Petróleo acima de US$ 100 muda o jogo para o agro e eleva custos da safra

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Soja inicia o dia com ganhos moderados em Chicago, boi gordo mantém contratos acima de R$ 380 para o fim do ano e alta da energia favorece biocombustíveis, mas ameaça fretes, fertilizantes e margens no campo.

O mercado agropecuário começa esta quarta-feira (9), dividido entre a valorização de algumas commodities e uma nova ameaça aos custos de produção. O petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 por barril com o agravamento do conflito no Oriente Médio, criando um cenário que poderá beneficiar os biocombustíveis, mas também encarecer diesel, fretes, fertilizantes, defensivos e operações mecanizadas.

Nos grãos, a soja apresenta ganhos moderados na Bolsa de Chicago, sustentada pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos e pela cautela dos investidores antes da divulgação das novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No Brasil, o início do plantio da safra 2026/2027 mantém as atenções voltadas para as chuvas, os custos dos insumos, o crédito rural e o momento adequado para a comercialização.

Soja avança com clima, demanda e USDA no radar

O contrato da soja para novembro, principal referência para a nova safra norte-americana, operava próximo de US$ 13,19 por bushel, com leve valorização. Janeiro era negociado a US$ 13,35 e março, a US$ 13,41.

O mercado encontra sustentação nas incertezas sobre a produtividade das lavouras dos Estados Unidos. O USDA informou que 58% da soja norte-americana permanece em condições boas ou excelentes. Embora o índice ainda indique uma safra relevante, problemas pontuais provocados pelo clima mantêm dúvidas sobre o rendimento final.

A proximidade do novo relatório do USDA reduz a disposição dos investidores para movimentos mais intensos. O mercado deseja saber se o órgão revisará as estimativas de produtividade e produção dos Estados Unidos diante das condições observadas nas últimas semanas.

Soja em ChicagoCotaçãoVariação
Setembro/2026US$ 13,01/bushel-1,25 ponto
Novembro/2026US$ 13,19/bushel+2,75 pontos
Janeiro/2027US$ 13,34/bushel+2,50 pontos
Março/2027US$ 13,41/bushel+2,75 pontos

No mercado físico brasileiro, a soja apresenta grandes diferenças regionais. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a saca estava cotada em aproximadamente R$ 148,85, com alta de 0,19%. No Paraná, o indicador Cepea encerrou nesta terça-feira em R$ 160,46 por saca, com queda de 0,25%.

A desvalorização do dólar, que fechou perto de R$ 5,09, limita parte da alta transmitida por Chicago aos preços domésticos. Para o produtor brasileiro, a conta não depende apenas da bolsa internacional: câmbio, prêmio nos portos, frete e distância dos centros compradores continuam decisivos.

Milho recua, mas demanda interna limita as perdas

O milho encerrou a terça-feira em movimento de correção, tanto em Chicago quanto na B3. No mercado brasileiro, o contrato com vencimento em setembro ficou próximo de R$ 71,19 por saca, enquanto o indicador Cepea terminou em R$ 70,90.

Apesar da pressão de curto prazo, o cereal mantém fatores de sustentação. O USDA informou que 56% das lavouras norte-americanas estão em condições boas ou excelentes e que a colheita chegou a 5% da área. O mercado também acompanha possíveis perdas pontuais de produtividade no Meio-Oeste.

No Brasil, a demanda para ração e, principalmente, para a produção de etanol impede quedas mais acentuadas. O petróleo acima de US$ 100 melhora a competitividade econômica dos biocombustíveis e poderá ampliar o interesse das usinas pelo milho.

Esse efeito, porém, possui dois lados. O fortalecimento do etanol aumenta a demanda pelo cereal, mas a alta da energia também encarece o transporte da produção e os insumos utilizados na próxima safra.

Café abre praticamente estável em Nova York

O café arábica iniciou o pregão com leve valorização. O contrato para dezembro era negociado próximo de 291,40 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 0,03%.

No mercado físico brasileiro, o indicador Cepea encerrou a terça-feira em R$ 1.635,57 por saca, recuo de 1,47%. A diferença entre o comportamento da bolsa e o mercado interno reflete ajustes recentes, câmbio e condições específicas de oferta e qualidade do produto.

Os investidores continuam acompanhando o clima nas regiões produtoras brasileiras, especialmente a regularidade das chuvas para o desenvolvimento da próxima safra. A volatilidade deverá permanecer elevada enquanto não houver uma definição mais clara sobre o potencial produtivo.

Boi gordo mantém trajetória firme nos contratos futuros

O mercado futuro do boi gordo voltou a registrar valorização na B3. O contrato para setembro encerrou a terça-feira a R$ 362,30 por arroba, alta de 0,95%. Outubro avançou para R$ 377,50, enquanto novembro e dezembro superaram R$ 382.

Boi gordo na B3FechamentoVariação
Setembro/2026R$ 362,30/@+0,95%
Outubro/2026R$ 377,50/@+0,83%
Novembro/2026R$ 382,40/@+1,07%
Dezembro/2026R$ 382,50/@+0,92%
Janeiro/2027R$ 383,65/@+0,75%

Os contratos indicam expectativa de oferta mais restrita e preços firmes no último trimestre. Entretanto, existe uma diferença superior a R$ 30 entre algumas posições futuras e o indicador do mercado físico, que encerrou a terça-feira em R$ 348,35 por arroba.

Essa distância cria oportunidades de proteção de preços, mas exige cautela. O desempenho da carne bovina dependerá da demanda doméstica, das exportações e do comportamento dos frigoríficos nas compras.

Açúcar e algodão avançam com energia valorizada

O açúcar operava em alta de 1,38% em Nova York, a 18,35 centavos de dólar por libra-peso. O mercado recebe apoio do petróleo mais caro, que poderá estimular as usinas a direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol.

O algodão também avançava, com alta de 1,21%, negociado a 83,64 centavos de dólar por libra-peso. Além do comportamento do petróleo, o mercado acompanha as condições das lavouras norte-americanas e a demanda internacional.

Os preços internacionais dos alimentos subiram, em média, 2,2% em agosto, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O açúcar apresentou o maior avanço mundial, de 12%, enquanto, no Brasil, a alta chegou a 24%, conforme dados da FAO e do Cepea.

Petróleo poderá pressionar a margem do produtor

A alta do petróleo é o principal fator externo para o agro nesta quarta-feira. Se o Brent permanecer acima de US$ 100, o impacto poderá alcançar praticamente toda a cadeia produtiva.

O diesel representa uma parcela importante do custo de plantio, colheita e transporte. Fertilizantes nitrogenados dependem diretamente do preço da energia, enquanto defensivos, plásticos, embalagens e outros insumos utilizam derivados do petróleo em sua produção.

O efeito não é imediato nem uniforme. Estoques, contratos antecipados e a política de preços dos combustíveis poderão amortecer parte da pressão. Ainda assim, o produtor que inicia a safra 2026/2027 deverá revisar custos e proteger margens, especialmente em operações com elevada dependência de insumos importados.

Cotações do agro

ProdutoReferênciaCotaçãoVariação
SojaChicago — novembro/2026US$ 13,19/bushelLeve alta
SojaTriângulo Mineiro/Alto ParanaíbaR$ 148,85/saca+0,19%
MilhoCepeaR$ 70,90/saca-0,04%
Café arábicaNova York — dezembro/2026291,40 cents/libra+0,03%
Café arábicaCepeaR$ 1.635,57/saca-1,47%
Boi gordoCepea — média de SPR$ 348,35/@+0,19%
AçúcarNova York — outubro/202618,35 cents/libra+1,38%
AlgodãoNova York — outubro/202683,64 cents/libra+1,21%

Fontes: CME Group/B3/Notícias Agrícolas/Reuters

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