Fed e balanços de Meta e Microsoft concentram as atenções do mercado

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Investidores aguardam a decisão de juros nos Estados Unidos e cobram resultados concretos dos investimentos bilionários em inteligência artificial; Petrobras pode sustentar o Ibovespa após produção recorde.

Os mercados internacionais operam com cautela nesta quarta-feira (29), diante de uma agenda capaz de redefinir o comportamento dos ativos globais. O Federal Reserve anuncia sua decisão de juros à tarde, enquanto Meta e Microsoft divulgam seus resultados trimestrais depois do fechamento de Wall Street.

Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq registravam alta moderada pela manhã, enquanto o Dow Jones recuava. No Brasil, o EWZ, fundo que reúne ações brasileiras negociadas em Nova York, avançava 0,44%, beneficiado principalmente pela valorização dos papéis da Petrobras.

O cenário combina três forças importantes: o risco de juros mais elevados nos Estados Unidos, a cobrança por retorno dos gastos com inteligência artificial e a nova escalada do petróleo, que voltou a ser negociado perto de US$ 88 por barril.

Fed enfrenta decisão mais incerta

A expectativa predominante é de que o Federal Reserve mantenha os juros americanos no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. A possibilidade de elevação de 0,25 ponto percentual, entretanto, permanece relevante.

A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava pela manhã aproximadamente 70% de probabilidade de manutenção e perto de 30% de chance de aumento imediato. Mais importante do que a decisão será a entrevista do presidente do Fed, Kevin Warsh, marcada para as 15h30.

Os investidores procurarão sinais sobre uma possível elevação em setembro, especialmente diante da persistência da inflação, da valorização do petróleo e dos efeitos das tarifas comerciais sobre os preços.

O Fed enfrenta uma equação delicada. Se mantiver os juros sem adotar um discurso firme, poderá alimentar dúvidas sobre seu compromisso com o controle inflacionário. Se sinalizar alta próxima, poderá pressionar ações, títulos, moedas emergentes e o financiamento das empresas.

A proximidade das eleições legislativas americanas também amplia a sensibilidade política da decisão. Uma elevação de juros antes do pleito poderá provocar novos questionamentos da Casa Branca, mas o banco central precisa preservar sua independência e credibilidade.

Meta e Microsoft enfrentam o teste da inteligência artificial

Depois do fechamento de Wall Street, Meta e Microsoft apresentam seus resultados do segundo trimestre. O mercado não observará apenas receita e lucro: os investimentos em inteligência artificial estarão no centro das avaliações.

As grandes empresas de tecnologia gastaram centenas de bilhões de dólares na construção de centros de dados, aquisição de chips e expansão da capacidade computacional. Agora, os investidores querem saber quando essa estrutura começará a produzir retorno financeiro compatível com os recursos mobilizados.

Na Microsoft, as atenções estarão concentradas no crescimento da plataforma Azure e na adoção empresarial das ferramentas de inteligência artificial. O mercado de opções indica que o balanço poderá provocar uma oscilação de aproximadamente 6,6% nas ações da companhia, equivalente a cerca de US$ 190 bilhões em valor de mercado.

No caso da Meta, o desempenho da publicidade digital será confrontado com o aumento das despesas em infraestrutura. A companhia possui forte geração de caixa, mas integra o grupo de empresas cuja expansão acelerada dos investimentos e das emissões de dívida começou a despertar preocupação no mercado de crédito.

A régua mudou: promessas de liderança tecnológica já não bastam. Wall Street quer monetização, crescimento de receita e evidências de que a inteligência artificial será capaz de financiar sua própria expansão.

Petrobras bate recordes operacionais

No Brasil, a Petrobras poderá oferecer sustentação ao Ibovespa depois de apresentar números operacionais fortes no segundo trimestre.

A produção própria de petróleo, líquidos de gás natural e gás natural alcançou o recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025. A produção de derivados chegou a 1,918 milhão de barris diários, avanço de 10,9%.

A companhia também operou suas refinarias com utilização média de 101,2% da capacidade e reduziu em 85,2% as importações de diesel. As exportações totais cresceram 41% na comparação anual.

Os resultados refletem a entrada e o aumento da produção de novas plataformas, o avanço do pré-sal e a intensificação das operações de refino. A guerra no Oriente Médio e as restrições logísticas no Estreito de Ormuz reforçaram a estratégia de reduzir a dependência de derivados importados, mas não explicam sozinhas o desempenho recorde da companhia.

O balanço financeiro completo da Petrobras está previsto para 6 de agosto.

Inflação abaixo do esperado favorece mercado brasileiro

O ambiente doméstico também recebe apoio do IPCA-15 divulgado na terça-feira. A prévia da inflação registrou alta de apenas 0,06% em julho, bem abaixo das projeções próximas de 0,20%.

Em 12 meses, o índice desacelerou para 4,52%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, mas reforçando a expectativa de que o Banco Central brasileiro poderá iniciar a redução da Selic.

Esse alívio, porém, poderá ser parcialmente neutralizado por uma eventual postura mais dura do Federal Reserve. Juros americanos mais altos fortalecem o dólar, reduzem a atratividade dos mercados emergentes e limitam o espaço para cortes mais rápidos no Brasil.

Radar do investidor

Fed deve manter os juros, mas possibilidade de alta imediata ainda ronda 30%.
Discurso de Kevin Warsh poderá sinalizar aumento dos juros em setembro.
Meta e Microsoft precisam demonstrar retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Mercado de opções projeta forte oscilação para as ações da Microsoft.
Petrobras registra produção recorde e reduz importações de diesel.
IPCA-15 de 0,06% reforça as expectativas de redução da Selic.
Petróleo volta a subir e recoloca o risco inflacionário no radar.
Santander Brasil reportou lucro de R$ 3,01 bilhões, abaixo das expectativas do mercado.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
8hDario Durigan concede entrevista à rádio Capital FM
11h30Estados Unidos divulgam os estoques semanais de petróleo
14h30Banco Central divulga o fluxo cambial semanal
14h30Tesouro Nacional apresenta o Relatório Mensal da Dívida Pública de junho
15hFederal Reserve anuncia a decisão de juros
15h30Kevin Warsh concede entrevista coletiva
18h30Lula participa da convenção nacional do PSB

Balanços

PeríodoEmpresas
Antes da aberturaSantander Brasil, Airbus e Procter & Gamble
Depois do fechamentoMotiva, Meta, Microsoft e Qualcomm

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500+0,24%
Futuros do Nasdaq+0,32%
Futuros do Dow Jones-0,24%
EWZ+0,44%

Dados registrados por volta das 7h26.

Europa

BolsaVariação
Euro Stoxx 50-0,50%
Londres — FTSE 100+0,12%
Frankfurt — DAX-0,28%
Paris — CAC 40-0,71%

Dados registrados por volta das 7h27.

Ásia

BolsaVariação
CSI 300 — China+0,67%
Hang Seng — Hong Kong+1,96%
Nikkei — Japão-1,49%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+4,42%US$ 87,81 por barril
Minério de ferro+0,11%US$ 97,95

Dados registrados por volta das 7h28.

Fontes: IBGE/Focus/Reuters/

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