Geadas ameaçam culturas no Sul e no Sudeste, baixa umidade preocupa produtores no Brasil central e valorização de soja, milho e trigo melhora o ambiente de comercialização.
O agronegócio começa esta segunda-feira, 20 de julho, dividido entre os riscos do clima e a recuperação das principais commodities agrícolas no mercado internacional. Enquanto o frio, a possibilidade de geadas e as chuvas intensas preocupam produtores do Sul, a falta de precipitação e a baixa umidade do ar avançam sobre áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.
No mercado, soja e milho apresentam valorização, favorecidos pelo aumento do petróleo, pelas incertezas geopolíticas e pela maior demanda potencial por biocombustíveis. O trigo também acumula forte alta no mês, impulsionado pelos ataques a embarcações na região do Mar Negro e pelos riscos ao escoamento da produção da Rússia e da Ucrânia.
O resultado é um cenário de preços mais firmes, mas também de custos elevados. O petróleo próximo de US$ 90 por barril encarece fertilizantes, defensivos, transporte e operações mecanizadas. O produtor pode receber mais pela commodity e, ao mesmo tempo, pagar mais para produzir. É o velho abraço do mercado: aperta dos dois lados.
Frio e geadas exigem atenção no Sul e no Sudeste
O frio permanece entre os principais riscos para as lavouras. O Instituto Nacional de Meteorologia registrou, ao longo de julho, sucessivos episódios de queda acentuada das temperaturas e condições para geada em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais.
Entre as culturas mais vulneráveis estão café, trigo, hortaliças, frutas, pastagens e lavouras de milho ainda em desenvolvimento. No café, o risco não se limita aos frutos que ainda estão nas plantas. Geadas mais fortes podem atingir folhas, ramos e gemas produtivas, comprometendo parte do potencial da próxima safra.
Para o trigo, o frio moderado pode ser favorável em determinadas fases, mas a combinação de geada intensa, chuva excessiva e elevada umidade aumenta o risco de danos fisiológicos e doenças. Nas áreas de pecuária, a queda das temperaturas também reduz o crescimento das pastagens e amplia a necessidade de suplementação alimentar.
Brasil central enfrenta seca e baixa umidade
No Centro-Oeste, interior do Sudeste e áreas do Matopiba, julho consolida o período seco. A ausência de chuva facilita a colheita do milho segunda safra e algumas operações de campo, mas reduz rapidamente a umidade do solo e eleva o risco de incêndios.
O Inmet mantém avisos de baixa umidade para esta segunda-feira em áreas do interior brasileiro. A combinação entre solo seco, vento e vegetação desidratada exige atenção redobrada com queimadas, máquinas agrícolas, redes elétricas e armazenamento de materiais inflamáveis.
Para o milho safrinha que já atingiu a maturação, o tempo firme favorece a colheita. Nas lavouras plantadas mais tarde, porém, a falta de água pode acelerar a perda de umidade das plantas e limitar o enchimento dos grãos.
Em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, a estiagem também interfere na cafeicultura. O tempo seco ajuda na colheita e na secagem dos grãos, mas a baixa disponibilidade hídrica por período prolongado pode prejudicar a recuperação das plantas e a preparação para a florada da próxima temporada.
Chuva beneficia algumas áreas, mas aumenta riscos no Sul
O comportamento das chuvas permanece desigual. A previsão climática do Inmet para julho aponta volumes acima da média em áreas das regiões Sul e Norte, enquanto partes do Norte, Nordeste e Sudeste podem registrar precipitações abaixo da média histórica.
No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a passagem frequente de frentes frias favorece chuvas, temporais, granizo e rajadas de vento. A umidade beneficia reservatórios, pastagens e culturas de inverno, mas o excesso dificulta a entrada de máquinas, compromete a aplicação de insumos e pode aumentar a incidência de doenças nas lavouras.
No leste do Nordeste, as chuvas ajudam canaviais, pastagens e culturas permanentes. Já no interior da região, a distribuição continua irregular. Na faixa Norte, os maiores volumes permanecem concentrados principalmente em áreas amazônicas. Previsão climática do Inmet

Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do INMET para o mês de julho de 2026.
Soja e milho avançam em Chicago
A soja opera próxima de US$ 12,21 por bushel, com valorização de aproximadamente 1,38% nesta segunda-feira. Em 30 dias, o avanço chega a 9,45%, enquanto a alta acumulada em 12 meses supera 20%.
O movimento reflete a combinação entre demanda, riscos climáticos nos Estados Unidos, petróleo valorizado e expectativa de maior consumo de óleo de soja para a produção de biocombustíveis. Para o Brasil, o ganho em Chicago pode melhorar os preços internos, especialmente se acompanhado de valorização do dólar.
O milho sobe cerca de 1,45% no dia e acumula ganho próximo de 9,65% em um mês. A cotação internacional também recebe apoio do setor de etanol, das incertezas climáticas no Hemisfério Norte e do aumento dos custos energéticos. Cotações internacionais de soja e milho
No mercado brasileiro, entretanto, a entrada da segunda safra amplia a oferta e pode limitar a transmissão imediata das altas externas. Frete, capacidade de armazenamento e ritmo das exportações serão determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas.
Trigo lidera a valorização mensal entre os principais grãos
O trigo apresenta estabilidade nesta segunda-feira, mas acumula alta superior a 14% em 30 dias e aproximadamente 26% em 12 meses. É uma das commodities agrícolas com melhor desempenho recente.
A valorização ganhou força com os ataques a embarcações no Mar Negro e o receio de interrupções nas exportações da Rússia e da Ucrânia. Os dois países ocupam posição estratégica no comércio mundial do cereal. Além disso, a redução da estimativa para a safra americana aumentou a percepção de menor disponibilidade global.
O movimento merece atenção no Brasil porque o país ainda depende de importações para complementar o abastecimento. Trigo internacional mais caro, combinado com dólar e frete elevados, pode aumentar os custos da indústria de farinha, massas, biscoitos e panificação.
Café recua no dia, mas acumula forte alta no mês
O café arábica apresenta pequena queda nesta segunda-feira, negociado próximo de 320 centavos de dólar por libra-peso. A correção diária, entretanto, não altera a tendência recente: a commodity acumula valorização próxima de 20% em 30 dias.
O mercado permanece sensível ao frio no Brasil, às condições das lavouras e às estimativas para a produção. Em território brasileiro, o tempo seco favorece a colheita, mas as geadas e a falta prolongada de umidade mantêm o risco climático elevado. Mercado internacional do café

Fonte: Trade Econonômics
Açúcar recua apesar do petróleo valorizado
O açúcar opera em queda moderada, ao redor de 14,78 centavos de dólar por libra-peso. No mês, contudo, ainda acumula alta próxima de 6,8%.
O petróleo caro costuma favorecer o açúcar porque torna o etanol mais competitivo e pode estimular as usinas brasileiras a destinar uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível. Menor fabricação de açúcar tende a restringir a oferta e sustentar os preços.
Por outro lado, o avanço da colheita no Centro-Sul brasileiro e a expectativa de maior disponibilidade global impedem uma valorização mais forte. Mercado internacional do açúcar
Cacau lidera as perdas do dia
Entre as commodities agrícolas pesquisadas, o cacau apresenta a maior queda nesta segunda-feira, com recuo de aproximadamente 1,64%. Mesmo assim, acumula valorização próxima de 18% em 30 dias.
Na comparação anual, o produto ainda registra desvalorização superior a 33%, mostrando como permanece distante dos recordes observados em 2024. O mercado continua extremamente volátil, influenciado pelas condições das lavouras na África Ocidental, pelos estoques reduzidos e pela reação da demanda aos preços elevados. Mercado internacional do cacau
Desempenho das commodities agrícolas
| Commodity | Cotação aproximada | Variação no dia | Em 30 dias | Tendência |
|---|---|---|---|---|
| Aveia | 351,22 cents/bushel | +2,62% | +15,63% | Alta |
| Algodão | 79,84 cents/libra | +1,53% | +0,54% | Alta moderada |
| Milho | 451,20 cents/bushel | +1,45% | +9,65% | Alta |
| Soja | 1.221,15 cents/bushel | +1,38% | +9,45% | Alta |
| Trigo | 682,92 cents/bushel | +0,02% | +14,30% | Estável no dia, forte no mês |
| Arroz | US$ 14,01/cwt | -0,07% | +12,30% | Pequena correção |
| Café | 319,97 cents/libra | -0,10% | +19,84% | Correção após forte alta |
| Açúcar | 14,78 cents/libra | -0,36% | +6,77% | Baixa no dia |
| Cacau | US$ 5.442,49/tonelada | -1,64% | +17,78% | Maior queda do dia |
Valores internacionais apurados durante a manhã de 20 de julho e sujeitos a alterações ao longo do pregão.

Fonte: Inmet/trade economics, B3/ Mapa
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