Semicondutores voltam a pressionar os mercados globais

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Queda das fabricantes de chips na Ásia reacende dúvidas sobre os investimentos em inteligência artificial, enquanto petróleo recua e mercado aguarda inflação no Brasil e decisão do Federal Reserve.

Os mercados globais iniciam esta terça-feira (28), novamente pressionados pelas empresas de tecnologia. A forte desvalorização das fabricantes de semicondutores na Ásia contaminou os futuros do Nasdaq e trouxe de volta as dúvidas sobre o volume de recursos destinado à inteligência artificial, o retorno desses investimentos e a capacidade de novas concorrentes chinesas de disputar espaço em um setor até agora dominado por poucas empresas.

O movimento lembra a correção registrada há cerca de um mês, quando a queda das fabricantes coreanas também serviu de gatilho para uma liquidação mais ampla das ações de tecnologia. Desta vez, o temor ganhou força com os avanços da China na produção de chips e equipamentos, além das avaliações elevadas das companhias ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.

Na Coreia do Sul, Samsung Electronics e SK Hynix sofreram fortes perdas, arrastando o índice Kospi. A pressão também atingiu fabricantes de chips no Japão, em Taiwan, na Europa e no pré-mercado americano. Os futuros do Nasdaq recuavam 0,85%, enquanto o Dow Jones avançava, mostrando uma rotação dos investidores para setores menos expostos à tecnologia.

Petróleo perde força com trégua no Oriente Médio

A queda do petróleo oferece algum alívio ao mercado. O barril do Brent recuava 2,48%, negociado a US$ 86,17, após a interrupção temporária dos bombardeios entre Estados Unidos e Irã reduzir o prêmio de risco geopolítico.

O recuo pode ajudar a conter parte das pressões inflacionárias provocadas pelos combustíveis, mas a trajetória ainda permanece vulnerável às negociações diplomáticas e a qualquer retomada do conflito.

O presidente americano, Donald Trump, reúne-se nesta terça-feira com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Os encontros devem tratar separadamente das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, mantendo os investidores atentos a eventuais mudanças no cenário geopolítico.

Fed divide as atenções com a inteligência artificial

Embora os semicondutores dominem o pregão desta terça-feira, a principal referência da semana será a decisão de juros do Federal Reserve, prevista para quarta-feira.

Os investidores tentam calcular até que ponto o choque provocado pelo petróleo poderá afetar a inflação americana e alterar a condução da política monetária. Uma postura mais dura do banco central tende a pressionar especialmente as empresas de tecnologia, cujas avaliações dependem das expectativas de crescimento e do custo do capital.

A combinação entre juros elevados, investimentos bilionários em inteligência artificial e dúvidas sobre o retorno financeiro do setor tornou o mercado mais sensível. Qualquer sinal de desaceleração dos investimentos, avanço de concorrentes chineses ou aumento dos custos de financiamento pode provocar novas correções.

IPCA-15 e Petrobras movimentam o mercado brasileiro

No Brasil, o principal indicador do dia é o IPCA-15 de julho, divulgado pelo IBGE às 9h. A expectativa predominante é de alta próxima de 0,18%, abaixo dos 0,41% registrados em junho. Se confirmada, a desaceleração poderá reforçar a percepção de perda de força da inflação, especialmente com a queda de alguns preços de alimentos.

Antes disso, às 8h30, o Banco Central divulga as estatísticas do setor externo referentes a junho.

O mercado acompanha ainda o relatório de produção e vendas da Petrobras no segundo trimestre, previsto para depois do fechamento. O documento funciona como uma prévia operacional do balanço financeiro da estatal, programado para 6 de agosto.

A elevação dos preços dos combustíveis durante parte do trimestre e a procura por petróleo produzido fora das zonas diretamente afetadas pelo conflito podem ter favorecido a companhia. Entretanto, a queda atual do Brent poderá limitar o desempenho das ações no pregão.

O EWZ, fundo negociado em Nova York que representa uma carteira de ações brasileiras, recuava 0,67% antes da abertura. O sinal externo é de cautela para o Ibovespa, com possibilidade de pressão sobre empresas ligadas a commodities e alguma sustentação dos setores menos expostos à tecnologia.

Radar do investidor

Queda das fabricantes asiáticas de chips pressiona os futuros do Nasdaq.
Avanço tecnológico da China amplia o receio de concorrência no mercado de semicondutores.
Investidores questionam o retorno dos gastos bilionários com inteligência artificial.
Petróleo recua com a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã.
Decisão do Federal Reserve nesta quarta-feira poderá redefinir o apetite ao risco.
IPCA-15 deve indicar desaceleração da inflação brasileira em julho.
Petrobras divulga, após o fechamento, o relatório de produção e vendas do segundo trimestre.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
8h30Banco Central divulga as estatísticas do setor externo de junho
9hIBGE publica o IPCA-15 de julho
Durante o diaAtlasIntel divulga pesquisa de avaliação do governo e intenção de voto
Durante o diaDonald Trump recebe Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu
Após o fechamentoPetrobras divulga o relatório de produção e vendas do 2º trimestre

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500-0,13%
Futuros do Nasdaq-0,85%
Futuros do Dow Jones+0,24%
EWZ-0,67%

Dados registrados por volta das 7h22.

Europa

BolsaVariação
Euro Stoxx 50+0,30%
Londres — FTSE 100+0,68%
Frankfurt — DAX+0,58%
Paris — CAC 40+0,60%

Dados registrados por volta das 7h24.

Ásia

BolsaVariação
CSI 300 — China-2,83%
Hang Seng — Hong Kong+0,41%
Nikkei — Japão-3,95%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent-2,48%US$ 86,17 por barril
Minério de ferro-0,03%US$ 97,80

Dados registrados por volta das 7h26.

Fontes: BC/Reuters/Money Times/ Ibovespa

Leia também:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *