Petróleo acima de US$ 100 pressiona inflação e derruba bolsas globais

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Escalada do conflito no Oriente Médio amplia o risco de interrupções no fornecimento de energia, fortalece a aversão ao risco e coloca novamente os juros internacionais no centro das preocupações.

Os mercados financeiros iniciam esta quarta-feira (9), sob forte pressão da alta do petróleo. O barril do Brent ultrapassou os US$ 100 durante a manhã, refletindo o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e os novos ataques registrados contra instalações de energia, embarcações e posições militares no Oriente Médio.

O principal temor dos investidores é que a escalada militar provoque novas interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o abastecimento mundial. Com a oferta já pressionada, qualquer dano à infraestrutura energética ou prolongamento dos bloqueios poderá manter os preços elevados por mais tempo.

O Brent avançava 2,79%, negociado a US$ 100,65 o barril às 7h26. Os contratos futuros do petróleo americano também subiam. Segundo especialistas os ataques recentes ampliaram os riscos para instalações produtoras, petroleiros e rotas comerciais na região.

Petróleo reacende preocupação com a inflação

A barreira dos US$ 100 possui um peso econômico e psicológico importante. A valorização do petróleo encarece combustíveis, fretes, passagens aéreas, produtos petroquímicos e parte significativa da produção industrial e agrícola.

O impacto já aparece diretamente no orçamento das famílias. Levantamento da Universidade Brown estima que os consumidores norte-americanos tenham desembolsado aproximadamente US$ 100 bilhões adicionais com gasolina e diesel desde o início da guerra contra o Irã. O valor representa cerca de US$ 763 por família, segundo dados divulgados pela Watson School, da Universidade Brown.

A alta da energia dificulta o trabalho dos bancos centrais porque poderá alimentar uma nova rodada inflacionária. Isso reduz o espaço para cortes de juros e aumenta a possibilidade de manutenção ou até elevaçãon das taxas nas principais economias.

O mercado passa a acompanhar não apenas a cotação diária do barril, mas a duração desse choque. Uma alta temporária pode ser absorvida. Petróleo acima de US$ 100 por um período prolongado, porém, poderá comprometer o consumo, as margens das empresas e o crescimento mundial.

Wall Street recua com petróleo e tensões comerciais

Os contratos futuros de Wall Street operam em queda. O Nasdaq apresenta a maior retração, pressionado pela elevação dos rendimentos dos títulos públicos e pelo impacto dos juros elevados sobre as empresas de tecnologia.

Além do conflito no Oriente Médio, os investidores acompanham o agravamento das disputas comerciais entre Estados Unidos e Canadá. A imposição de novas restrições sobre produtos canadenses adiciona outra camada de incerteza ao comércio internacional e aos custos de produção.

Estados Unidos — futurosVariação
S&P 500-0,25%
Nasdaq-0,45%
Dow Jones-0,39%
EWZ — ações brasileiras em Nova York-0,62%

Dados apurados às 7h24.

No setor empresarial, o destaque será o evento anual da Apple. A companhia deverá apresentar sua nova geração de produtos e poderá anunciar o primeiro iPhone dobrável de sua história. O aparelho, esperado para a faixa superior a US$ 2 mil, marcará a entrada da empresa em um segmento já disputado por Samsung, Huawei e Google.

Ibovespa poderá devolver parte da alta

No Brasil, a tendência inicial também é de cautela. O EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, recuava 0,62% no pré-mercado, indicando possibilidade de abertura negativa do Ibovespa.

Nesta terça-feira, entretanto, o mercado brasileiro conseguiu se descolar do pessimismo externo. O Ibovespa avançou aproximadamente 1,2%, aos 187,4 mil pontos, enquanto o dólar caiu para perto de R$ 5,09. O desempenho foi sustentado principalmente por Petrobras, Vale e bancos.

Nesta quarta-feira, o índice brasileiro ficará dividido entre forças opostas. A queda dos mercados internacionais e a aversão ao risco pressionam a Bolsa, mas o petróleo acima de US$ 100 poderá continuar favorecendo as ações da Petrobras. A Vale, por sua vez, poderá sofrer com a queda de 1,70% do minério de ferro.

O período eleitoral amplia a volatilidade. Pesquisas, declarações dos candidatos e sinalizações sobre política fiscal poderão provocar movimentos rápidos nos juros futuros, no câmbio e nas ações.

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500-0,25%
Futuros do Nasdaq-0,45%
Futuros do Dow Jones-0,39%

Europa

As bolsas europeias apresentam perdas mais fortes, refletindo a dependência regional de energia importada e a expectativa em torno dos próximos passos do Banco Central Europeu.

Bolsa/índiceVariação
Euro Stoxx 50-1,58%
Londres — FTSE 100-0,54%
Frankfurt — DAX-1,26%
Paris — CAC 40-1,46%

Dados apurados às 7h25.

Ásia

Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única. A Bolsa chinesa apresentou leve valorização, enquanto Hong Kong e Tóquio fecharam em queda.

Bolsa/índiceVariação
China — CSI 300+0,30%
Hong Kong — Hang Seng-0,17%
Japão — Nikkei-0,19%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+2,79%US$ 100,65 por barril
Minério de ferro-1,70%US$ 99,30 por tonelada

Dados apurados às 7h26.

Agenda econômica

HorárioEvento
10hDivulgação dos dados de produção e venda de veículos no Brasil
12hÍndice de confiança do consumidor Reuters/Ipsos
14hChristine Lagarde discursa em jantar do Bundesbank, na Alemanha
14hApple realiza seu evento anual de lançamento de produtos
14h30Banco Central divulga o fluxo cambial semanal
14h30Banco Central divulga o Índice de Commodities Brasil — IC-Br
Durante o diaGabriel Galípolo participa, na Índia, de reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do BRICS

Fonte: Reuters/B3/Infomoney

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