Clima nos Estados Unidos, demanda internacional e valorização do óleo sustentam a oleaginosa; milho tenta recuperação, café reage em Nova York e contratos futuros do boi gordo voltam a superar R$ 370 por arroba.

O mercado agropecuário inicia esta sexta-feira (28) com valorização da soja na Bolsa de Chicago e recuperação de parte das commodities agrícolas. Clima, demanda internacional, petróleo elevado e oscilações do dólar continuam influenciando as negociações no Brasil e no exterior.
A soja é o principal destaque da manhã. Por volta das 7h46, o contrato com vencimento em novembro avançava 8,75 pontos, negociado a US$ 12,76 por bushel. Janeiro de 2027 subia 8,25 pontos, para US$ 12,91 por bushel.
O movimento amplia os ganhos da sessão anterior e encontra suporte nas incertezas climáticas sobre as lavouras norte-americanas, na demanda pelo grão e na valorização do óleo de soja. Milho e trigo também operam em alta em Chicago, ajudando a sustentar o complexo de grãos.
Soja encontra suporte dentro e fora do Brasil
A recuperação internacional já alcançou o mercado físico brasileiro. Nos portos, as referências se aproximam de R$ 160 por saca, enquanto negócios pontuais em Paranaguá chegaram a R$ 161.
O Indicador da Soja Esalq/B3 em Paranaguá encerrou a quinta-feira em R$ 155,05 por saca, alta de 0,31%. Em Abelardo Luz, Santa Catarina, a referência ficou em R$ 152.
O cenário é sustentado pela combinação entre Chicago valorizada, prêmios firmes nos portos e dólar próximo de R$ 5,16. A volatilidade, entretanto, ainda limita a comercialização. Parte dos produtores prefere aguardar novas altas antes de ampliar as vendas.
Soja em Chicago — às 7h46
| Contrato | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Setembro de 2026 | US$ 12,64/bushel | +7,75 pontos |
| Novembro de 2026 | US$ 12,76/bushel | +8,75 pontos |
| Janeiro de 2027 | US$ 12,91/bushel | +8,25 pontos |
| Março de 2027 | US$ 12,96/bushel | +8,25 pontos |
Milho tenta recuperação após pressão externa
O milho volta a subir em Chicago nesta manhã, acompanhando a recuperação dos grãos. Na quinta-feira, os contratos haviam recuado até 1%, em um movimento de realização de lucros e ajuste após as altas anteriores.
No Brasil, a entrada da segunda safra continua ampliando a disponibilidade do cereal. No Paraná, a colheita já alcança aproximadamente 83% da área, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural.
Apesar do avanço da oferta, os preços encontram alguma sustentação na demanda doméstica, especialmente das indústrias de ração e de etanol. O crescimento da produção de etanol de milho aumenta o consumo interno e reduz o espaço para quedas mais acentuadas.
O contrato de setembro encerrou a quinta-feira cotado a R$ 71,07 por saca na B3. Para o produtor, a atenção permanece voltada à diferença entre os preços disponíveis no mercado físico e as oportunidades de proteção oferecidas pelos contratos futuros.
Café reage depois de queda superior a 3%
O café arábica apresenta recuperação em Nova York. O contrato de dezembro subia 0,65% por volta das 7h45, negociado a 311,65 centavos de dólar por libra-peso.
A reação ocorre depois de uma queda superior a 3% na quinta-feira. O recuo levou produtores brasileiros a reduzir a oferta, travando parte dos negócios no mercado físico. Algumas praças nacionais registraram perdas de até 4,3%.
A volatilidade mostra que o café continua sensível às previsões para a produção, ao comportamento dos estoques e às condições climáticas nas principais regiões produtoras. No Brasil, o contrato de setembro encerrou a sessão anterior a US$ 401,95 por saca na B3.
Boi gordo recupera força nos contratos futuros
O mercado futuro do boi gordo voltou a avançar na quinta-feira. O contrato com vencimento em agosto fechou a R$ 342,90 por arroba, alta de 0,12%. Setembro subiu 1%, para R$ 357,35, enquanto outubro avançou 1,06%, para R$ 367,05.
Os contratos de novembro e dezembro superaram R$ 371 por arroba. A curva indica expectativa de valorização da arroba nos últimos meses do ano, período em que a disponibilidade de animais terminados costuma ficar mais ajustada.
No mercado físico, o Indicador Cepea para São Paulo alcançou R$ 344,50 por arroba, com valorização de 0,58% na quinta-feira.
A diferença entre o contrato corrente e os vencimentos do fim do ano reforça a possibilidade de proteção de preços. Entretanto, frigoríficos continuam administrando as escalas de abate e evitando compras agressivas quando encontram oferta suficiente.
Boi gordo na B3 — fechamento de quinta-feira
| Contrato | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Agosto de 2026 | R$ 342,90/@ | +0,12% |
| Setembro de 2026 | R$ 357,35/@ | +1,00% |
| Outubro de 2026 | R$ 367,05/@ | +1,06% |
| Novembro de 2026 | R$ 371,15/@ | +0,99% |
| Dezembro de 2026 | R$ 371,55/@ | +0,53% |

Mercado encerra a semana com sinais mais positivos
O conjunto dos mercados agrícolas apresenta uma melhora nesta sexta-feira, mas ainda não autoriza uma leitura de alta generalizada. A soja encontra suporte mais consistente em Chicago e nos portos brasileiros, enquanto o milho depende do equilíbrio entre o aumento da oferta e o crescimento do consumo interno.
No café, a recuperação desta manhã ainda precisa ser observada diante da forte volatilidade recente. Já no boi gordo, os vencimentos do fim do ano mostram expectativas mais favoráveis do que o mercado disponível.
O dólar, o clima nos Estados Unidos e o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole também poderão alterar o comportamento das commodities ao longo do dia. Mudanças nas expectativas de juros norte-americanos afetam a moeda, o custo do crédito e o fluxo de investimentos para os produtos agrícolas.
Fontes: Notícias Agrícolas, Canal Rural e B3. Cotações consultadas entre 7h40 e 7h46 desta sexta-feira.
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