Valorização do óleo de soja e do petróleo reforça o movimento de alta da oleaginosa, enquanto milho encontra sustentação e pecuária inicia setembro com expectativa de recuperação da arroba.
O mercado do agronegócio abre setembro com forte valorização da soja na Bolsa de Chicago. A piora das condições das lavouras norte-americanas, o risco climático para as próximas semanas e a alta do óleo de soja levaram o contrato com vencimento em novembro novamente à região de US$ 13 por bushel.
No Brasil, a reação internacional favorece a formação dos preços, mas o comportamento do dólar e a cautela dos compradores continuam determinantes para o ritmo dos negócios. O câmbio fechou agosto próximo de R$ 5,18, depois de acumular valorização de 2,22% no mês.
Soja sobe com risco climático nos Estados Unidos
Por volta das 8h02, o contrato de novembro da soja avançava 0,78% em Chicago, negociado a US$ 12,98 por bushel, depois de alcançar a máxima de US$ 13,06. Janeiro subia 0,75%, para US$ 13,13, enquanto março era cotado a US$ 13,18.
O relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostrou que 58% das lavouras estavam classificadas como boas ou excelentes, redução de dois pontos percentuais em relação à semana anterior.
A deterioração ocorre em uma fase decisiva para a definição da produtividade. As previsões de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em parte do cinturão agrícola norte-americano durante setembro ampliam o risco de perdas.
A soja recebe ainda o apoio da demanda dos Estados Unidos e da valorização do óleo, impulsionado pelo consumo do setor de biocombustíveis. A alta do petróleo Brent, acima de US$ 92 por barril, fortalece a competitividade das matérias-primas utilizadas na produção de combustíveis renováveis.
O USDA também elevou a estimativa de esmagamento da soja norte-americana na temporada 2026/2027, diante das margens favoráveis da indústria e do crescimento esperado para a demanda interna.
| Soja em Chicago | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Novembro de 2026 | US$ 12,98/bushel | +0,78% |
| Janeiro de 2027 | US$ 13,13/bushel | +0,75% |
| Março de 2027 | US$ 13,18/bushel | +0,71% |
| Maio de 2027 | US$ 13,22/bushel | +0,67% |
Dados atualizados por volta das 8h02.
Mercado brasileiro encontra preços mais firmes
No mercado interno, o Indicador da Soja Esalq/B3 em Paranaguá encerrou agosto em R$ 159,44 por saca, com pequena queda de 0,20% na sessão. Apesar do ajuste diário, os preços brasileiros acumulam recuperação expressiva nos últimos meses.
A referência média nacional calculada pelo Agrolink passou de aproximadamente R$ 113,58 por saca em junho para R$ 129,02 em agosto. Em algumas praças e condições de entrega, os valores já se aproximam ou superam R$ 160.
A combinação de Chicago acima de US$ 13, dólar na região de R$ 5,18 e demanda externa presente cria oportunidades de comercialização. Ainda assim, o produtor precisa observar os prêmios nos portos, os custos de armazenagem e o calendário de pagamentos antes de decidir pela venda.
Para a safra 2026/2027, o mercado começa a avaliar uma possível desaceleração na expansão da área plantada, especialmente nas regiões em que o custo financeiro e a aquisição de insumos pesam mais sobre a margem.
Milho encontra apoio, mas oferta brasileira limita altas

Os futuros do milho operam com valorização moderada em Chicago. O contrato para dezembro era negociado próximo de US$ 5,36 por bushel, com alta ao redor de 0,5%.
A redução da área plantada nos Estados Unidos, a piora de parte das lavouras e a demanda para produção de etanol oferecem sustentação. O USDA havia classificado 57% do milho norte-americano em condições boas ou excelentes na semana encerrada em 23 de agosto.
No Brasil, o encerramento da colheita da segunda safra amplia a disponibilidade do cereal e limita movimentos mais fortes de alta. Em sentido contrário, a demanda das indústrias de ração e a expansão da produção de etanol de milho reduzem a pressão provocada pela entrada da safra.
Os preços deverão continuar apresentando diferenças expressivas entre as regiões. Estados com maior oferta e dificuldades logísticas podem registrar valores mais fracos, enquanto áreas próximas às usinas e aos polos consumidores tendem a encontrar maior sustentação.
Café inicia setembro sob volatilidade
O café permanece sujeito a fortes oscilações. O mercado avalia os efeitos do clima sobre as próximas floradas brasileiras, os estoques internacionais e o avanço da comercialização da safra atual.
Depois de movimentos intensos registrados ao longo de agosto, os contratos podem passar por ajustes técnicos e realização de lucros. A irregularidade climática, entretanto, impede uma mudança clara para uma trajetória prolongada de queda.
Para o produtor brasileiro, o dólar continua funcionando como proteção parcial, mas os preços internos dependerão também da qualidade do grão, dos diferenciais pagos pelos compradores e da evolução das chuvas nas áreas produtoras de Minas Gerais e São Paulo.
Boi gordo inicia o mês com expectativa de recuperação
A pecuária começa setembro ainda com preços regionais irregulares, mas cresce a expectativa de recuperação da arroba durante o mês. A menor disponibilidade sazonal de animais terminados e a necessidade dos frigoríficos de recompor as escalas podem aumentar a competição pela matéria-prima.
Na segunda-feira, o boi gordo no Triângulo Mineiro estava cotado a R$ 331 à vista e R$ 335 a prazo. Em São Paulo, as referências alcançavam R$ 338 à vista e R$ 342 a prazo.
Para o chamado “boi China”, com os requisitos exigidos pelo mercado asiático, a referência a prazo era de R$ 344 em São Paulo e de R$ 340 em Minas Gerais.
O mercado futuro já indica preços mais elevados para os próximos meses. Na B3, contratos com vencimento em outubro, novembro e dezembro trabalham acima das referências observadas no mercado físico, refletindo a expectativa de menor oferta e melhora da demanda.
| Mercado físico do boi gordo | À vista | A prazo |
|---|---|---|
| Triângulo Mineiro | R$ 331/@ | R$ 335/@ |
| São Paulo | R$ 338/@ | R$ 342/@ |
| Goiás | R$ 326/@ | R$ 330/@ |
| Mato Grosso do Sul | R$ 339/@ | R$ 343/@ |
| Mato Grosso | R$ 321 a R$ 323/@ | R$ 325 a R$ 327/@ |
Referências da Scot Consultoria em 31 de agosto.
A demanda por animais jovens destinados às exportações poderá ganhar força na segunda quinzena de setembro, quando os frigoríficos começam a formar estoques para atender às cotas de exportação de 2027.
Petróleo caro traz efeitos opostos para o agro
A valorização do petróleo favorece o etanol, o biodiesel e as matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis, como óleo de soja, milho e cana-de-açúcar. Esse movimento pode ampliar a demanda e oferecer sustentação às cotações agrícolas.
O outro lado da moeda, e ela nunca vem sozinha, é o aumento dos custos. Petróleo mais caro pressiona diesel, fretes, fertilizantes, defensivos e operações mecanizadas. Se a alta persistir, parte do ganho obtido com as commodities poderá ser consumida pelas despesas de produção e transporte.
Fontes: Notícias Agrícolas/ CME Group/ Scot Consultoria/ Canal Rural/USDA
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