Agro inicia nova safra entre preços firmes e pressão dos custos

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Soja e milho avançam em Chicago, plantio brasileiro depende da regularização das chuvas e petróleo acima de US$ 100 mantém produtores atentos aos custos com diesel e fertilizantes.

O mercado do agronegócio começa esta quarta-feira (16) com valorização da soja e do milho em Chicago, firmeza do boi gordo e atenção redobrada aos custos de produção. O petróleo permanece acima de US$ 100 por barril e a superquarta poderá alterar o comportamento do dólar, dois fatores que atingem diretamente as despesas com diesel, fertilizantes, defensivos, máquinas e transporte.

Na Bolsa de Chicago, a soja era negociada próxima de US$ 12,85 por bushel, com avanço de aproximadamente 5 pontos. O milho também apresentava valorização, próximo de US$ 5,12 por bushel, enquanto o trigo operava ao redor de US$ 7,07. Os preços refletem os ajustes realizados após o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e as expectativas sobre a procura internacional.

O USDA elevou para US$ 12 por bushel a projeção do preço médio recebido pelos produtores norte-americanos na safra 2026/27, ante US$ 11,40 previstos anteriormente. Os estoques finais de soja foram estimados em 310 milhões de bushels, com redução de 10 milhões em relação ao relatório anterior.

Plantio da soja depende da regularização das chuvas

No Brasil, o fim do vazio sanitário abriu a janela para o plantio da soja 2026/27 em importantes regiões produtoras. Entretanto, o avanço das máquinas dependerá da regularização das chuvas, especialmente em Mato Grosso e no Centro-Oeste.

A maior parte da soja brasileira deverá ser plantada entre meados de setembro e o final de novembro. A umidade do solo apresenta condições melhores no Sul, enquanto áreas do Centro-Oeste ainda aguardam precipitações mais consistentes para evitar falhas na germinação e necessidade de replantio.

O produtor também inicia a safra diante de margens mais apertadas. Fertilizantes valorizados, crédito caro, juros elevados e petróleo acima de US$ 100 aumentam a necessidade de planejamento. A decisão de plantar não depende apenas do preço futuro da soja, mas da relação entre produtividade, custos e câmbio.

Ao mesmo tempo, um dólar mais valorizado favorece a receita obtida com as exportações, mas encarece insumos importados. A superquarta poderá ampliar essa volatilidade, caso o Federal Reserve aumente os juros norte-americanos e o Banco Central brasileiro reduza a Selic.

Exportações de café avançam mais de 50%

As exportações brasileiras de café verde registraram forte crescimento no início de setembro. Até a segunda semana do mês, os embarques alcançaram 107,9 mil toneladas, equivalentes a aproximadamente 1,8 milhão de sacas de 60 quilos.

A média diária exportada aumentou 51,5% na comparação com setembro de 2025. O desempenho reflete a maior disponibilidade da safra brasileira e mantém o ritmo observado em agosto, quando o país exportou o maior volume da história para o mês: 4,16 milhões de sacas, segundo o Cecafé.

O aumento da oferta brasileira pressiona as cotações no curto prazo. O café arábica recuava para aproximadamente US$ 2,90 por libra-peso em Nova York. A queda, entretanto, é limitada pelos estoques certificados nas bolsas, que continuam nos menores níveis em quase três décadas.

Na B3, o contrato de café para dezembro de 2026 era negociado próximo de R$ 344,50 por saca no início desta manhã.

Soja mantém exportações, mas milho e carne bovina recuam

Os embarques de soja brasileira continuam elevados. O país exportou 2,92 milhões de toneladas até a segunda semana de setembro, com crescimento de 9,2% na média diária em relação ao mesmo período de 2025.

O milho apresenta comportamento diferente. Os embarques chegaram a 2,29 milhões de toneladas, mas a média diária caiu 16,7%. O cereal brasileiro enfrenta maior concorrência da Argentina e aumento do consumo doméstico, principalmente pela expansão da produção de etanol de milho.

As exportações de carne bovina também perderam força. Até a segunda semana do mês, o Brasil embarcou 79,8 mil toneladas, com redução de 30,3% na média diária. O desempenho foi afetado pelo encerramento da cota chinesa com tarifa reduzida, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Boi gordo segue firme no mercado físico

O mercado do boi gordo continua sustentado pela oferta limitada de animais terminados. O Indicador Cepea/Esalq fechou a terça-feira (15) em R$ 351 por arroba à vista, com alta de 0,43%.

No Triângulo Mineiro, a referência estava em R$ 338,50 por arroba à vista e R$ 342 a prazo. A média de Minas Gerais permanecia próxima de R$ 339.

Os contratos futuros continuam indicando preços mais elevados para o final do ano. Na B3, setembro encerrou a terça-feira em R$ 357,40 por arroba; outubro, em R$ 375,85; novembro, em R$ 383,20; e dezembro, em R$ 383,35. As cotações futuras mostram expectativa de menor disponibilidade de animais, embora o recuo das exportações exija cautela.

Mercado do agro

ProdutoReferênciaMovimento
Soja — ChicagoUS$ 12,85 por bushelAlta
Milho — ChicagoUS$ 5,12 por bushelAlta
Trigo — ChicagoUS$ 7,07 por bushelEstável
Café arábica — Nova YorkUS$ 2,90 por libra-pesoLeve queda
Café — B3, dezembro/26R$ 344,50 por sacaEstável
Boi gordo — Cepea/EsalqR$ 351 por arroba+0,43%
Boi gordo — Triângulo MineiroR$ 338,50 por arrobaEstável
Boi gordo — B3, dezembro/26R$ 383,35 por arroba-0,20%
Petróleo BrentUS$ 107,61 por barril-1,05%

Valores internacionais e futuros sujeitos a alterações durante o pregão.

Radar do agro

. Soja e milho avançam em Chicago após os ajustes provocados pelo relatório do USDA.
. Plantio da safra brasileira 2026/27 começa condicionado à regularização das chuvas.
. Petróleo acima de US$ 100 mantém elevados os custos com diesel, transporte e fertilizantes.
. Exportações de soja crescem 9,2% na média diária de setembro.
. Embarques de milho recuam 16,7%, pressionados pela concorrência argentina e pelo consumo interno.
. Café brasileiro registra crescimento superior a 50% nas exportações, mas o aumento da oferta limita as cotações.
. Boi gordo permanece firme no mercado físico, com referência de R$ 338,50 no Triângulo Mineiro.
. Contratos futuros do boi acima de R$ 383 indicam expectativa de valorização no final do ano.
. Exportações de carne bovina recuam 30,3% após o encerramento da cota chinesa com tarifa reduzida.

Fontes: B3, Cepea/Esalq, Scot Consultoria/Cecafé/USDA/Secex/Notícias Agrícolas.

Leia também:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *