Soja, milho e trigo recuam em Chicago nesta sexta-feira, enquanto clima nos Estados Unidos, dólar, tensões geopolíticas e novas tarifas comerciais orientam os negócios
O mercado agrícola inicia esta sexta-feira (24) em movimento de realização de lucros, após uma sequência de valorização dos grãos em Chicago. Soja, milho e trigo operam em queda moderada nesta manhã, acompanhando o recuo do petróleo e a cautela dos investidores diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A correção, no entanto, não elimina os fatores que sustentaram as altas recentes. O clima mais seco no Meio-Oeste americano, os riscos às exportações de grãos pelo Mar Negro e as tensões no Oriente Médio continuam interferindo nas decisões dos produtores, tradings e fundos de investimento.
No Brasil, a valorização recente do dólar, os prêmios nos portos e a retração dos vendedores ajudam a sustentar os preços da soja no mercado físico. Milho, café e boi gordo apresentam movimentos distintos, influenciados principalmente pela colheita, disponibilidade regional e demanda das indústrias.
Soja recua, mas permanece em patamar elevado

Os contratos futuros da soja operam próximos da estabilidade, com pequenas perdas em Chicago. O vencimento agosto estava cotado em torno de US$ 12,37 por bushel, enquanto novembro negociava próximo de US$ 12,42.
O movimento representa uma realização de lucros depois de a oleaginosa alcançar o maior patamar em aproximadamente dois anos e meio. A alta acumulada em julho foi impulsionada pelo clima mais seco em regiões produtoras dos Estados Unidos, pelo avanço do petróleo e pelas preocupações com a oferta internacional.
Apesar da correção externa, os preços brasileiros encontram apoio na valorização do dólar, nos prêmios de exportação e na resistência dos produtores em ampliar as vendas. A demanda continua ativa, mas o ritmo dos negócios permanece limitado pela diferença entre os valores pedidos e oferecidos.
Milho sente petróleo e previsão climática
O milho recua entre 4 e 5 centavos de dólar por bushel nesta manhã. O contrato dezembro era negociado perto de US$ 4,82 por bushel, com baixa aproximada de 1%.
Na quinta-feira (23), o cereal havia alcançado o maior fechamento desde maio, sustentado pela perspectiva de chuvas abaixo da média no cinturão produtor americano e pelas preocupações com o transporte de grãos no Mar Negro.
O recuo do petróleo reduz momentaneamente o apoio vindo do mercado de biocombustíveis. Mesmo assim, a demanda para produção de etanol continua sendo um componente importante para o milho, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
No mercado brasileiro, a colheita da segunda safra amplia a disponibilidade do cereal, mas a postura cautelosa dos produtores e a demanda regional impedem uma queda generalizada das cotações. Os preços seguem sem direção única entre as principais praças.
Trigo realiza lucros após atingir máximas
O trigo apresenta as perdas mais expressivas entre os grãos negociados em Chicago. Os contratos recuam mais de 2% nesta sexta-feira, depois de atingirem máximas de vários anos durante a semana.
A redução da estimativa para a produção americana e os riscos envolvendo o transporte de grãos pelo Mar Negro continuam oferecendo sustentação ao cereal. Entretanto, depois da valorização recente, investidores realizam parte dos ganhos.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu sua projeção para a safra americana de trigo de 2026 para 1,536 bilhão de bushels, o menor volume desde 1970. O mercado também acompanha as restrições operacionais em portos russos e os ataques envolvendo Rússia e Ucrânia.
Café recua, mas fundamentos ainda sustentam preços
O café arábica opera em baixa em Nova York. O contrato setembro recuava 0,61%, cotado a 307,50 centavos de dólar por libra-peso. Na B3, o vencimento setembro apresentava queda de 0,96%.
A pressão desta manhã reflete a realização de lucros e o avanço da colheita brasileira. Levantamento da Safras & Mercado indica que aproximadamente 64% da safra de café já foi colhida.
Apesar do avanço semanal, os trabalhos permanecem atrasados em comparação com o ano passado e com a média dos últimos cinco anos. As incertezas sobre a qualidade dos grãos, os estoques reduzidos e as condições climáticas continuam limitando quedas mais acentuadas.
Açúcar sente tarifas e recuo do petróleo
O açúcar para outubro recua 0,89% em Nova York, cotado a 14,56 centavos de dólar por libra-peso. A queda do petróleo reduz a competitividade relativa do etanol e pode estimular as usinas a destinar uma parcela maior da cana para a produção de açúcar.
As novas tarifas comerciais americanas também aumentam a incerteza para o setor sucroenergético brasileiro. Embora os efeitos imediatos sobre o etanol possam ser limitados, as restrições impostas pelos Estados Unidos podem alterar destinos comerciais e ampliar a concorrência nos mercados internacionais.
Boi gordo encontra suporte nas escalas curtas
O mercado futuro do boi gordo apresenta estabilidade com viés positivo. O contrato julho era negociado a R$ 343,60 por arroba na B3, com avanço de 0,09% durante a manhã.
No mercado físico, frigoríficos encontram dificuldades para ampliar as escalas de abate, que variam entre quatro e sete dias úteis em parte das regiões acompanhadas. A oferta mais restrita permite que pecuaristas negociem valores acima das referências médias em algumas praças.
A demanda externa, porém, continua sendo um fator de atenção. Qualquer alteração nas exportações, nas tarifas comerciais ou no câmbio pode interferir no ritmo das compras dos frigoríficos.
Mercado futuro nesta sexta-feira
Chicago — grãos
| Produto | Contrato | Cotação aproximada | Variação |
|---|---|---|---|
| Soja | Agosto/2026 | US$ 12,37/bushel | -0,02% |
| Soja | Novembro/2026 | US$ 12,42/bushel | -0,10% |
| Milho | Setembro/2026 | US$ 4,58/bushel | -1,13% |
| Milho | Dezembro/2026 | US$ 4,82/bushel | -1,03% |
| Trigo | Setembro/2026 | US$ 6,80/bushel | -2,33% |
| Trigo | Dezembro/2026 | US$ 6,97/bushel | -2,24% |
Brasil — B3
| Produto | Contrato | Cotação | Variação |
|---|---|---|---|
| Soja | Setembro/2026 | 27,15 | +0,18% |
| Milho | Setembro/2026 | R$ 70,37/saca | -0,58% |
| Café | Setembro/2026 | 371,90 | -0,96% |
| Boi gordo | Julho/2026 | R$ 343,60/arroba | +0,09% |
Nova York — commodities agrícolas
| Produto | Contrato | Cotação | Variação |
|---|---|---|---|
| Café arábica | Setembro/2026 | 307,50 cents/lb | -0,61% |
| Açúcar | Outubro/2026 | 14,56 cents/lb | -0,89% |
| Algodão | Outubro/2026 | 78,49 cents/lb | -1,69% |
| Suco de laranja | Setembro/2026 | 144,70 cents/lb | -1,43% |
Cotações consultadas entre 9h20 e 9h30 desta sexta-feira (24) e sujeitas a alterações ao longo do pregão.
Fonte: Mercado de grãos/Farm Futures/USDA
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