Alta da energia, clima nos Estados Unidos e maior procura por derivados movimentam a soja; no Brasil, milho permanece limitado pela oferta, café oscila e boi gordo ensaia recuperação
O mercado agropecuário começa esta quinta-feira, 23 de julho, dividido entre a valorização das commodities internacionais, o avanço do petróleo e a pressão exercida pela grande oferta brasileira de grãos.
A soja opera com sustentação na Bolsa de Chicago, beneficiada pela alta do óleo de soja, pelo petróleo acima de US$ 98 por barril e pelas preocupações com o clima nas áreas produtoras dos Estados Unidos. No Brasil, os prêmios de exportação e o aumento da procura por farelo também ajudam a melhorar os preços.
O milho, por outro lado, continua encontrando resistência. O avanço da colheita da segunda safra amplia a disponibilidade interna e pressiona as cotações em algumas regiões. O comportamento não é uniforme, praças com demanda mais firme ou dificuldades logísticas conseguem sustentar preços, enquanto áreas próximas da colheita registram maior pressão vendedora.
Soja ganha apoio do óleo e da demanda por farelo

Os contratos da soja fecharam a quarta-feira em alta superior a 1% em Chicago. O vencimento de agosto terminou cotado a US$ 12,33 por bushel, enquanto novembro alcançou US$ 12,39.
Nesta manhã, a oleaginosa voltou a operar com sustentação. O óleo de soja avançava cerca de 0,8%, acompanhando a valorização do petróleo e a perspectiva de maior demanda por biocombustíveis.
No mercado brasileiro, o aumento da procura mundial por farelo elevou a disputa entre compradores domésticos e exportadores. Segundo o Cepea, esse movimento fortaleceu os prêmios de exportação e os preços FOB, com reflexos positivos nas cotações internas.
O cenário melhora as oportunidades de comercialização, mas exige atenção ao câmbio. A valorização do real reduz parte do ganho proporcionado por Chicago e pelos prêmios nos portos.
Milho sente o peso da segunda safra
O milho apresenta comportamento mais cauteloso. Na B3, o contrato com vencimento em setembro era negociado perto de R$ 70 por saca, com leve queda nesta manhã.
A entrada da segunda safra aumenta a disponibilidade do cereal e mantém compradores mais seletivos. Em algumas regiões, produtores seguram a oferta na expectativa de recuperação dos preços; em outras, a necessidade de liberar armazéns e reforçar o caixa acelera as vendas.
A Conab estima que a produção brasileira de grãos chegará a 360,1 milhões de toneladas na safra 2025/2026, crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior. O volume reforça a necessidade de planejamento logístico e comercial, especialmente para milho, soja e algodão.
Boi gordo reage e contratos futuros superam R$ 350
Depois de um início de julho pressionado pela baixa liquidez e pela cautela dos frigoríficos, o mercado do boi gordo começa a apresentar reação.
O contrato de julho era negociado perto de R$ 345 por arroba na B3. Os vencimentos seguintes já apontam valores superiores a R$ 350, refletindo expectativa de menor oferta de animais terminados e continuidade da demanda externa por carne bovina.
Negócios no mercado físico de São Paulo também começaram a alcançar a faixa de R$ 345 por arroba. A reação, entretanto, ainda não é uniforme entre as praças pecuárias. O produtor deve observar escalas de abate, exportações, consumo doméstico e capacidade de compra dos frigoríficos antes de assumir uma tendência consolidada.
Café permanece volátil durante a colheita
O café arábica oscila próximo de 316 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. O mercado continua dividido entre a pressão da entrada da safra brasileira e as preocupações climáticas.
No Brasil, o avanço da colheita aumenta a disponibilidade, mas os preços ainda encontram suporte no menor volume exportado. Segundo o Cepea, os embarques brasileiros recuaram na temporada 2025/2026, enquanto a receita permaneceu relativamente estável, compensada pelas cotações elevadas ao longo do ciclo.
Para o produtor, o momento exige cuidado com vendas concentradas. A elevada volatilidade internacional pode abrir oportunidades pontuais, mas também produzir correções rápidas.
Petróleo caro pressiona custos do campo
A alta do petróleo representa uma faca de dois gumes para o agro. De um lado, favorece o óleo de soja, o etanol e a demanda por matérias-primas destinadas aos biocombustíveis. De outro, encarece diesel, fretes, defensivos, fertilizantes e operações mecanizadas.
Com o Brent próximo de US$ 100 por barril, aumenta o risco de pressão sobre os custos da próxima safra. Produtores que ainda precisam contratar transporte ou comprar insumos devem acompanhar não apenas as cotações agrícolas, mas também petróleo, dólar e frete marítimo.
Clima exige atenção no Sul e no Brasil central
O Inmet prevê chuvas superiores a 100 milímetros em algumas localidades da Região Sul, além de precipitações em Mato Grosso do Sul, São Paulo e áreas do Nordeste e do extremo Norte.
No Brasil central, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30%. O tempo seco favorece a colheita do milho de segunda safra e do algodão, mas aumenta o risco de incêndios, reduz a umidade do solo e exige maior atenção ao manejo das lavouras e pastagens.
Radar do produtor
📌 Soja recebe suporte do óleo, do petróleo e da demanda por farelo.
📌 Prêmios de exportação ajudam a sustentar os preços no Brasil.
📌 Milho continua pressionado pelo avanço da segunda safra.
📌 Boi gordo reage e contratos futuros superam R$ 350 por arroba.
📌 Café oscila entre avanço da colheita e menor volume exportado.
📌 Petróleo próximo de US$ 100 pode elevar diesel, fretes e insumos.
📌 Chuvas fortes no Sul contrastam com baixa umidade no Brasil central.
Mercado futuro no Brasil
| Produto e contrato | Cotação | Variação |
|---|---|---|
| Milho — setembro/26 | R$ 70,02 por saca | -0,13% |
| Café — setembro/26 | 381,00 cents/lb | -0,26% |
| Boi gordo — julho/26 | R$ 344,75 por arroba | +0,26% |
Dados da B3 por volta das 8h14.
Soja na Bolsa de Chicago
| Contrato | Fechamento | Variação |
|---|---|---|
| Agosto/26 | US$ 12,33/bushel | +1,11% |
| Setembro/26 | US$ 12,26/bushel | +1,28% |
| Novembro/26 | US$ 12,39/bushel | +1,33% |
| Janeiro/27 | US$ 12,53/bushel | +1,29% |
Fechamento de 22 de julho.
Indicadores que influenciam o agro
| Indicador | Cotação ou movimento |
|---|---|
| Petróleo Brent | acima de US$ 98 por barril |
| Dólar à vista no fechamento anterior | aproximadamente R$ 5,05 |
| Óleo de soja em Chicago | +0,82% |
| Café arábica em Nova York | próximo de 316 cents/lb |
| Safra brasileira de grãos | 360,1 milhões de toneladas |
Fontes: Cepea, Conab, Inmet, Notícias Agrícolas — cotações e CME Group via Notícias Agrícolas
Leia também:















