Endividamento cresce, mas inadimplência recua pelo segundo mês em São Paulo

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Pesquisa da FecomercioSP mostra que 74,8% das famílias paulistanas possuem dívidas; entre os lares de menor renda, quase um quarto está com contas atrasadas

São Paulo – O número de famílias endividadas na cidade de São Paulo aumentou em julho e alcançou o maior patamar desde novembro de 2022. Apesar disso, a proporção de lares com contas vencidas recuou pelo segundo mês consecutivo, indicando que parte dos consumidores ainda consegue administrar o crédito dentro dos limites do orçamento doméstico.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), 74,8% das famílias paulistanas possuíam algum tipo de dívida em julho. A taxa de inadimplência, por sua vez, caiu de 20,7%, em junho, para 20,2%.

Na comparação com julho de 2025, quando 22,1% dos lares tinham contas vencidas, a redução foi de 1,9 ponto percentual.

Famílias conseguem reduzir atrasos antigos

A melhora também aparece no tempo médio de atraso das dívidas, que passou de 66,1 dias, em junho, para 64,3 dias em julho.

A proporção de famílias com contas atrasadas há mais de 90 dias caiu de 53% para 50,4%. Para a FecomercioSP, os dados sugerem que parte dos consumidores conseguiu regularizar compromissos mais antigos, normalmente sujeitos a juros e encargos mais elevados.

A parcela média da renda comprometida com o pagamento de dívidas permaneceu praticamente estável, passando de 26% para 26,2%. Mesmo diante do aumento do endividamento, o indicador mostra que as famílias ainda mantêm algum controle sobre o peso das parcelas no orçamento.

Cartão de crédito concentra as dívidas

O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento. Ele foi citado por 80,2% das famílias paulistanas que possuíam dívidas em julho.

Na sequência aparecem o financiamento imobiliário, com 16,5%; o crédito pessoal, com 12,1%; e o financiamento de veículos, com 10,8%. O crédito consignado foi mencionado por 6,2% dos entrevistados.

A procura por crédito pessoal e consignado revela que parte das famílias busca alternativas com prazos definidos e, em alguns casos, juros menores. Entretanto, muitas dessas operações são utilizadas para manter o consumo de produtos básicos, funcionando como uma extensão temporária da renda.

Inadimplência pesa mais sobre os mais pobres

A pesquisa mostra que o endividamento e a inadimplência não atingem todas as faixas de renda da mesma maneira.

Entre as famílias que recebem menos de dez salários mínimos, 78,1% tinham alguma dívida em julho. Nos lares com renda superior a esse patamar, a proporção era de 65,4%.

A diferença é ainda maior quando são consideradas apenas as contas vencidas. A inadimplência atingia 24,6% das famílias de menor renda, enquanto entre os lares mais abastados o índice era de 9%, uma distância de 15,6 pontos percentuais.

Além disso, 10,5% das famílias com renda inferior a dez salários mínimos afirmaram não ter condições de quitar as dívidas vencidas.

O resultado evidencia a maior exposição dos consumidores de baixa renda aos efeitos dos juros elevados e da alta dos preços, especialmente de alimentos e outros itens essenciais.

Crédito funciona como amortecedor do orçamento

Na avaliação da FecomercioSP, as famílias paulistanas continuam utilizando o crédito como uma espécie de amortecedor para preservar o consumo mensal e enfrentar o aumento do custo de vida.

A inadimplência consegue recuar, mesmo com a ampliação do endividamento, porque o mercado de trabalho permanece aquecido e sustenta parte da capacidade de pagamento. O cenário, porém, exige cautela: a dependência crescente do cartão e de outras linhas de crédito pode comprometer os orçamentos caso haja deterioração do emprego, nova pressão inflacionária ou manutenção prolongada dos juros elevados.

Fonte: Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da FecomercioSP.

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