Fed eleva taxa para conter a inflação, Copom reduz Selic para 13,75% e queda do petróleo oferece alívio temporário aos ativos de risco.
Os mercados financeiros iniciam esta quinta-feira (17) com reação positiva às decisões da superquarta. O Federal Reserve aumentou os juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, enquanto o Banco Central brasileiro reduziu a Selic na mesma proporção.
Nos Estados Unidos, a decisão unânime levou a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. Foi o primeiro aumento dos juros norte-americanos em três anos e uma demonstração de que o Fed pretende enfrentar a inflação, mesmo sob a pressão do presidente Donald Trump por uma política monetária mais flexível.
A recepção positiva das bolsas não significa que juros maiores sejam favoráveis à economia. O movimento mostra que, neste primeiro momento, os investidores valorizaram a disposição do Fed de preservar sua credibilidade e impedir que a inflação se torne ainda mais persistente.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte já era amplamente esperado, mas o Banco Central evitou antecipar os próximos passos. A continuidade do ciclo dependerá da inflação, do câmbio, da situação fiscal e dos efeitos provocados pelos juros mais altos nos Estados Unidos.

Fed sinaliza que aperto poderá continuar
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, indicou que novos aumentos poderão ser necessários para levar a inflação de volta à meta de 2%.
O mercado passou a considerar a possibilidade de outra elevação ainda em outubro, embora as apostas estejam divididas. Segundo a Reuters, os contratos futuros indicavam aproximadamente 50% de possibilidade de novo aumento na próxima reunião. Para dezembro, o grau de incerteza é ainda maior.
A alta dos juros encarece o crédito, reduz o consumo e tende a diminuir o ritmo da atividade econômica. Também aumenta a remuneração dos títulos norte-americanos, tornando os ativos dos Estados Unidos mais atraentes para o capital internacional.
Apesar desses efeitos, os futuros de Wall Street avançam. A decisão já estava incorporada aos preços e não trouxe uma surpresa mais agressiva. A queda do petróleo também reduz parte da preocupação com os efeitos da energia sobre a inflação.
Corte da Selic exige cautela com o dólar
No Brasil, a redução da Selic oferece algum alívio para empresas e consumidores, mas a taxa permanece elevada. O Banco Central ainda enfrenta expectativas de inflação acima da meta e incertezas sobre as contas públicas.
O movimento oposto dos dois países reduz a diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos. Isso poderá diminuir a atratividade dos ativos domésticos para parte dos investidores estrangeiros e aumentar a pressão sobre o dólar.
A valorização da moeda norte-americana encarece produtos importados, medicamentos, máquinas, componentes industriais, fertilizantes e combustíveis. Dessa forma, o próprio câmbio poderá limitar o espaço para novos cortes da Selic.
O mercado também acompanhará a reunião entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da instituição Armínio Fraga, prevista para esta quinta-feira em Brasília. As sinalizações sobre inflação, política monetária e credibilidade fiscal poderão interferir nas expectativas para os juros futuros.
Petróleo recua e oferece alívio temporário
O petróleo Brent recuava 2,17% no início da manhã, negociado a US$ 103,53 por barril. A commodity chegou a se aproximar de US$ 110 nos últimos dias, diante das tensões no Oriente Médio e dos riscos envolvendo rotas e instalações de energia.
A queda desta quinta-feira foi favorecida pelo aumento da oferta saudita por rotas alternativas e pela redução momentânea dos temores de interrupção no abastecimento.
O alívio, entretanto, ainda é limitado. O Brent continua acima de US$ 100, patamar capaz de pressionar os custos de transporte, a produção industrial, os fertilizantes e os preços dos alimentos.
Para a Petrobras, a queda diária poderá reduzir parte do impulso recebido pela valorização acumulada da commodity. Por outro lado, um petróleo menos pressionado diminui o risco de reajustes nos combustíveis e de novos impactos sobre a inflação brasileira.
Agenda econômica
| Horário | Indicador ou evento | Relevância |
|---|---|---|
| 6h | CPI de agosto — zona do euro | Mostra o comportamento da inflação europeia |
| 8h | Decisão de juros do Banco da Inglaterra | Mercado acompanha os efeitos da inflação energética |
| 9h30 | Pedidos semanais de auxílio-desemprego — Estados Unidos | Indicam a situação do mercado de trabalho norte-americano |
| 16h30 | Gabriel Galípolo reúne-se com Armínio Fraga | Encontro ocorre após o corte da Selic |
| Ao longo do dia | Novas pesquisas presidenciais | Datafolha, AtlasIntel, PoderData e Gerp movimentam o cenário político |
Mercados internacionais
Estados Unidos — futuros
| Índice | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | +0,83% |
| Nasdaq | +1,10% |
| Dow Jones | +0,73% |
| EWZ | +0,21% |
Dados por volta das 7h43.
Europa
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | +0,56% |
| Londres — FTSE 100 | +0,21% |
| Frankfurt — DAX | +0,48% |
| Paris — CAC 40 | +0,14% |
Dados por volta das 7h44.
Ásia
| Mercado | Variação |
|---|---|
| China — CSI 300 | -0,45% |
| Hong Kong — Hang Seng | -0,44% |
| Japão — Nikkei | +0,33% |
Commodities
| Ativo | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | US$ 103,53 por barril | -2,17% |
| Minério de ferro | US$ 96,30 por tonelada | +0,52% |
Dados por volta das 7h45.

Fontes: Federal Reserve/Banco Central do Brasil/B3/Reuters.
Leia também:















