Frio, seca e chuva irregular mantêm o agro em alerta, enquanto grãos avançam no mercado internacional

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Geadas ameaçam culturas no Sul e no Sudeste, baixa umidade preocupa produtores no Brasil central e valorização de soja, milho e trigo melhora o ambiente de comercialização.

O agronegócio começa esta segunda-feira, 20 de julho, dividido entre os riscos do clima e a recuperação das principais commodities agrícolas no mercado internacional. Enquanto o frio, a possibilidade de geadas e as chuvas intensas preocupam produtores do Sul, a falta de precipitação e a baixa umidade do ar avançam sobre áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.

No mercado, soja e milho apresentam valorização, favorecidos pelo aumento do petróleo, pelas incertezas geopolíticas e pela maior demanda potencial por biocombustíveis. O trigo também acumula forte alta no mês, impulsionado pelos ataques a embarcações na região do Mar Negro e pelos riscos ao escoamento da produção da Rússia e da Ucrânia.

O resultado é um cenário de preços mais firmes, mas também de custos elevados. O petróleo próximo de US$ 90 por barril encarece fertilizantes, defensivos, transporte e operações mecanizadas. O produtor pode receber mais pela commodity e, ao mesmo tempo, pagar mais para produzir. É o velho abraço do mercado: aperta dos dois lados.

Frio e geadas exigem atenção no Sul e no Sudeste

O frio permanece entre os principais riscos para as lavouras. O Instituto Nacional de Meteorologia registrou, ao longo de julho, sucessivos episódios de queda acentuada das temperaturas e condições para geada em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e sul de Minas Gerais.

Entre as culturas mais vulneráveis estão café, trigo, hortaliças, frutas, pastagens e lavouras de milho ainda em desenvolvimento. No café, o risco não se limita aos frutos que ainda estão nas plantas. Geadas mais fortes podem atingir folhas, ramos e gemas produtivas, comprometendo parte do potencial da próxima safra.

Para o trigo, o frio moderado pode ser favorável em determinadas fases, mas a combinação de geada intensa, chuva excessiva e elevada umidade aumenta o risco de danos fisiológicos e doenças. Nas áreas de pecuária, a queda das temperaturas também reduz o crescimento das pastagens e amplia a necessidade de suplementação alimentar.

Brasil central enfrenta seca e baixa umidade

No Centro-Oeste, interior do Sudeste e áreas do Matopiba, julho consolida o período seco. A ausência de chuva facilita a colheita do milho segunda safra e algumas operações de campo, mas reduz rapidamente a umidade do solo e eleva o risco de incêndios.

O Inmet mantém avisos de baixa umidade para esta segunda-feira em áreas do interior brasileiro. A combinação entre solo seco, vento e vegetação desidratada exige atenção redobrada com queimadas, máquinas agrícolas, redes elétricas e armazenamento de materiais inflamáveis.

Para o milho safrinha que já atingiu a maturação, o tempo firme favorece a colheita. Nas lavouras plantadas mais tarde, porém, a falta de água pode acelerar a perda de umidade das plantas e limitar o enchimento dos grãos.

Em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, a estiagem também interfere na cafeicultura. O tempo seco ajuda na colheita e na secagem dos grãos, mas a baixa disponibilidade hídrica por período prolongado pode prejudicar a recuperação das plantas e a preparação para a florada da próxima temporada.

Chuva beneficia algumas áreas, mas aumenta riscos no Sul

O comportamento das chuvas permanece desigual. A previsão climática do Inmet para julho aponta volumes acima da média em áreas das regiões Sul e Norte, enquanto partes do Norte, Nordeste e Sudeste podem registrar precipitações abaixo da média histórica.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a passagem frequente de frentes frias favorece chuvas, temporais, granizo e rajadas de vento. A umidade beneficia reservatórios, pastagens e culturas de inverno, mas o excesso dificulta a entrada de máquinas, compromete a aplicação de insumos e pode aumentar a incidência de doenças nas lavouras.

No leste do Nordeste, as chuvas ajudam canaviais, pastagens e culturas permanentes. Já no interior da região, a distribuição continua irregular. Na faixa Norte, os maiores volumes permanecem concentrados principalmente em áreas amazônicas. Previsão climática do Inmet

Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do INMET para o mês de julho de 2026.

Soja e milho avançam em Chicago

A soja opera próxima de US$ 12,21 por bushel, com valorização de aproximadamente 1,38% nesta segunda-feira. Em 30 dias, o avanço chega a 9,45%, enquanto a alta acumulada em 12 meses supera 20%.

O movimento reflete a combinação entre demanda, riscos climáticos nos Estados Unidos, petróleo valorizado e expectativa de maior consumo de óleo de soja para a produção de biocombustíveis. Para o Brasil, o ganho em Chicago pode melhorar os preços internos, especialmente se acompanhado de valorização do dólar.

O milho sobe cerca de 1,45% no dia e acumula ganho próximo de 9,65% em um mês. A cotação internacional também recebe apoio do setor de etanol, das incertezas climáticas no Hemisfério Norte e do aumento dos custos energéticos. Cotações internacionais de soja e milho

No mercado brasileiro, entretanto, a entrada da segunda safra amplia a oferta e pode limitar a transmissão imediata das altas externas. Frete, capacidade de armazenamento e ritmo das exportações serão determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas.

Trigo lidera a valorização mensal entre os principais grãos

O trigo apresenta estabilidade nesta segunda-feira, mas acumula alta superior a 14% em 30 dias e aproximadamente 26% em 12 meses. É uma das commodities agrícolas com melhor desempenho recente.

A valorização ganhou força com os ataques a embarcações no Mar Negro e o receio de interrupções nas exportações da Rússia e da Ucrânia. Os dois países ocupam posição estratégica no comércio mundial do cereal. Além disso, a redução da estimativa para a safra americana aumentou a percepção de menor disponibilidade global.

O movimento merece atenção no Brasil porque o país ainda depende de importações para complementar o abastecimento. Trigo internacional mais caro, combinado com dólar e frete elevados, pode aumentar os custos da indústria de farinha, massas, biscoitos e panificação.

Café recua no dia, mas acumula forte alta no mês

O café arábica apresenta pequena queda nesta segunda-feira, negociado próximo de 320 centavos de dólar por libra-peso. A correção diária, entretanto, não altera a tendência recente: a commodity acumula valorização próxima de 20% em 30 dias.

O mercado permanece sensível ao frio no Brasil, às condições das lavouras e às estimativas para a produção. Em território brasileiro, o tempo seco favorece a colheita, mas as geadas e a falta prolongada de umidade mantêm o risco climático elevado. Mercado internacional do café

Fonte: Trade Econonômics

Açúcar recua apesar do petróleo valorizado

O açúcar opera em queda moderada, ao redor de 14,78 centavos de dólar por libra-peso. No mês, contudo, ainda acumula alta próxima de 6,8%.

O petróleo caro costuma favorecer o açúcar porque torna o etanol mais competitivo e pode estimular as usinas brasileiras a destinar uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível. Menor fabricação de açúcar tende a restringir a oferta e sustentar os preços.

Por outro lado, o avanço da colheita no Centro-Sul brasileiro e a expectativa de maior disponibilidade global impedem uma valorização mais forte. Mercado internacional do açúcar

Cacau lidera as perdas do dia

Entre as commodities agrícolas pesquisadas, o cacau apresenta a maior queda nesta segunda-feira, com recuo de aproximadamente 1,64%. Mesmo assim, acumula valorização próxima de 18% em 30 dias.

Na comparação anual, o produto ainda registra desvalorização superior a 33%, mostrando como permanece distante dos recordes observados em 2024. O mercado continua extremamente volátil, influenciado pelas condições das lavouras na África Ocidental, pelos estoques reduzidos e pela reação da demanda aos preços elevados. Mercado internacional do cacau

Desempenho das commodities agrícolas

CommodityCotação aproximadaVariação no diaEm 30 diasTendência
Aveia351,22 cents/bushel+2,62%+15,63%Alta
Algodão79,84 cents/libra+1,53%+0,54%Alta moderada
Milho451,20 cents/bushel+1,45%+9,65%Alta
Soja1.221,15 cents/bushel+1,38%+9,45%Alta
Trigo682,92 cents/bushel+0,02%+14,30%Estável no dia, forte no mês
ArrozUS$ 14,01/cwt-0,07%+12,30%Pequena correção
Café319,97 cents/libra-0,10%+19,84%Correção após forte alta
Açúcar14,78 cents/libra-0,36%+6,77%Baixa no dia
CacauUS$ 5.442,49/tonelada-1,64%+17,78%Maior queda do dia

Valores internacionais apurados durante a manhã de 20 de julho e sujeitos a alterações ao longo do pregão.

Fonte: Inmet/trade economics, B3/ Mapa

Leia também:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *