Petróleo e demanda por farelo sustentam soja enquanto milho enfrenta pressão da safra

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Alta da energia, clima nos Estados Unidos e maior procura por derivados movimentam a soja; no Brasil, milho permanece limitado pela oferta, café oscila e boi gordo ensaia recuperação

O mercado agropecuário começa esta quinta-feira, 23 de julho, dividido entre a valorização das commodities internacionais, o avanço do petróleo e a pressão exercida pela grande oferta brasileira de grãos.

A soja opera com sustentação na Bolsa de Chicago, beneficiada pela alta do óleo de soja, pelo petróleo acima de US$ 98 por barril e pelas preocupações com o clima nas áreas produtoras dos Estados Unidos. No Brasil, os prêmios de exportação e o aumento da procura por farelo também ajudam a melhorar os preços.

O milho, por outro lado, continua encontrando resistência. O avanço da colheita da segunda safra amplia a disponibilidade interna e pressiona as cotações em algumas regiões. O comportamento não é uniforme, praças com demanda mais firme ou dificuldades logísticas conseguem sustentar preços, enquanto áreas próximas da colheita registram maior pressão vendedora.

Soja ganha apoio do óleo e da demanda por farelo

Os contratos da soja fecharam a quarta-feira em alta superior a 1% em Chicago. O vencimento de agosto terminou cotado a US$ 12,33 por bushel, enquanto novembro alcançou US$ 12,39.

Nesta manhã, a oleaginosa voltou a operar com sustentação. O óleo de soja avançava cerca de 0,8%, acompanhando a valorização do petróleo e a perspectiva de maior demanda por biocombustíveis.

No mercado brasileiro, o aumento da procura mundial por farelo elevou a disputa entre compradores domésticos e exportadores. Segundo o Cepea, esse movimento fortaleceu os prêmios de exportação e os preços FOB, com reflexos positivos nas cotações internas.

O cenário melhora as oportunidades de comercialização, mas exige atenção ao câmbio. A valorização do real reduz parte do ganho proporcionado por Chicago e pelos prêmios nos portos.

Milho sente o peso da segunda safra

O milho apresenta comportamento mais cauteloso. Na B3, o contrato com vencimento em setembro era negociado perto de R$ 70 por saca, com leve queda nesta manhã.

A entrada da segunda safra aumenta a disponibilidade do cereal e mantém compradores mais seletivos. Em algumas regiões, produtores seguram a oferta na expectativa de recuperação dos preços; em outras, a necessidade de liberar armazéns e reforçar o caixa acelera as vendas.

A Conab estima que a produção brasileira de grãos chegará a 360,1 milhões de toneladas na safra 2025/2026, crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior. O volume reforça a necessidade de planejamento logístico e comercial, especialmente para milho, soja e algodão.

Boi gordo reage e contratos futuros superam R$ 350

Depois de um início de julho pressionado pela baixa liquidez e pela cautela dos frigoríficos, o mercado do boi gordo começa a apresentar reação.

O contrato de julho era negociado perto de R$ 345 por arroba na B3. Os vencimentos seguintes já apontam valores superiores a R$ 350, refletindo expectativa de menor oferta de animais terminados e continuidade da demanda externa por carne bovina.

Negócios no mercado físico de São Paulo também começaram a alcançar a faixa de R$ 345 por arroba. A reação, entretanto, ainda não é uniforme entre as praças pecuárias. O produtor deve observar escalas de abate, exportações, consumo doméstico e capacidade de compra dos frigoríficos antes de assumir uma tendência consolidada.

Café permanece volátil durante a colheita

O café arábica oscila próximo de 316 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. O mercado continua dividido entre a pressão da entrada da safra brasileira e as preocupações climáticas.

No Brasil, o avanço da colheita aumenta a disponibilidade, mas os preços ainda encontram suporte no menor volume exportado. Segundo o Cepea, os embarques brasileiros recuaram na temporada 2025/2026, enquanto a receita permaneceu relativamente estável, compensada pelas cotações elevadas ao longo do ciclo.

Para o produtor, o momento exige cuidado com vendas concentradas. A elevada volatilidade internacional pode abrir oportunidades pontuais, mas também produzir correções rápidas.

Petróleo caro pressiona custos do campo

A alta do petróleo representa uma faca de dois gumes para o agro. De um lado, favorece o óleo de soja, o etanol e a demanda por matérias-primas destinadas aos biocombustíveis. De outro, encarece diesel, fretes, defensivos, fertilizantes e operações mecanizadas.

Com o Brent próximo de US$ 100 por barril, aumenta o risco de pressão sobre os custos da próxima safra. Produtores que ainda precisam contratar transporte ou comprar insumos devem acompanhar não apenas as cotações agrícolas, mas também petróleo, dólar e frete marítimo.

Clima exige atenção no Sul e no Brasil central

O Inmet prevê chuvas superiores a 100 milímetros em algumas localidades da Região Sul, além de precipitações em Mato Grosso do Sul, São Paulo e áreas do Nordeste e do extremo Norte.

No Brasil central, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30%. O tempo seco favorece a colheita do milho de segunda safra e do algodão, mas aumenta o risco de incêndios, reduz a umidade do solo e exige maior atenção ao manejo das lavouras e pastagens.

Radar do produtor

📌 Soja recebe suporte do óleo, do petróleo e da demanda por farelo.
📌 Prêmios de exportação ajudam a sustentar os preços no Brasil.
📌 Milho continua pressionado pelo avanço da segunda safra.
📌 Boi gordo reage e contratos futuros superam R$ 350 por arroba.
📌 Café oscila entre avanço da colheita e menor volume exportado.
📌 Petróleo próximo de US$ 100 pode elevar diesel, fretes e insumos.
📌 Chuvas fortes no Sul contrastam com baixa umidade no Brasil central.

Mercado futuro no Brasil

Produto e contratoCotaçãoVariação
Milho — setembro/26R$ 70,02 por saca-0,13%
Café — setembro/26381,00 cents/lb-0,26%
Boi gordo — julho/26R$ 344,75 por arroba+0,26%

Dados da B3 por volta das 8h14.

Soja na Bolsa de Chicago

ContratoFechamentoVariação
Agosto/26US$ 12,33/bushel+1,11%
Setembro/26US$ 12,26/bushel+1,28%
Novembro/26US$ 12,39/bushel+1,33%
Janeiro/27US$ 12,53/bushel+1,29%

Fechamento de 22 de julho.

Indicadores que influenciam o agro

IndicadorCotação ou movimento
Petróleo Brentacima de US$ 98 por barril
Dólar à vista no fechamento anterioraproximadamente R$ 5,05
Óleo de soja em Chicago+0,82%
Café arábica em Nova Yorkpróximo de 316 cents/lb
Safra brasileira de grãos360,1 milhões de toneladas

Fontes: Cepea, Conab, Inmet, Notícias Agrícolas — cotações e CME Group via Notícias Agrícolas

Leia também:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *