A colheita da safra brasileira 2026/2027 alcançou aproximadamente 94% da área estimada até 19 de agosto, segundo levantamento da Safras & Mercado divulgado pelo Canal Rural.

O avanço dos trabalhos e as expectativas de maior oferta pressionam os contratos em Nova York e na B3. Após movimentos intensos de valorização, investidores realizam lucros e ajustam posições. No mercado brasileiro, o contrato de café para setembro fechou a quarta-feira a US$ 441,25, mas iniciou esta quinta em baixa.

Boi gordo mantém estabilidade

O mercado físico do boi gordo apresenta estabilidade na maioria das praças, com frigoríficos cautelosos e escalas de abate relativamente confortáveis. Em Minas Gerais, a referência está próxima de R$ 335 por arroba, segundo as cotações do Canal Rural.

Na B3, o contrato de agosto fechou a quarta-feira a R$ 342,30 por arroba. Os vencimentos seguintes mantêm preços mais altos: novembro terminou em R$ 367,20 e dezembro em R$ 369,50. Para janeiro de 2027, a cotação alcançou R$ 376,40.

A curva futura indica expectativa de menor oferta de animais prontos e recuperação dos preços no final do ano. O custo da reposição, porém, merece atenção: o bezerro está se valorizando mais rapidamente que o boi gordo, pressionando as margens de recriadores e invernistas.

Cotações de referência

ProdutoContratoCotaçãoVariação
Soja B3Novembro/2026US$ 27,00-1,17%
Milho B3Setembro/2026R$ 72,08Estável
Café B3Setembro/2026US$ 441,25+5,06%
Boi gordo B3Agosto/2026R$ 342,30/@-0,38%
Boi gordo B3Dezembro/2026R$ 369,50/@-0,27%

Valores de referência do fechamento de quarta-feira (26). As cotações podem variar ao longo do pregão.

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