Petróleo perto de US$ 100 eleva custos e amplia cautela no mercado do agro

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Soja encontra suporte na demanda internacional, boi gordo permanece firme e café recua; alta dos combustíveis reacende preocupação com fretes, insumos e inflação dos alimentos.

O mercado do agronegócio inicia esta terça-feira (8) atento à aproximação do petróleo Brent dos US$ 100 por barril. O agravamento das tensões no Oriente Médio e as restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz aumentam os riscos sobre combustíveis, fertilizantes e transporte internacional.

Para o produtor brasileiro, o efeito não é uniforme. A valorização do petróleo pode favorecer o etanol e ampliar a competitividade dos biocombustíveis, mas também encarece diesel, fretes, defensivos e outros insumos dependentes da cadeia petroquímica.

O mercado internacional ainda acompanha as condições das lavouras norte-americanas, as compras chinesas e a aproximação do novo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA.

Soja encontra suporte na demanda

Os contratos da soja operavam próximos da estabilidade em Chicago, com ligeiro viés positivo. O vencimento de novembro era negociado ao redor de US$ 13,16 por bushel, sustentado pelas compras chinesas e pelas incertezas climáticas no Hemisfério Norte.

Na semana anterior, a China confirmou a compra de 136 mil toneladas de soja norte-americana da safra 2026/2027. A movimentação ajudou a levar os contratos acima de US$ 13 por bushel.

No Brasil, a retração dos vendedores e a demanda interna e externa mantêm os preços sustentados. O Indicador Cepea para a soja no Paraná encerrou o último pregão antes do feriado em R$ 160,87 por saca, com avanço diário de 0,46%.

A alta do dólar, próximo de R$ 5,13 nesta manhã, também favorece a competitividade das exportações brasileiras. Entretanto, a valorização cambial pode elevar o custo dos fertilizantes e dos defensivos importados.

Milho oscila com oferta e consumo interno

O milho abriu a sessão em Chicago próximo de US$ 5,40 por bushel. O mercado tenta equilibrar a perspectiva de uma safra norte-americana volumosa com a demanda destinada à produção de etanol e à alimentação animal.

No Brasil, o Indicador Cepea encerrou a sexta-feira em R$ 70,93 por saca, com recuo de 0,18%. A maior disponibilidade da segunda safra continua limitando movimentos mais fortes de valorização.

Em contrapartida, a expansão do etanol de milho, as exportações e o consumo das indústrias de proteína animal oferecem sustentação ao cereal. O petróleo próximo de US$ 100 também pode favorecer a procura por biocombustíveis, fortalecendo indiretamente a demanda pelo milho.

Trigo reage aos problemas no Mar Negro

O trigo apresentava valorização mais expressiva em Chicago, negociado próximo de US$ 7,51 por bushel. Os contratos acumulam forte recuperação desde o final de junho, diante dos ataques contra navios e estruturas de exportação na região do Mar Negro.

Importadores asiáticos passaram a buscar trigo da Austrália e da Argentina para substituir cargas russas e ucranianas atrasadas. Segundo a Reuters, pelo menos 500 mil toneladas foram adquiridas recentemente de fornecedores alternativos.

A mudança pode abrir espaço adicional para o trigo da Argentina, principal fornecedora do Brasil, mas também tende a pressionar os custos internacionais do produto.

Café recua em Nova York

O café arábica operava em queda de aproximadamente 1,5% em Nova York, próximo de US$ 2,91 por libra-peso. A commodity acumula recuo superior a 7% no último mês, após o forte período de volatilidade registrado em julho.

No mercado físico brasileiro, o Indicador Cepea fechou a última sessão em R$ 1.659,93 por saca de 60 quilos, com queda de 0,74%.

O mercado acompanha a oferta brasileira, o avanço da colheita e as condições climáticas para a próxima safra. O câmbio mais valorizado pode estimular as exportações, mas também amplia a cautela dos compradores internos.

Boi gordo mantém firmeza

O mercado do boi gordo começa a semana com preços sustentados pela oferta ajustada de animais terminados e pelo ritmo das exportações. O Indicador Cepea/Esalq encerrou a sexta-feira (4) em R$ 347,70 por arroba, praticamente estável.

Em agosto, a média do indicador atingiu R$ 345,92 por arroba, avanço real de 9,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho confirma a recuperação do mercado pecuário, embora os frigoríficos continuem administrando cuidadosamente as escalas de abate.

O consumo doméstico moderado limita movimentos mais fortes. As exportações permanecem como o principal ponto de sustentação, especialmente diante da demanda da China e de outros mercados compradores.

Cotações no mercado físico brasileiro

ProdutoCotaçãoVariação
Soja no ParanáR$ 160,87/saca+0,46%
MilhoR$ 70,93/saca-0,18%
Café arábicaR$ 1.659,93/saca-0,74%
Boi gordo em São PauloR$ 347,70/arroba+0,03%
Açúcar cristalR$ 116,79/saca+0,59%
AlgodãoR$ 439,98+0,44%

Indicadores Cepea referentes ao fechamento de 4 de setembro.

Mercados internacionais

ProdutoReferência aproximadaTendência
Soja — novembro/ChicagoUS$ 13,16/bushelleve alta
Milho — dezembro/ChicagoUS$ 5,40/bushelestabilidade
Trigo — dezembro/ChicagoUS$ 7,51/bushelalta
Café arábica — Nova YorkUS$ 2,91/libra-pesoqueda
Petróleo Brentpróximo de US$ 99/barrilforte alta

Radar do agro

Petróleo próximo de US$ 100 aumenta a preocupação com diesel, fretes e insumos.
Soja permanece acima de US$ 13 em Chicago, apoiada pela demanda chinesa.
Câmbio favorece as exportações brasileiras, mas encarece insumos importados.
Milho encontra suporte na demanda por etanol e proteína animal.
Problemas logísticos no Mar Negro impulsionam as cotações do trigo.
Café recua em Nova York e acumula perdas no último mês.
Boi gordo permanece firme, sustentado pelas exportações e pela oferta ajustada.

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