Senado debate memória do holocausto cigano e combate às perseguições étnicas

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Audiência pública discute o enfrentamento ao anticiganismo e ao antissemitismo, além da preservação da memória das vítimas do nazismo.

Brasília – A Comissão de Direitos Humanos do Senado realiza nesta terça-feira, 4 de agosto, logo mais às 14 horas, uma audiência pública sobre a memória do holocausto cigano, também denominado holocausto romani.

O debate abordará o enfrentamento ao anticiganismo e ao antissemitismo, as perseguições étnicas e a importância de preservar a memória histórica das vítimas do regime nazista.

A audiência foi requerida pela presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF). De acordo com a parlamentar, as estimativas apontam que entre 220 mil e 500 mil pessoas ciganas foram mortas pelo nazismo e por seus aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar da dimensão da tragédia, o extermínio da população cigana recebeu, durante décadas, pouca atenção no debate público e nas políticas de preservação da memória.

Anticiganismo permanece como desafio

O anticiganismo é uma forma específica de racismo, discriminação e perseguição étnica dirigida aos diferentes povos ciganos. Ele pode aparecer em práticas institucionais, representações estereotipadas, restrições de direitos e dificuldades de acesso a serviços públicos.

Para Damares Alves, o tema ainda recebe atenção insuficiente no Brasil.

“No Brasil, o debate sobre o holocausto cigano ainda é incipiente, e o enfrentamento ao anticiganismo permanece como um desafio estrutural para as políticas públicas de direitos humanos, igualdade racial e memória histórica”, justificou a senadora.

A audiência pretende ampliar o conhecimento sobre a perseguição promovida pelo regime nazista e discutir caminhos para que o tema seja incorporado às políticas públicas, à educação e às iniciativas de preservação histórica.

Especialistas e representantes da comunidade participam do debate

Foram convidados para a audiência:

  • Aline Miklos, gerente de Advocacy, Assuntos Governamentais e Litígio Estratégico do Instituto Vladimir Herzog;
  • Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu do Holocausto de Curitiba;
  • Igor Shimura, cientista social, professor universitário e presidente do Instituto PluriBrasil;
  • Hayanne Iovanovitchi, fundadora do Coletivo de Mulheres Ciganas do Brasil, idealizadora do Museu Virtual de Memórias da Imigração Cigana em Curitiba e coordenadora da Política de Povos e Comunidades Tradicionais do Paraná;
  • Marcos Toyansk, coordenador do Grupo de Estudos Ciganos do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo;
  • representante do Coletivo Cigano Juntos Somos Mais Fortes.

População pode enviar perguntas

A audiência será interativa. Qualquer pessoa poderá enviar perguntas e comentários pelo Portal e-Cidadania ou pelo telefone da Ouvidoria do Senado, no número 0800 061 2211.

As manifestações encaminhadas pela população poderão ser lidas e respondidas ao vivo por senadores e convidados.

O Senado também disponibiliza uma declaração de participação, que pode ser utilizada como atividade complementar por estudantes universitários. Pelo Portal e-Cidadania, os cidadãos também podem opinar sobre projetos em tramitação e apresentar sugestões de novas leis.

A preservação dessa memória ultrapassa o registro histórico. Conhecer as perseguições sofridas por diferentes grupos étnicos ajuda a identificar como o preconceito se estrutura, ganha legitimidade social e pode se transformar em política de Estado.

Fonte: Agência Senado

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