Mercado espera corte da Selic e busca sinais sobre os próximos passos do Copom

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Decisão do Banco Central, balanço do Bradesco e definição da chapa presidencial do PL concentram as atenções nesta quarta-feira

O mercado financeiro brasileiro inicia esta quarta-feira (5) com as atenções voltadas para o cenário doméstico. No fim do dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juros, enquanto investidores acompanham a temporada de balanços empresariais e os desdobramentos da corrida presidencial.

A expectativa majoritária é de redução de 0,25 ponto percentual na Selic, dos atuais 14,25% para 14% ao ano. O corte está praticamente incorporado aos preços dos ativos. Por isso, o principal elemento da decisão será o comunicado divulgado pelo Banco Central, especialmente as indicações sobre a continuidade, ou não, do ciclo de flexibilização monetária.

Mercado quer saber o que acontecerá depois

O Copom deverá avaliar a desaceleração da inflação, a atividade econômica, o comportamento do câmbio e as expectativas para os preços. O desafio continua sendo conduzir a inflação em direção à meta central de 3% sem provocar uma desaceleração excessiva da economia.

Para a Faria Lima, uma redução isolada de 0,25 ponto tem efeito limitado. O que realmente poderá alterar as expectativas será uma indicação mais clara sobre o ritmo das próximas reuniões. Um comunicado conservador pode conter a queda dos juros futuros; uma sinalização mais favorável a novos cortes tende a beneficiar ações ligadas ao consumo, construção civil e varejo.

Bradesco testa a confiança no setor bancário

Após o fechamento, o Bradesco apresenta seu balanço do segundo trimestre. O resultado será analisado depois de o Itaú registrar crescimento anual de 7,8% no lucro líquido gerencial, embora tenha reduzido sua projeção para o avanço das receitas de serviços e seguros em 2026.

Os investidores observarão principalmente a inadimplência, as provisões para perdas, o crescimento da carteira de crédito e a rentabilidade. Com juros ainda elevados e famílias endividadas, a qualidade dos empréstimos permanece como um dos pontos mais sensíveis para os bancos.

Eleição presidencial também entra no radar

Às 11h, o PL deverá anunciar o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. A definição ocorre após dificuldades para atrair partidos relevantes para uma coligação nacional.

Embora o mercado tradicionalmente acompanhe com atenção candidaturas identificadas com uma agenda econômica liberal, o apoio não é automático. Investidores querem avaliar viabilidade eleitoral, capacidade de articulação e compromisso com responsabilidade fiscal. A política começa a entrar definitivamente nos preços e qualquer sinal de fragilidade nas chapas poderá aumentar a volatilidade.

Exterior tem bolsas mistas e pressão sobre a SpaceX

Nos Estados Unidos, os futuros operam sem direção única. O S&P 500 e o Dow Jones avançam, enquanto o Nasdaq apresenta leve queda.

As ações da SpaceX recuam cerca de 11% no pré-mercado, mesmo depois de a companhia registrar forte crescimento da receita e reduzir o prejuízo em seu primeiro balanço como empresa de capital aberto. O receio está concentrado no elevado volume de investimentos em inteligência artificial e infraestrutura, que mantém a empresa com forte consumo de caixa.

Os investidores também aguardam o relatório ADP sobre a criação de empregos no setor privado norte-americano, considerado uma indicação preliminar sobre a situação do mercado de trabalho.

Agenda econômica

HorárioEvento
6hZona do euro divulga PPI de junho
7hGenial/Quaest apresenta pesquisa sobre governo e eleição presidencial
9h45Estados Unidos divulgam relatório ADP de julho
11hPL anuncia o candidato a vice de Flávio Bolsonaro
11h30Estados Unidos divulgam estoques de petróleo
14h30Banco Central anuncia o fluxo cambial semanal
18h30Copom divulga a decisão sobre a Selic

Balanços corporativos

Antes da abertura: Walt Disney e Klabin.

Após o fechamento: Axia Energia, Bradesco, Copel, Dexco, Engie, Auren, Brava Energia, Riachuelo, Smart Fit, Totvs, Banco Inter e Vivara.

Mercados internacionais

Estados UnidosVariação
Futuros do S&P 500+0,31%
Futuros do Nasdaq-0,08%
Futuros do Dow Jones+0,23%
EWZ+0,55%
EuropaVariação
Euro Stoxx 50-0,05%
FTSE 100 — Londres+0,13%
DAX — Frankfurt-0,02%
CAC 40 — Paris-0,06%
ÁsiaVariação
CSI 300 — China+1,24%
Hang Seng — Hong Kong+0,24%
Nikkei — Japão+3,66%

Commodities

ProdutoCotação
Petróleo Brent+1,75%, a US$ 80,75
Minério de ferro+0,60%, a US$ 94,40

Fontes: Reuters/Ibovespa/BC

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