Investidores acompanham a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, a decisão de juros do Banco Central Europeu e os novos dados de inflação ao produtor nos Estados Unidos.

Os mercados financeiros iniciam esta quinta-feira, 10 de setembro, sob forte cautela. O petróleo Brent permanece acima de US$ 100 por barril, refletindo os novos ataques contra embarcações próximas ao Estreito de Ormuz e o temor de que a circulação de petróleo na região continue comprometida.
Os contratos futuros de Wall Street tentam interromper uma sequência de quatro sessões negativas, mas a recuperação ainda é frágil. A alta da energia pressiona as expectativas de inflação, eleva os rendimentos dos títulos públicos e reduz a margem dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária.
O Brent chegou a superar US$ 102 durante a manhã. Além dos riscos no Estreito de Ormuz, o mercado acompanha a intensificação dos ataques no Mar Vermelho e a procura das refinarias chinesas por petróleo de outras regiões, diante das restrições às cargas provenientes do Oriente Médio.
Guerra aumenta pressão política sobre Trump
Nos Estados Unidos, a elevação dos preços dos combustíveis começa a produzir efeitos econômicos e eleitorais mais evidentes. A inflação provocada pela energia tornou-se um problema para o governo de Donald Trump a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato.
Durante um comício republicano realizado na noite de quarta-feira (9), Trump prometeu pagar US$ 5 mil aos americanos caso o Partido Republicano mantenha o controle da Câmara e do Senado. A proposta, batizada de “dividendos de Trump”, aumentou as preocupações do mercado com a situação fiscal norte-americana.
A promessa exigiria mais de US$ 1 trilhão em recursos adicionais, justamente quando a dívida dos Estados Unidos e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro já provocam tensão entre os investidores. O rendimento do título de dez anos aproxima-se de 5%, encarecendo o crédito e pressionando a avaliação das empresas negociadas em Bolsa.
Na quarta-feira, o S&P 500 recuou 0,48%, o Nasdaq perdeu 0,64% e o Dow Jones caiu 0,77%. O setor de energia foi a exceção, beneficiado pela valorização do petróleo.
Brasil amplia medidas para conter combustíveis

No Brasil, o governo federal anunciou um novo pacote para amortecer os efeitos da disparada internacional do petróleo. As medidas incluem redução de R$ 0,63 por litro nos tributos federais incidentes sobre a gasolina, zeragem do PIS/Cofins do etanol hidratado e uma nova subvenção de até R$ 1 por litro para o diesel rodoviário.
O impacto fiscal estimado chega a aproximadamente R$ 7 bilhões. Segundo o governo, o objetivo é impedir que a valorização do petróleo seja imediatamente transferida à inflação e ao custo do transporte.
É importante fazer uma correção em relação às primeiras informações divulgadas: a Petrobras não anunciou simplesmente uma redução no preço da gasolina. A companhia suspendeu um desconto que vinha sendo aplicado e realizou um ajuste na formação do preço. Com a compensação tributária anunciada pelo governo, o valor percebido pelas distribuidoras deverá apresentar redução de R$ 0,19 por litro, segundo a correção publicada pela própria estatal.
Embora as medidas possam segurar temporariamente os preços nas bombas, o mercado deverá acompanhar o impacto fiscal do pacote e a capacidade do governo de sustentar os subsídios caso o petróleo permaneça acima de US$ 100.
Ibovespa pode ter sessão volátil
O cenário externo desfavorável tende a pressionar o Ibovespa, embora a alta do petróleo possa sustentar Petrobras e outras companhias ligadas ao setor de energia.
Na quarta-feira, o principal índice da B3 caiu aproximadamente 0,94%, enquanto o dólar avançou para a região de R$ 5,11. O movimento refletiu a aversão ao risco internacional, a elevação dos juros dos títulos norte-americanos e as incertezas políticas e eleitorais brasileiras.
O EWZ, fundo que representa as principais ações brasileiras negociadas em Nova York, recuava no pré-mercado. O desempenho sinaliza uma abertura mais cautelosa para a Bolsa brasileira.
Agenda econômica
| Horário | Indicador ou evento |
|---|---|
| 7h | OCDE divulga a taxa de desemprego de julho |
| 9h | IBGE publica a Pesquisa Industrial Mensal Regional de julho |
| 9h | IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços de julho |
| 9h15 | Banco Central Europeu anuncia sua decisão sobre juros |
| 9h30 | Estados Unidos divulgam pedidos semanais de auxílio-desemprego |
| 9h30 | Estados Unidos publicam a inflação ao produtor de agosto |
| 9h45 | Christine Lagarde concede entrevista coletiva |
| 11h | Cerimônia de sanção do fim da chamada “taxa das blusinhas” |
| 14h30 | AtlasIntel divulga pesquisa eleitoral nacional |
| Após o fechamento | Oracle apresenta seu balanço trimestral |
Mercados internacionais
Estados Unidos — futuros às 7h42
| Índice | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | +0,11% |
| Nasdaq | -0,17% |
| Dow Jones | +0,23% |
| EWZ | -0,32% |
Europa — às 7h44
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | -0,06% |
| FTSE 100 — Londres | -0,37% |
| DAX — Frankfurt | -0,03% |
| CAC 40 — Paris | +0,18% |
As bolsas europeias operam próximas da estabilidade antes da decisão do Banco Central Europeu. A alta do petróleo e dos preços do gás natural aumenta a pressão para que a instituição mantenha uma política monetária mais restritiva.
Ásia — fechamento
| Mercado | Variação |
|---|---|
| CSI 300 — China | -0,53% |
| Hang Seng — Hong Kong | -1,27% |
| Nikkei — Japão | +0,20% |
O avanço do petróleo penalizou especialmente os mercados asiáticos mais dependentes da importação de energia. Na China, a queda do minério de ferro também pressionou empresas ligadas ao setor de matérias-primas.
Commodities
| Ativo | Variação | Cotação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | +0,75% | US$ 101,97 por barril |
| Minério de ferro | -1,70% | US$ 99,30 por tonelada |
Fonte: B3/Reuters/Infomoney/Veja/Época
Leia também:

















