Mercados ignoram tensão no Oriente Médio e apostam em alta apesar do risco inflacionário

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Mesmo com a escalada das tensões no Oriente Médio, commodities agrícolas seguem relativamente estáveis, mas risco para custos de produção continua no radar.

Os mercados globais iniciam esta quinta-feira em um movimento que muitos analistas classificam como uma espécie de desconexão entre preços e realidade geopolítica. Apesar da reescalada das tensões no Oriente Médio e do impacto potencial sobre a inflação mundial, os futuros das bolsas americanas avançam, enquanto o petróleo recua após dias de forte volatilidade.

O comportamento dos investidores sugere uma mudança de postura diante do conflito. Após semanas acompanhando ameaças, retaliações e tentativas fracassadas de cessar-fogo, parte do mercado parece ter decidido concentrar suas atenções novamente nos fundamentos econômicos e na política monetária dos principais bancos centrais.

A questão é que os efeitos da crise energética ainda podem estar longe de terminar.

BCE pode inaugurar novo ciclo de aperto monetário

O principal evento do dia ocorre na Europa. O Banco Central Europeu (BCE) divulga sua decisão de política monetária sob expectativa de elevação dos juros.

Caso a alta seja confirmada, o BCE poderá se tornar o primeiro grande banco central do mundo a reagir diretamente aos impactos inflacionários provocados pela disparada recente do petróleo, associada às ameaças ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz que é uma das principais rotas globais de exportação de petróleo.

O mercado também acompanha com atenção a coletiva da presidente do BCE, Christine Lagarde, que poderá oferecer sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária europeia.

Nos Estados Unidos, a expectativa permanece concentrada no Federal Reserve. Embora investidores já considerem a possibilidade de uma nova alta de juros diante da pressão inflacionária, a maioria das apostas aponta para uma eventual decisão apenas nos últimos meses do ano.

Brasil acompanha o otimismo externo

O mercado brasileiro segue a mesma direção observada em Nova York.

O EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos que replica ações brasileiras, opera em alta no pré-mercado, indicando uma abertura positiva para os ativos domésticos.

O movimento ocorre mesmo após a aprovação, no Senado, de uma série de propostas com potencial impacto fiscal, conhecidas nos bastidores de Brasília como “pautas-bomba”. O avanço dessas matérias amplia as preocupações sobre o equilíbrio das contas públicas, mas, por enquanto, não parece alterar significativamente o humor dos investidores.

Além do cenário internacional, o mercado acompanha nesta quinta-feira a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços e do Índice de Preços ao Produtor (IPP), ambos publicados pelo IBGE.

Inflação segue no radar global

Outro destaque do dia será a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos.

O indicador é acompanhado de perto por investidores porque antecipa possíveis movimentos da inflação ao consumidor. Caso os números venham acima do esperado, poderão reforçar as apostas em uma postura mais dura do Federal Reserve nos próximos meses.

Também serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego, indicador considerado um importante termômetro da atividade econômica americana.

Mercados às 7h30

IndicadorVariação
S&P 500 Futuro+0,75%
Nasdaq Futuro+1,22%
Dow Jones Futuro+0,73%
Euro Stoxx 50-0,93%
FTSE 100 (Londres)+0,78%
DAX (Frankfurt)+0,23%
CAC 40 (Paris)+0,81%
CSI 300 (China)-0,55%
Hang Seng (Hong Kong)-0,65%
Nikkei (Japão)+0,06%
Petróleo BrentUS$ 92,19 (-0,98%)
Minério de FerroUS$ 101,50 (+0,04%)

Agenda econômica do dia

HorárioEvento
9h00Pesquisa Mensal de Serviços (IBGE)
9h00Índice de Preços ao Produtor – IPP (IBGE)
9h15Decisão de juros do BCE
9h45Coletiva de Christine Lagarde
9h30PPI dos Estados Unidos
9h30Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA

Fonte: B3/Ibovespa

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