Redução dos estoques globais sustenta milho e soja, enquanto avanço das exportações favorece o café. No mercado interno, queda do dólar exige atenção do produtor no momento de comercializar.
Grãos encontram sustentação no mercado internacional
O mercado de grãos inicia esta segunda-feira (21) apoiado pela combinação entre demanda firme, estoques globais mais apertados e riscos climáticos nas principais regiões produtoras.
Mesmo com o início da colheita de uma das maiores safras de milho da história dos Estados Unidos, as cotações internacionais encontram sustentação. A explicação está no balanço global: o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta para 2026/27 um déficit próximo de 30 milhões de toneladas entre produção e consumo mundial de milho — o maior em mais de três décadas.
A redução da produção entre importantes exportadores, os problemas logísticos no Mar Negro e o crescimento do consumo para ração e biocombustíveis tornam o mercado mais sensível a qualquer quebra de safra. O milho acumulou forte valorização em agosto e continua respaldado por fundamentos de oferta e demanda.
Para o Brasil, esse cenário ajuda a sustentar os preços, especialmente porque a indústria de etanol de milho absorve uma parcela crescente da produção. O aumento do consumo interno também explica a redução das exportações brasileiras do cereal.
Soja acompanha China, dólar e início do plantio
Na soja, as atenções estão divididas entre a colheita norte-americana, a demanda chinesa e o início do plantio da safra brasileira 2026/27.
O encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping poderá influenciar diretamente o mercado. Uma redução das tensões comerciais entre Estados Unidos e China pode favorecer as exportações norte-americanas de soja. Para o Brasil, isso significa maior concorrência, principalmente no período em que os Estados Unidos colocam sua nova safra no mercado.
Ao mesmo tempo, a China continua sendo o principal destino da soja brasileira. Os embarques do Brasil permaneceram elevados na primeira metade de setembro, alcançando aproximadamente 2,92 milhões de toneladas, crescimento de 9,2% na comparação anual.
No mercado interno, entretanto, a queda do dólar para perto de R$ 5,11 reduz parte da sustentação proporcionada por Chicago. Quando a moeda norte-americana recua, a conversão dos preços internacionais para reais tende a diminuir, apertando a margem do produtor.
Clima poderá definir o ritmo da safra brasileira
O início efetivo do plantio dependerá da regularização das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste. O produtor deverá evitar decisões baseadas apenas nas primeiras precipitações, porque volumes isolados não garantem umidade suficiente para a germinação e o estabelecimento das lavouras.
O risco climático ganha importância diante da possível atuação do El Niño durante a safra 2026/27. O fenômeno pode favorecer as lavouras argentinas, com aumento das chuvas, mas produzir efeitos diferentes entre as regiões brasileiras.
Para o produtor de soja, o atraso no plantio representa também uma ameaça à janela do milho safrinha. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, maior será o risco de o milho enfrentar falta de chuva no período de desenvolvimento.
Café registra avanço expressivo nas exportações
O café brasileiro chega à segunda metade de setembro com embarques aquecidos. As exportações de café verde cresceram mais de 50% na comparação com o mesmo período de 2025.
Até a segunda semana do mês, o país havia exportado 107,9 mil toneladas, equivalentes a aproximadamente 1,8 milhão de sacas. O movimento ocorre depois de agosto registrar um recorde histórico para o período, com mais de quatro milhões de sacas embarcadas.
O aumento da disponibilidade da safra brasileira favoreceu os embarques, mas também pode provocar ajustes nas cotações. Para os produtores, a combinação entre preço internacional, qualidade do grão e dólar continuará sendo decisiva na comercialização.

Boi gordo ganha força, mas China preocupa
O mercado brasileiro do boi gordo começa a semana mais firme. A arroba acumulou valorização próxima de 5% na última semana em algumas referências, apoiada pela oferta restrita de animais terminados e pela dificuldade dos frigoríficos para ampliar as escalas de abate.
Os contratos futuros continuam indicando expectativa de preços mais elevados no último trimestre. A proximidade das festas de fim de ano e a menor disponibilidade de animais podem favorecer novas altas.
O principal ponto de atenção está nas exportações. Os embarques brasileiros de carne bovina recuaram aproximadamente 30% na primeira metade de setembro, após o encerramento da cota chinesa com tarifa reduzida.
A China permanece essencial para o equilíbrio do mercado pecuário. Qualquer mudança nas compras chinesas poderá influenciar diretamente os preços pagos ao produtor e a estratégia dos frigoríficos.
Petróleo recua, mas custos permanecem elevados
O petróleo Brent caiu para perto de US$ 101 por barril nesta segunda-feira, com sinais de recuperação das exportações da Arábia Saudita e expectativa de negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã.
A queda oferece algum alívio, mas ainda não representa redução imediata dos custos no campo. O preço do petróleo continua elevado e mantém pressão sobre diesel, fertilizantes, defensivos e fretes.
Nos Estados Unidos, o diesel chegou a uma média de US$ 6,29 por galão, alta de 68% em um ano. O encarecimento do combustível durante a colheita norte-americana pode elevar os custos dos grãos e dos alimentos nos próximos meses.
Para o produtor brasileiro, a recomendação continua sendo acompanhar não apenas as cotações das commodities, mas também os custos de produção. Preço maior na tela não significa necessariamente margem maior no caixa.
Radar do Agro
- Mercado mundial de milho enfrenta o maior déficit entre produção e consumo em mais de três décadas.
- Demanda para ração e etanol sustenta o cereal, mesmo com o avanço da colheita norte-americana.
- Soja acompanha a demanda chinesa, a colheita dos Estados Unidos e o início do plantio brasileiro.
- Encontro entre Trump e Xi Jinping poderá alterar a disputa pelas compras chinesas de soja.
- Dólar próximo de R$ 5,11 limita parte da valorização das commodities no mercado brasileiro.
- Regularização das chuvas definirá o ritmo do plantio da safra 2026/27.
- Possível atraso da soja poderá reduzir a janela ideal para o milho safrinha.
- Exportações brasileiras de café verde avançam mais de 50% em setembro.
- Boi gordo começa a semana mais firme, apoiado pela oferta restrita de animais terminados.
- Queda dos embarques de carne bovina aumenta a atenção sobre a demanda chinesa.
- Petróleo recua para perto de US$ 101, mas diesel, fertilizantes e fretes continuam pressionando os custos.
Fontes: Folha de S.Paulo/ Reuters/B3/Canal Rural
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