Petróleo, tarifas e temor de inflação mantêm mercados sob pressão

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Bolsas tentam recuperação após forte queda das empresas de tecnologia, mas avanço dos juros globais e tensões no Oriente Médio limitam o apetite por risco

Os mercados financeiros chegam à última sessão da semana divididos entre uma tentativa de recuperação das bolsas e o aumento das preocupações com inflação, juros e crescimento global. A forte oscilação do petróleo, que chegou a ultrapassar US$ 100 por barril na quinta-feira, recolocou no radar o risco de um choque de energia com efeitos sobre preços, atividade econômica e política monetária.

Nesta sexta-feira, o Brent recua para a região de US$ 98, mas permanece em patamar elevado. A escalada ocorreu após ataques a petroleiros sauditas no Mar Vermelho aumentarem os temores de interrupções nas rotas internacionais de abastecimento. O mercado também acompanha a circulação reduzida de embarcações pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo.

O problema não é apenas o preço do barril. Petróleo mais caro encarece combustíveis, transporte, fertilizantes e produtos industriais. Esse movimento pode dificultar a desaceleração da inflação e obrigar bancos centrais a manter ou elevar os juros, mesmo diante de sinais de enfraquecimento da economia.

Tarifas americanas ampliam incerteza comercial

Outro fator de pressão é a entrada em vigor de novas tarifas dos Estados Unidos sobre importações de aproximadamente 60 parceiros comerciais, incluindo Brasil, China e União Europeia.

As alíquotas anunciadas variam entre 10% e 12,5% e foram justificadas pelo governo americano como resposta ao que considera falhas no combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas. O Brasil e outros países contestaram a argumentação.

O efeito imediato nos mercados foi moderado porque parte dos produtos considerados estratégicos como petróleo, gás, fertilizantes, alimentos e aeronaves recebeu tratamento diferenciado. Ainda assim, a medida reacende as preocupações com custos, comércio internacional e inflação. No caso brasileiro, ela se soma às tarifas de 25% impostas anteriormente sobre setores como móveis, máquinas, calçados, açúcar e etanol.

Bolsas americanas ensaiam recuperação

Os índices futuros de Nova York operam em leve alta nesta manhã, tentando recuperar parte das perdas da quinta-feira. O movimento recebe apoio dos resultados da Intel, cujas ações avançam no pré-mercado após a empresa apresentar projeções superiores às expectativas.

A recuperação, entretanto, ainda é frágil. As ações de tecnologia sofreram forte correção na sessão anterior, pressionadas principalmente pelas dúvidas sobre o volume de investimentos em inteligência artificial e o prazo necessário para transformar esses gastos em receita e lucro.

Alphabet e Tesla ficaram no centro das preocupações após apresentarem elevado consumo de caixa. A discussão começa a mudar de tom: o mercado continua acreditando no potencial da inteligência artificial, mas passou a exigir resultados financeiros mais claros.

Na quinta-feira (23), o Nasdaq caiu 2,15%, o S&P 500 recuou 1,21% e o Dow Jones perdeu 0,97%.

Ásia sente os efeitos do petróleo e dos juros

As bolsas asiáticas encerraram a sexta-feira sob forte pressão. O Nikkei, do Japão, caiu aproximadamente 2,8%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou cerca de 6%. O mercado sul-coreano foi especialmente afetado pela venda de ações de tecnologia e semicondutores.

Além da correção das empresas ligadas à inteligência artificial, os países asiáticos são vulneráveis à alta do petróleo porque boa parte da região depende da importação de energia. A valorização do dólar agrava o problema ao encarecer as compras externas denominadas na moeda americana.

O iene permanece próximo das menores cotações em décadas, aumentando a preocupação das autoridades japonesas com a possibilidade de intervenção no mercado de câmbio.

Europa tenta reagir após decisão do BCE

Na Europa, as bolsas operam com ganhos moderados. O índice Stoxx 600 avançava cerca de 0,3% durante a manhã, apoiado pelo setor financeiro, mas ainda sob o impacto do petróleo, das tarifas americanas e da perspectiva de juros elevados.

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu manteve as taxas inalteradas, mas não descartou novo aumento caso a inflação volte a ganhar força. A Europa enfrenta uma equação particularmente delicada: energia mais cara pressiona os preços, enquanto juros elevados reduzem investimentos e consumo.

Mercado brasileiro enfrenta sexta-feira de cautela

No Brasil, a sessão deve ser marcada pela influência do cenário externo e pela reação às novas tarifas americanas. O Ibovespa encerrou a quinta-feira com queda de 0,46%, aos 176.723 pontos, após atingir 177.895 pontos na máxima do dia.

O dólar comercial avançou 0,65%, cotado a R$ 5,084, interrompendo uma sequência de valorização do real. Os juros futuros também subiram, acompanhando o movimento dos rendimentos dos títulos americanos e o aumento da percepção de risco inflacionário.

Nesta sexta-feira (24), Petrobras poderá sentir a realização de lucros no petróleo, embora o barril permaneça em nível elevado. Exportadoras podem receber algum apoio da valorização do dólar, enquanto empresas dependentes de insumos importados e companhias mais sensíveis aos juros tendem a enfrentar maior volatilidade.

O Brasil pode apresentar algum descolamento positivo se o recuo do petróleo reduzir o temor de inflação global. Contudo, a combinação de dólar mais forte, tarifas comerciais e juros internacionais elevados recomenda prudência.

Agenda econômica

Horário de BrasíliaIndicador ou eventoPor que importa
10h45PMI industrial preliminar dos EUAMede o ritmo da atividade nas fábricas
10h45PMI de serviços preliminar dos EUAIndica a força do principal setor da economia americana
11h00Vendas de imóveis novos nos EUAAjuda a avaliar os efeitos dos juros sobre o mercado imobiliário
Durante o diaRepercussão das novas tarifas americanasPode afetar moedas, exportadoras e expectativas de inflação
Durante o diaTensões no Mar Vermelho e no Estreito de OrmuzQualquer mudança pode provocar nova oscilação do petróleo

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorSituação na manhã
Futuro do Dow Jones+0,41%
Futuro do S&P 500+0,23%
Futuro do Nasdaq 100+0,10%
VIX futuro-5,41%
TendênciaTentativa de recuperação após queda das empresas de tecnologia

Europa

MercadoSituação
Stoxx 600Cerca de +0,30%
Setor financeiroEm alta
TecnologiaVolátil
TendênciaRecuperação moderada, limitada pelo petróleo e pelos juros

Ásia

ÍndiceDesempenho aproximado
Nikkei 225 — Japão-2,8%
Kospi — Coreia do Sul-6,0%
Shanghai Composite — China-1,6%
TendênciaForte aversão ao risco, com pressão sobre tecnologia e semicondutores

Commodities

ProdutoCotação aproximadaVariação
Petróleo BrentUS$ 97,66-3,01%
Petróleo WTIUS$ 89,76-2,64%
OuroUS$ 4.057 por onça+0,21%
PrataUS$ 58,52 por onça+1,42%
CobreUS$ 13.744 por tonelada-1,07%
CaféUS$ 3,08 por libra-peso-0,53%

Cotações consultadas durante a manhã de 24 de julho e sujeitas a alterações ao longo do pregão.

Fontes: Reuters/Infomoney/Wall Street/Ibovespa

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