Superquarta coloca Brasil e Estados Unidos em direções opostas

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Federal Reserve deverá aumentar os juros para conter a inflação, enquanto Copom poderá reduzir a Selic; petróleo acima de US$ 100 amplia os riscos para o dólar e os preços no Brasil.

Os mercados financeiros iniciam esta quarta-feira (16) no campo positivo, mas com os investidores à espera das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A chamada “superquarta” poderá confirmar movimentos opostos das duas autoridades monetárias: o Federal Reserve deverá elevar os juros norte-americanos, enquanto o Banco Central brasileiro tem espaço para reduzir a Selic.

Nos Estados Unidos, a expectativa predominante é de aumento de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. Será, se confirmado, o primeiro aumento desde 2023. A inflação permanece acima da meta de 2%, enquanto a valorização do petróleo voltou a pressionar os custos de energia, transporte e produção.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária deverá reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A desaceleração da atividade econômica e a melhora recente da inflação permitem a continuidade do ciclo de cortes, mas o cenário externo exige cautela. Juros maiores nos Estados Unidos, petróleo acima de US$ 100 e incertezas fiscais poderão limitar o espaço para novas reduções.

Decisões opostas poderão pressionar o dólar

A combinação de juros mais altos nos Estados Unidos e menores no Brasil reduz a diferença de remuneração entre os dois países. Esse movimento poderá diminuir a atratividade de parte dos ativos brasileiros para o investidor estrangeiro e aumentar a pressão sobre o dólar.

A valorização da moeda norte-americana representa um risco adicional para a inflação brasileira. Produtos importados, combustíveis, fertilizantes, medicamentos, máquinas e componentes industriais ficam mais caros quando o real perde valor.

Por isso, além do corte esperado, o mercado acompanhará atentamente o comunicado do Copom. A autoridade monetária deverá reforçar que os próximos passos dependerão do comportamento da inflação, do câmbio, das contas públicas e da atividade econômica.

Nos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas para a entrevista do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Mais importante que a elevação esperada será a sinalização sobre a possibilidade de novos aumentos. O Fed também enfrenta pressão do presidente Donald Trump por juros menores, o que transforma a decisão desta quarta-feira em um teste para a independência da instituição.

Petróleo recua, mas continua acima de US$ 100

O petróleo Brent recuava 1,05% no início da manhã, negociado a US$ 107,61 por barril. O movimento foi favorecido pelo aumento dos estoques norte-americanos e pela oferta de petróleo saudita por uma rota alternativa em Omã.

A queda, entretanto, não elimina os riscos. As tensões no Oriente Médio, as dificuldades nas rotas de transporte e os ataques contra instalações energéticas mantêm o mercado mundial em alerta. O Brent acima de US$ 100 continua pressionando combustíveis, fretes, inflação e juros.

No mercado brasileiro, Petrobras poderá receber apoio da valorização acumulada do petróleo, embora os investidores também acompanhem a política de preços dos combustíveis. Vale inicia o dia com suporte da alta de 0,69% do minério de ferro, cotado a US$ 96,10 por tonelada.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou eventoRelevância
9hIBC-Br de julho — BrasilIndicador antecedente da atividade econômica
9h30Vendas no varejo de agosto — Estados UnidosMostram o ritmo do consumo norte-americano
14h30Fluxo cambial semanal — BrasilIndica a entrada e a saída de recursos do país
15hDecisão de juros do Federal ReservePoderá elevar a taxa para a faixa entre 3,75% e 4%
15h30Entrevista de Kevin WarshSinalização sobre os próximos passos do Fed
18h30Decisão do CopomMercado espera corte da Selic para 13,75%

Mercados internacionais

Estados Unidos — futuros

ÍndiceVariação
S&P 500+0,19%
Nasdaq+0,39%
Dow Jones+0,12%
EWZ+0,05%

Dados por volta das 7h26.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50+0,26%
Londres — FTSE 100+0,44%
Frankfurt — DAX+0,11%
Paris — CAC 40+0,27%

Dados por volta das 7h27.

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300+0,68%
Hong Kong — Hang Seng+0,19%
Japão — Nikkei+0,69%

Commodities

AtivoCotaçãoVariação
Petróleo BrentUS$ 107,61 por barril-1,05%
Minério de ferroUS$ 96,10 por tonelada+0,69%

Dados por volta das 7h29.

Radar do investidor

. Federal Reserve deverá elevar os juros em 0,25 ponto percentual para conter a inflação.
. Copom poderá reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano.
. Movimentos opostos dos dois bancos centrais poderão aumentar a pressão sobre o dólar.
. Petróleo recua nesta manhã, mas permanece acima de US$ 100 e mantém elevado o risco inflacionário.
. Entrevista de Kevin Warsh será decisiva para as expectativas sobre os próximos juros norte-americanos.
. Petrobras poderá continuar apoiada pelo petróleo, enquanto Vale acompanha a valorização do minério de ferro.
. IBC-Br e vendas no varejo dos Estados Unidos completam a agenda econômica.

Fontes: Banco Central/Federal Reserve/B3/Reuters.

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