Recuo do Brent nesta manhã oferece alívio temporário às bolsas, mas barril acima de US$ 100 mantém pressão sobre juros, combustíveis e atividade econômica.
Os mercados financeiros iniciam esta sexta-feira (11) com alguma recuperação, após uma semana marcada pela disparada do petróleo e pelo aumento das preocupações com a inflação mundial. O barril do Brent recua mais de 3% nesta manhã, mas permanece acima de US$ 100, patamar suficientemente elevado para pressionar os custos de transporte, produção industrial e alimentos.
A dinâmica continua direta: quando o petróleo avança, aumentam as expectativas de inflação e de juros elevados, enquanto as bolsas perdem força. Quando a commodity recua, os ativos de risco encontram espaço para uma recuperação. Entretanto, a queda desta sexta-feira ainda representa mais uma realização de lucros do que uma mudança consistente de tendência.
O Brent acumulava valorização superior a 7% na semana, sustentado pelas interrupções nas rotas de transporte do Oriente Médio e pelos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho. A circulação de embarcações diminuiu, enquanto ataques a instalações energéticas sauditas e a refinarias russas ampliaram o temor de restrições prolongadas na oferta. Segundo a Reuters, o diesel nos Estados Unidos ultrapassou US$ 6 por galão pela primeira vez.
Inflação americana poderá definir próximo movimento do Fed

Nos Estados Unidos, o principal indicador desta sexta-feira será o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a agosto. A expectativa predominante é de alta mensal próxima de 0,2%, com inflação acumulada em 12 meses ao redor de 3,4%, ainda distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.
O resultado será especialmente importante porque representa a última grande leitura de inflação antes da próxima reunião do banco central norte-americano. Uma taxa acima das projeções reforçará a possibilidade de manutenção ou até elevação dos juros; um número mais favorável poderá reduzir parte da pressão sobre os títulos públicos e as bolsas.
A inflação ao produtor divulgada na quinta-feira já apresentou alta de 0,4% em agosto e de 5,4% em 12 meses. A aceleração mostra que as empresas norte-americanas estão enfrentando custos maiores, principalmente em razão da energia, e poderão repassar parte dessa pressão aos consumidores.
O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano com vencimento em dez anos chegou a se aproximar de 5%, aumentando o custo do crédito e reduzindo a atratividade relativa das ações. Nesta manhã, entretanto, a queda do petróleo favorece uma recuperação moderada dos futuros de Wall Street.
IPCA pode registrar deflação no Brasil
No Brasil, o IBGE divulga às 9h o IPCA de agosto. A mediana das projeções aponta para uma deflação próxima de 0,23%, influenciada principalmente pelo bônus de Itaipu concedido nas contas de energia elétrica de consumidores residenciais e rurais.
O benefício alcançou aproximadamente 83,8 milhões de unidades consumidoras e reduziu temporariamente o custo da eletricidade. A prévia do IPCA, o IPCA-15, já havia indicado queda de 0,40%, também favorecida pela redução de alguns alimentos.
A eventual deflação, entretanto, deverá ser analisada com cautela. Parte importante do resultado decorre de um desconto pontual na conta de luz, que não representa necessariamente uma queda permanente da inflação. O petróleo acima de US$ 100 também poderá devolver pressão aos índices nos próximos meses, por meio dos combustíveis, fretes, passagens aéreas, fertilizantes e preços dos alimentos.
No mercado doméstico, Petrobras poderá continuar recebendo apoio da valorização acumulada do petróleo, embora os investidores acompanhem a política de preços dos combustíveis e as medidas tributárias adotadas pelo governo. Vale e siderúrgicas começam o dia sob influência negativa da queda do minério de ferro.
O ambiente político permanece como fator adicional de volatilidade. A retirada do sigilo de parte da investigação envolvendo o Banco Master e a divulgação de nova pesquisa Datafolha sobre a disputa presidencial poderão interferir na percepção de risco, nas taxas futuras de juros e no câmbio.
Agenda econômica
| Horário | Indicador ou evento | Relevância |
|---|---|---|
| 6h | Relatório mensal da Agência Internacional de Energia | Projeções para oferta, demanda e preços do petróleo |
| 9h | IPCA de agosto — Brasil | Principal medida da inflação oficial brasileira |
| 9h30 | CPI de agosto — Estados Unidos | Poderá alterar as expectativas para os juros do Federal Reserve |
| Ao longo do dia | Pesquisa Datafolha para presidente | Poderá influenciar a percepção política e fiscal do mercado |
Mercados internacionais
Estados Unidos — futuros
| Índice | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | +0,60% |
| Nasdaq | +0,69% |
| Dow Jones | +0,60% |
| EWZ | +0,83% |
Dados por volta das 7h14.
Europa
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | +0,68% |
| Londres — FTSE 100 | +0,45% |
| Frankfurt — DAX | +0,64% |
| Paris — CAC 40 | +0,54% |
Dados por volta das 7h15.
Ásia
| Mercado | Variação |
|---|---|
| China — CSI 300 | -0,84% |
| Hong Kong — Hang Seng | -0,60% |
| Japão — Nikkei | -1,93% |
Commodities
| Ativo | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | US$ 103,81 por barril | -3,55% |
| Minério de ferro | US$ 96,65 por tonelada | -1,67% |
Dados por volta das 7h17.
Radar do investidor
. IPCA poderá registrar deflação em agosto, mas o desconto pontual na energia exige cautela na interpretação.
. CPI dos Estados Unidos será decisivo para as expectativas sobre a próxima reunião do Federal Reserve.
. Petróleo recua mais de 3%, mas permanece acima de US$ 100 e acumula forte valorização semanal.
. Relatório da AIE indica que a normalização dos fluxos de petróleo do Golfo poderá demorar mais que o esperado.
. Futuros de Wall Street avançam com o alívio temporário no preço da energia.
. Petrobras poderá continuar apoiada pelo petróleo, enquanto Vale acompanha a queda do minério de ferro.
. Cenário político e pesquisa eleitoral poderão aumentar a volatilidade dos juros e do câmbio no Brasil.
Fontes: B3/Reuters
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