Escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã leva o Brent novamente acima de US$ 90, mas o recuo durante a manhã permite uma recuperação cautelosa dos mercados globais.
O petróleo voltou a testar os nervos dos investidores nesta segunda-feira, 20 de julho. O barril do Brent ultrapassou os US$ 90 nas primeiras negociações da semana, refletindo o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e os novos ataques na região do Estreito de Ormuz.
A escalada ocorreu após o fim do cessar-fogo e a retomada dos bombardeios, que chegaram ao nono dia. O conflito já compromete há quase cinco meses a circulação de navios pelo estreito, uma das rotas mais estratégicas para o abastecimento mundial de petróleo e gás.
A reação inicial foi forte porque o mercado teme uma interrupção ainda maior da oferta. O Brent acumulou valorização de aproximadamente 14% na semana passada e chegou novamente a superar os US$ 90 nesta segunda-feira. Ao longo da manhã, porém, perdeu força e passou a operar perto de US$ 88, reduzindo parte da pressão sobre os ativos de risco. O conflito e as restrições à navegação continuam mantendo o mercado de energia em estado de alerta.
Petróleo caro volta a ameaçar a inflação
A permanência do petróleo em patamares elevados pode alterar as projeções de inflação e de juros em diferentes economias. Combustíveis mais caros afetam diretamente o transporte, a indústria, a produção agrícola e o preço final dos alimentos e das mercadorias.
Para o Brasil, o movimento pode favorecer as ações de empresas exportadoras de petróleo, especialmente a Petrobras, mas também aumenta a preocupação com os preços dos combustíveis, o custo do frete e a inflação. Além disso, a combinação entre petróleo valorizado e instabilidade geopolítica costuma fortalecer o dólar, acrescentando pressão sobre os custos internos.
O recuo do Brent durante a manhã, portanto, trouxe algum alívio, mas não eliminou o risco. O petróleo está sendo negociado muito mais pelas notícias sobre o conflito e sobre o Estreito de Ormuz do que pelos fundamentos tradicionais de oferta e demanda.
Inteligência artificial volta ao centro de Wall Street
Apesar da tensão no Oriente Médio, os futuros das bolsas americanas iniciaram a segunda-feira em alta. O Nasdaq apresentou o melhor desempenho, sustentado pela expectativa em torno dos resultados financeiros das grandes empresas de tecnologia.
Alphabet, controladora do Google, e Tesla estão entre as companhias que divulgarão seus balanços nesta semana. O mercado buscará sinais de que os investimentos bilionários em inteligência artificial continuam produzindo crescimento de receita, ganho de produtividade e perspectivas concretas de retorno.
Intel e IBM também estão no calendário. Os balanços serão particularmente importantes após a forte correção recente das empresas de semicondutores e de outros ativos relacionados à inteligência artificial. O índice de semicondutores da Filadélfia acumulou queda próxima de 20%, aumentando a cobrança por resultados capazes de justificar as avaliações elevadas do setor. Reuters
O comportamento dos futuros indica uma tentativa de recuperação, mas não uma mudança definitiva de tendência. Qualquer frustração nos balanços ou nova escalada militar poderá devolver rapidamente a volatilidade aos mercados.
Europa avança, com exceção de Londres
As principais bolsas europeias operam em alta, acompanhando a recuperação dos futuros americanos. Londres é a exceção, pressionada também pela transição política no Reino Unido.
Keir Starmer deixa o cargo de primeiro-ministro e será sucedido por Andy Burnham, escolhido como novo líder do Partido Trabalhista. A posse ocorre sem eleição nacional, de acordo com o sistema parlamentar britânico. O mercado acompanhará a formação do novo gabinete e as primeiras indicações sobre política fiscal, investimentos e crescimento econômico. Associated Press
Ásia fecha com forte valorização
Na Ásia, as bolsas chinesas encerraram o pregão com ganhos expressivos. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou mais de 2%, enquanto o CSI 300, que reúne empresas negociadas em Xangai e Shenzhen, subiu 1,35%.
A Bolsa de Tóquio permaneceu fechada em razão de feriado nacional, conforme o calendário oficial da Japan Exchange Group. JPX
Brasil acompanha Focus e cenário externo
No Brasil, a atenção se volta para o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, com as novas projeções do mercado para inflação, Produto Interno Bruto, câmbio e taxa Selic. Banco Central
O EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, avançava 0,15% no começo da manhã, sinalizando uma abertura moderadamente positiva para o mercado doméstico.
A tendência do Ibovespa, contudo, dependerá da combinação entre petróleo, comportamento do dólar, reação das ações da Petrobras e percepção internacional de risco. O mercado começa a semana otimista, mas ainda sob o som dos bombardeios.

Futuros de Wall Street
| Índice | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | +0,31% |
| Nasdaq | +0,56% |
| Dow Jones | +0,26% |
| EWZ — Brasil em Nova York | +0,15% |
Dados apurados às 7h28.
Agenda econômica e política
| Horário | Evento |
|---|---|
| 3h | Alemanha divulga o PPI de junho |
| 8h25 | Banco Central publica o Boletim Focus |
| 10h | Lula sanciona o projeto que institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde |
| Durante o dia | Andy Burnham assume o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido |
Mercados internacionais
Estados Unidos
| Indicador | Variação |
|---|---|
| Futuros do S&P 500 | +0,31% |
| Futuros do Nasdaq | +0,56% |
| Futuros do Dow Jones | +0,26% |
Europa
| Bolsa | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | +0,21% |
| Londres — FTSE 100 | -0,42% |
| Frankfurt — DAX | +0,26% |
| Paris — CAC 40 | +0,26% |
Dados apurados às 7h29.
Ásia
| Bolsa | Variação |
|---|---|
| China — CSI 300 | +1,35% |
| Hong Kong — Hang Seng | +2,36% |
| Japão — Nikkei | Feriado |
Commodities
| Produto | Variação | Cotação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | +0,03% | US$ 88,13 por barril |
| Minério de ferro | -0,80% | US$ 99,40 |
Dados apurados às 7h30.
Fonte: Financial Times/REuters/B3/BC
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