Alta dos juros americanos pressiona bolsas e coloca petróleo no centro dos mercados

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Rendimento dos títulos de longo prazo dispara nos Estados Unidos, enquanto Brent supera US$ 105; no Brasil, investidores acompanham projeções do Banco Central e contas públicas.

Títulos americanos mudam o humor dos mercados

Os mercados internacionais começaram esta quinta-feira (24) sob pressão de uma nova alta dos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos. O rendimento dos papéis com vencimento em 30 anos chegou a 5,44% ao ano, enquanto o dos títulos de dez anos alcançou a faixa de 5,14%. O movimento aumenta a remuneração exigida pelos investidores para financiar o governo americano e reduz o preço dos títulos já negociados.

Essa relação ajuda a entender a turbulência: quando o rendimento exigido pelo mercado sobe, o valor dos papéis antigos cai. Ao mesmo tempo, juros mais altos nos Estados Unidos tornam esses títulos mais atraentes diante de investimentos considerados arriscados, como ações. A pressão pode se espalhar para bolsas e moedas de outros países, inclusive o Brasil.

Às 7h27, os futuros do Nasdaq recuavam 1%, os do S&P 500 caíam 0,58% e os do Dow Jones perdiam 0,31%. O EWZ, fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, registrava queda de 0,67%. As cotações mostram o cenário naquele horário e podem mudar ao longo do dia.

Petróleo volta a alimentar a preocupação com a inflação

O petróleo é uma das peças centrais dessa mudança de humor. Às 7h29, o barril do Brent subia 1,97%, para US$ 105,11. A valorização reacende o temor de aumento dos custos de energia, transporte e produção. Se essa pressão chegar à inflação americana, o Federal Reserve poderá ter menos espaço para aliviar os juros — ou precisar mantê-los elevados por mais tempo.

As empresas de tecnologia ficam particularmente expostas a essa discussão. O setor reúne companhias avaliadas com base em expectativas de crescimento futuro, enquanto os investimentos em inteligência artificial exigem volumes elevados de capital agora. Com juros mais altos, o mercado passa a cobrar resultados mais claros desses projetos.

Na Europa, as principais bolsas operavam em queda por volta das 7h28: o Euro Stoxx 50 perdia 0,44%, Frankfurt recuava 0,46% e Paris, 0,43%. Londres registrava leve alta de 0,04%. Na Ásia, o CSI 300 caía 1,73% e Hong Kong recuava 0,29%, enquanto Tóquio avançava 0,76%.

Encontro entre Trump e Xi acrescenta uma variável ao dia

A reunião prevista para esta quinta-feira entre Donald Trump e Xi Jinping também concentra a atenção dos investidores. Sinais sobre tarifas, tecnologia e a relação comercial entre Estados Unidos e China podem alterar as perspectivas para cadeias produtivas, empresas de semicondutores e exportadores de commodities. O encontro, porém, ocorre num dia em que o comportamento do petróleo e dos juros americanos já impõe cautela aos mercados.

Brasil acompanha Banco Central e contas públicas

No Brasil, o Relatório de Política Monetária, divulgado pelo Banco Central nesta manhã, pode esclarecer como a instituição avalia a inflação e a atividade econômica após a redução da Selic para 13,75% ao ano. O relatório bimestral de receitas e despesas primárias, previsto para 9h15, trará uma atualização das contas do governo. Juros futuros e dólar podem reagir às projeções e aos números apresentados.

Para o agronegócio, o Brent acima de US$ 105 chama atenção pelos possíveis efeitos sobre diesel, fretes e insumos. O dólar também terá peso na conta: pode elevar a receita em reais das exportações, mas encarece custos atrelados à moeda americana. É por isso que a direção das bolsas, isoladamente, não conta toda a história para o produtor rural.

O dia começa, portanto, com duas forças que precisam ser acompanhadas juntas: o custo do dinheiro, expresso nos juros americanos, e o custo da energia, refletido no petróleo. O encontro entre Trump e Xi pode mudar as expectativas para o comércio mundial, mas a reação dos mercados dependerá dos sinais concretos que saírem da reunião.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou eventoO que observar
8hRelatório de Política Monetária do Banco CentralProjeções para inflação e atividade econômica
9h15Relatório bimestral de receitas e despesas primáriasSituação das contas do governo
9h30Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUASinais do mercado de trabalho americano
11hEntrevista do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e de Diogo Guillen PicchettiExplicações sobre o relatório de política monetária
18hReunião do Conselho Monetário NacionalDecisões e comunicados do conselho
Ao longo do diaPesquisas eleitorais Datafolha e Real Time Big DataPossíveis efeitos sobre as expectativas do mercado
Ao longo do diaEncontro entre Donald Trump e Xi JinpingSinais para comércio e tecnologia

Horários informados na agenda enviada para esta quinta-feira (24).

Mercados internacionais

Estados Unidos — futuros

Índice ou ativoVariação
S&P 500−0,58%
Nasdaq−1,00%
Dow Jones−0,31%
EWZ — ações brasileiras em Nova York−0,67%

Dados às 7h27.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50−0,44%
Londres — FTSE 100+0,04%
Frankfurt — DAX−0,46%
Paris — CAC 40−0,43%

Dados às 7h28.

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300−1,73%
Hong Kong — Hang Seng−0,29%
Japão — Nikkei+0,76%

Dados informados no boletim da manhã.

Commodities

AtivoCotaçãoVariação
Petróleo BrentUS$ 105,11 por barril+1,97%
Minério de ferroUS$ 95,60−0,16%

Dados às 7h29. Cotações sujeitas a mudanças durante o pregão.

Fontes: boletim de mercado enviado por você; Banco Central do Brasil para a agenda do Relatório de Política Monetária.

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