Agro encerra a semana entre reação do boi, pressão sobre os grãos e alta dos custos

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Petróleo acima de US$ 100 encarece fretes e insumos, enquanto soja recua em Chicago, milho encontra sustentação no mercado interno e pecuária registra recuperação da arroba.

O agronegócio caminha para encerrar a semana com sinais mistos. A recuperação do boi gordo e a valorização do milho em algumas praças contrastam com a pressão sobre a soja, a queda do café e o avanço dos custos de produção provocado pela disparada do petróleo.

A cotação do Brent recua nesta sexta-feira (11), depois de ultrapassar US$ 107 no pregão anterior, mas ainda permanece acima de US$ 100 por barril. O movimento mantém aceso o alerta para diesel, fretes, fertilizantes e defensivos agrícolas.

Para o produtor, o petróleo caro funciona como uma espécie de imposto adicional sobre a produção: eleva o custo das operações mecanizadas, do transporte dos grãos e da distribuição de carnes, leite, frutas e hortaliças. Mesmo quando o governo adota subsídios ou reduz tributos para conter os preços nas bombas, parte da pressão continua percorrendo toda a cadeia.

Soja perde força em Chicago

Os contratos futuros da soja recuam nesta manhã na Bolsa de Chicago. A referência era negociada ao redor de US$ 13,17 por bushel, com queda próxima de 1%, após o fechamento anterior de US$ 13,31.

O mercado realiza lucros e ajusta posições antes das novas estimativas de produção e estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A expectativa em torno do desempenho final das lavouras norte-americanas aumenta a volatilidade, especialmente porque pequenas mudanças nas projeções de produtividade podem alterar o balanço mundial de oferta.

No Brasil, a queda de Chicago encontra alguma compensação no dólar próximo de R$ 5,10. Para o produtor, entretanto, o câmbio deixou de oferecer o mesmo apoio observado em períodos de maior valorização da moeda norte-americana.

No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a soja disponível era indicada ao redor de R$ 148,77 por saca, segundo levantamento da plataforma Grão Direto. O mercado regional permanece seletivo, com produtores avaliando a relação entre preço, custo e necessidade de caixa antes de fechar novos negócios.

Milho encontra suporte na demanda interna

O milho apresenta uma condição relativamente mais firme no mercado brasileiro. Apesar da oferta proveniente da segunda safra, o consumo das indústrias de ração e, principalmente, a expansão do etanol de milho ajudam a absorver parte importante da produção.

No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a cotação disponível estava próxima de R$ 65,55 por saca, com valorização diária de 1,06% na última referência regional publicada pela Grão Direto.

A demanda industrial cria um piso mais consistente para as cotações, especialmente nas regiões próximas às unidades consumidoras. Entretanto, o produtor precisa acompanhar os custos logísticos: uma eventual alta prolongada do diesel poderá reduzir a margem mesmo nos casos em que o preço do cereal se mantenha firme.

Boi gordo reage e futuro aponta preços mais altos

O boi gordo encerra a semana com sinais mais favoráveis ao pecuarista. A oferta de animais terminados permanece ajustada, dificultando o alongamento das escalas de abate e permitindo altas pontuais nas principais regiões produtoras.

No Triângulo Mineiro, a arroba estava cotada na quinta-feira a R$ 333,50 à vista e R$ 337 para pagamento em 30 dias. Em São Paulo, as referências chegavam a R$ 341 à vista e R$ 345 a prazo, segundo a Scot Consultoria.

Praça pecuáriaÀ vistaA prazo
Triângulo MineiroR$ 333,50/@R$ 337,00/@
São Paulo — BarretosR$ 341,00/@R$ 345,00/@
São Paulo — AraçatubaR$ 341,00/@R$ 345,00/@

Os contratos futuros indicam expectativas ainda mais elevadas para os últimos meses do ano. Os vencimentos a partir de novembro chegaram a superar R$ 380 por arroba, abrindo um ágio expressivo em relação ao mercado físico.

Esse diferencial mostra que o mercado aposta em menor disponibilidade de animais e retomada do consumo, mas também recomenda cautela. Preço futuro não é promessa: é uma expectativa sujeita ao comportamento das exportações, da demanda doméstica e das escalas dos frigoríficos.

A estratégia mais prudente para o pecuarista é avaliar instrumentos de proteção de preço para parte da produção, evitando deixar toda a margem exposta à volatilidade.

Café recua, mas oferta continua no radar

O café arábica opera em queda em Nova York, com o contrato de referência próximo de US$ 2,85 por libra-peso. O mercado passa por realização de lucros e ajustes técnicos, enquanto acompanha a oferta brasileira e as condições climáticas para a próxima safra.

Apesar do recuo diário, os estoques, o clima nas regiões produtoras e o ritmo das exportações continuam capazes de provocar oscilações intensas. No Cerrado Mineiro, o produtor também enfrenta custos elevados de mão de obra, fertilizantes, energia e irrigação.

Petróleo muda a conta do produtor

A Agência Internacional de Energia informou que a oferta mundial de petróleo poderá cair 5,7 milhões de barris por dia em 2026, diante das interrupções no Oriente Médio. A recuperação dos fluxos normais do Golfo foi adiada para 2027.

Para o agro brasileiro, os principais efeitos aparecem em quatro frentes:

  • aumento do preço do diesel e dos fretes;
  • encarecimento de fertilizantes e defensivos derivados de petróleo;
  • pressão sobre embalagens, máquinas e peças;
  • inflação dos alimentos, capaz de reduzir o consumo interno de proteínas.

Por outro lado, o petróleo mais caro pode estimular os biocombustíveis. Etanol de cana, etanol de milho, biodiesel e matérias-primas utilizadas na produção de energia renovável ganham competitividade, favorecendo usinas e cadeias integradas.

Cotações no radar

ProdutoReferênciaVariação ou situação
Soja em ChicagoUS$ 13,17/bushelQueda próxima de 1%
Soja — Triângulo/Alto ParanaíbaR$ 148,77/sacaMercado seletivo
Milho — Triângulo/Alto ParanaíbaR$ 65,55/sacaAlta de 1,06% na última referência
Boi gordo — Triângulo MineiroR$ 333,50/@Reação moderada
Café arábica em Nova YorkUS$ 2,85/libra-pesoQueda próxima de 1,2%
Açúcar nº 11 em Nova YorkUS$ 18,47 centavos/libra-pesoQueda próxima de 1,4%
Petróleo BrentUS$ 103,85/barrilQueda diária, mas forte alta semanal
Dólar comercialPróximo de R$ 5,10Menor apoio às exportaçõesFonte

Fontes: B3/Canal Rural/GrãoDireto/Scot Consultoria.

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