Gastos bilionários da Alphabet com IA pressionam mercados globais

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Investidores questionam quando os elevados investimentos em inteligência artificial começarão a produzir retornos compatíveis; petróleo próximo de US$ 100 amplia o temor de inflação

Os mercados internacionais começam esta quinta-feira,(23) , sob pressão de duas forças que aumentam a cautela dos investidores. O custo crescente da corrida pela inteligência artificial e o agravamento do conflito no Oriente Médio.

As ações da Alphabet, controladora do Google, recuavam mais de 4% no pré-mercado de Nova York, apesar de a companhia ter apresentado crescimento expressivo das receitas no segundo trimestre. O desconforto veio do forte consumo de recursos provocado pela expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

A companhia registrou fluxo de caixa livre negativo de aproximadamente US$ 5,9 bilhões no trimestre, o primeiro desde sua abertura de capital. A Alphabet também elevou a previsão de investimentos em 2026 para uma faixa entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, acima da estimativa anterior, de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões.

Inteligência artificial cresce, mas retorno ainda é questionado

Os resultados operacionais mostram que os investimentos começam a produzir crescimento. A receita do Google Cloud avançou fortemente e chegou a US$ 24,8 bilhões, enquanto a receita total da Alphabet atingiu aproximadamente US$ 120 bilhões no trimestre.

O problema, para o mercado, não está exatamente na ausência de crescimento, mas no tamanho da conta. Investidores querem saber se a expansão das receitas será suficiente para compensar os gastos bilionários com centros de dados, chips, energia e treinamento de novos modelos de inteligência artificial.

A preocupação não se limita ao Google. Microsoft, Amazon, Meta e outras grandes empresas de tecnologia também disputam infraestrutura, capacidade computacional e participação em um mercado cujo potencial é enorme, mas cuja rentabilidade de longo prazo ainda está sendo testada.

Petróleo próximo de US$ 100 aumenta pressão inflacionária

A tensão é ampliada pela disparada do petróleo. O barril do Brent avançava mais de 4%, negociado acima de US$ 98, no maior nível desde o começo de junho.

Os preços refletem os riscos de interrupção do transporte de petróleo no Estreito de Ormuz e no estreito de Bab el-Mandeb, duas rotas estratégicas para o comércio mundial de energia. Ataques contra navios petroleiros e o agravamento dos confrontos entre Estados Unidos e Irã elevaram o prêmio de risco da commodity.

A combinação entre petróleo caro e possíveis dificuldades no transporte marítimo pode aumentar os custos de combustíveis, fertilizantes, fretes e produção industrial. Para os bancos centrais, isso representa um novo obstáculo no controle da inflação e pode manter os juros elevados por mais tempo.

BCE deve manter juros, mas discurso será decisivo

Na Europa, o Banco Central Europeu deverá manter suas taxas de juros depois da elevação realizada em junho. A atenção estará concentrada na entrevista da presidente da instituição, Christine Lagarde.

O mercado buscará indicações sobre como o BCE pretende reagir a uma possível nova rodada de inflação provocada pelos preços da energia. Um discurso mais rígido poderá reforçar a expectativa de novos aumentos de juros até o fim do ano.

Brasil tenta manter descolamento positivo

O EWZ, fundo negociado em Nova York que funciona como uma referência para as ações brasileiras, avançava 0,46% no pré-mercado, contrariando o desempenho negativo dos índices norte-americanos.

O movimento ocorre depois de o Ibovespa subir 2,44% na quarta-feira e encerrar o pregão aos 177.547 pontos. O dólar à vista terminou cotado perto de R$ 5,05, com queda de aproximadamente 0,4%.

A valorização do petróleo pode favorecer Petrobras e outras empresas ligadas à produção de commodities. Em contrapartida, uma alta prolongada da energia pode pressionar inflação, juros e empresas dependentes de combustíveis e transporte.

O cenário sugere uma abertura volátil na B3. O desempenho das ações de petróleo e mineração poderá ajudar o índice, mas o ambiente externo negativo limita o espaço para uma alta generalizada.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
9h15Decisão de política monetária do Banco Central Europeu
9h30Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos
9h45Entrevista coletiva de Christine Lagarde
16h20Janet Yellen participa de painel sobre a ordem econômica global na Expert XP

Mercados internacionais — Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500-0,40%
Futuros do Nasdaq-0,46%
Futuros do Dow Jones-0,46%
EWZ — ações brasileiras em NY+0,46%

Dados por volta das 7h22.

Mercados internacionais — Europa

ÍndiceVariação
Euro Stoxx 50-0,84%
FTSE 100 — Londres-0,17%
DAX — Frankfurt-0,62%
CAC 40 — Paris-1,05%

Dados por volta das 7h26.

Mercados internacionais — Ásia

ÍndiceVariação
CSI 300 — China+0,23%
Hang Seng — Hong Kong+1,28%
Nikkei — Japão+0,46%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+4,40%US$ 98,21 por barril
Minério de ferro+1,10%US$ 98,15

Dados por volta das 7h27.

Fontes: Reuters/Financial Times/ BC

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