Estudo da Amcham estima a criação de 750 mil empregos, mas resultado depende de investimentos, processamento nacional e maior participação da indústria.
A exploração e o processamento de minerais críticos podem acrescentar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro e criar 750 mil empregos até 2050. A projeção integra um estudo divulgado nesta terça-feira, 4 de agosto, pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil.
O levantamento considera o aumento da demanda mundial por minerais utilizados na transição energética, na fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de armazenamento de energia e diferentes tecnologias industriais.
Foram analisadas as cadeias de cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras. O Brasil possui reservas importantes desses materiais, mas ainda enfrenta o desafio de atrair investimentos e desenvolver capacidade industrial para processá-los dentro do país.
Processar no Brasil amplia ganhos

O estudo compara dois possíveis caminhos para o desenvolvimento do setor.
No cenário mais favorável, o Brasil amplia a participação do capital estrangeiro, atrai investimentos para a cadeia produtiva, processa uma parcela maior dos minerais no território nacional e aumenta sua utilização pela indústria brasileira.
Nesse caso, os investimentos adicionais poderiam alcançar R$ 120,9 bilhões, com impacto estimado de R$ 192,1 bilhões sobre o PIB e a criação de aproximadamente 750 mil postos de trabalho.
Em um cenário mais limitado, no qual os investimentos permanecem concentrados em capital doméstico e a produção continua voltada principalmente à exportação de matéria-prima, o impacto seria menor: R$ 128,7 bilhões adicionados ao PIB e cerca de 304 mil empregos.
A diferença entre os dois modelos revela a importância da agregação de valor. A atração de investimentos internacionais e o processamento dos minerais no Brasil poderiam acrescentar R$ 63,4 bilhões ao PIB, elevar o consumo das famílias em R$ 32,3 bilhões, ampliar os investimentos em R$ 16,1 bilhões e criar 446 mil empregos adicionais.
Exportar matéria-prima não garante desenvolvimento
A disponibilidade de reservas minerais, por si só, não assegura crescimento econômico duradouro. Se o país limitar sua participação à extração e à exportação dos minérios em estado bruto, parte significativa do valor será gerada no exterior, durante as etapas de processamento e fabricação dos produtos tecnológicos.
A oportunidade estratégica está na construção de uma cadeia que inclua pesquisa, beneficiamento, transformação industrial, produção de componentes, fabricação de equipamentos e desenvolvimento tecnológico.
O Brasil já viveu esse dilema com diferentes matérias-primas: exporta produtos de menor valor agregado e posteriormente importa equipamentos e tecnologias fabricados com os mesmos recursos vendidos ao exterior.
Na avaliação da Amcham, o país reúne reservas e condições para ocupar uma posição de destaque no mercado mundial de minerais críticos. Para transformar esse potencial em desenvolvimento, entretanto, serão necessários segurança jurídica, infraestrutura, licenciamento ambiental eficiente, formação profissional e políticas capazes de atrair investimentos de longo prazo.
Estados mineradores concentram os maiores impactos
Os estados com maior presença da atividade mineral deverão registrar os efeitos econômicos mais expressivos. Segundo o estudo, os impactos estimados sobre o PIB estadual são:
- Pará: 16%;
- Bahia: 10,3%;
- Goiás: 10%;
- Piauí: 4%;
- Minas Gerais: 3,8%.
A ampliação do processamento nacional também pode distribuir os benefícios para estados com parques industriais mais estruturados. Nesse cenário, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná aparecem entre os maiores beneficiados.
Para Minas Gerais, o resultado é particularmente importante. Além de sua tradição na mineração, o estado possui estrutura industrial, universidades e centros de pesquisa capazes de participar de etapas mais avançadas da cadeia produtiva.
Indústria pode crescer com agregação de valor
No cenário de maior industrialização, a indústria de transformação poderá acumular crescimento de 1,8%, quase três vezes superior ao projetado no modelo baseado predominantemente na exportação.
A construção civil poderá crescer 4,5%, enquanto a indústria extrativa teria expansão de 4,2%.
Entre os segmentos industriais, os maiores impactos estimados aparecem na fabricação de máquinas e equipamentos elétricos, com crescimento de 16,7%; máquinas para extração mineral, com 9,8%; automóveis, com 5,5%; e máquinas e equipamentos mecânicos, com 2,9%.
Os números mostram que a exploração de minerais críticos não deve ser tratada apenas como uma pauta da mineração. Ela envolve indústria, energia, comércio exterior, tecnologia, infraestrutura, qualificação profissional e soberania econômica.
O Brasil tem os recursos que o mundo procura. A decisão estratégica será definir se continuará apenas retirando os minerais do solo ou se utilizará essa riqueza para construir indústria, tecnologia e empregos dentro do país.
Fontes: Amcham Brasil/Canal Rural
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