Medida provisória amplia o Plano Brasil Soberano e permite financiar capital de giro, inovação, investimentos produtivos e abertura de mercados.

Exportadores brasileiros afetados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos poderão ter acesso a R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados. Os recursos estão previstos na Medida Provisória 1.379/2026, que viabiliza a terceira etapa do Plano Brasil Soberano.
Além das empresas atingidas diretamente pelas barreiras comerciais norte-americanas, o programa poderá atender exportadores prejudicados por conflitos internacionais, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, e setores considerados estratégicos para a economia nacional.
A medida provisória já está produzindo efeitos, mas ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei.
Tesouro e BNDES financiarão o programa
Dos R$ 18,5 bilhões previstos, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Segundo o governo federal, os recursos do Tesouro correspondem a valores que não foram utilizados na primeira etapa do Plano Brasil Soberano e no programa de renegociação das dívidas rurais. Por essa razão, o Executivo afirma que a operação não deverá provocar impacto adicional no resultado primário das contas públicas.
A liberação dos financiamentos, entretanto, dependerá da regulamentação, da definição das condições de acesso e da análise de crédito das empresas interessadas.
Crédito poderá financiar novos mercados
As linhas não serão destinadas exclusivamente à compensação das perdas provocadas pelas tarifas. Os recursos poderão ser utilizados para:
- capital de giro;
- compra de máquinas e equipamentos;
- realização de investimentos produtivos;
- desenvolvimento de inovação tecnológica;
- adaptação de produtos e processos;
- abertura e prospecção de novos mercados.
A possibilidade de financiar a diversificação das exportações é um dos pontos mais relevantes da medida. Empresas excessivamente dependentes do mercado norte-americano poderão buscar compradores em outros países, adequar produtos a novas exigências e reduzir a exposição a futuras disputas comerciais.
Essa mudança, porém, não acontece de forma imediata. A conquista de novos mercados exige certificações, adaptação de embalagens e processos, negociação logística, conhecimento das regras locais e construção de relações comerciais.
Agro e indústria estão entre os beneficiados
A medida contempla diferentes segmentos do setor produtivo. Entre os setores que poderão acessar as linhas de crédito estão:
- agricultura e pecuária;
- pesca e aquicultura;
- florestas plantadas;
- mineração;
- indústrias químicas e farmacêuticas;
- produção de fertilizantes;
- indústria têxtil;
- máquinas e equipamentos;
- setor automotivo.
O alcance do programa também foi ampliado para atender empresas prejudicadas por conflitos internacionais. A guerra entre Estados Unidos e Irã, por exemplo, interfere nas rotas comerciais, nos custos de transporte, no preço do petróleo e no acesso a determinados mercados.
MP será analisada por deputados e senadores
A MP 1.379/2026 será examinada inicialmente por uma comissão mista formada por deputados e senadores. Depois, seguirá para votação nos plenários da Câmara e do Senado.
Os parlamentares poderão apresentar emendas ao texto até 10 de agosto. A partir de 5 de setembro, a medida entrará em regime de urgência e passará a bloquear a votação de outras propostas na Casa em que estiver tramitando.
O prazo de validade termina em 19 de setembro. Se não for aprovada pelo Congresso até essa data, a medida perderá a eficácia.
O volume anunciado oferece algum fôlego ao setor produtivo, mas o resultado dependerá da velocidade da liberação dos recursos e da capacidade das empresas de transformar o crédito em novos contratos. Em uma disputa comercial, financiar a sobrevivência é importante; reduzir a dependência de um único mercado é ainda mais estratégico.
Fonte: Agência Câmara, com informações da Agência Senado
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