Nova York tenta reagir ao Fed, mas inflação e PIB podem mudar o rumo dos mercados

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Futuros americanos avançam após a forte queda da véspera, enquanto juros longos, petróleo e indicadores econômicos mantêm investidores em alerta

Os mercados internacionais ensaiam uma recuperação nesta quinta-feira, 30 de julho, depois da forte liquidação provocada pela decisão do Federal Reserve de manter os juros americanos entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Às 7h43, os futuros do S&P 500 avançavam 0,48%, os do Nasdaq subiam 1,05% e os do Dow Jones ganhavam 0,28%. O movimento ocorre depois de o Nasdaq acumular queda de aproximadamente 10% em relação ao pico registrado em junho.

A recuperação das bolsas, entretanto, convive com um sinal preocupante no mercado de renda fixa. O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 30 anos alcançou o maior nível desde 2007. Isso demonstra que, apesar da tentativa de recuperação das ações, investidores continuam exigindo juros maiores para financiar o governo dos Estados Unidos no longo prazo.

O mercado questiona se o Fed conseguirá manter a taxa inalterada diante da inflação ainda elevada. A decisão de quarta-feira expôs uma forte divisão interna: três integrantes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.

Inflação e PIB podem recolocar o Fed em xeque

A agenda americana poderá mudar o rumo dos negócios a partir das 9h30. Serão divulgados a inflação PCE de junho, a primeira leitura do PIB do segundo trimestre e os pedidos semanais de auxílio-desemprego.

O PCE é o indicador de inflação usado como principal referência pelo Federal Reserve. Na leitura anterior, acumulava alta de 4,1% em 12 meses, mais do que o dobro da meta de 2% perseguida pelo banco central.

O PIB também será observado com atenção, especialmente pelos efeitos dos combustíveis mais caros sobre o consumo das famílias. Uma economia ainda aquecida, acompanhada de inflação persistente, poderá reforçar as apostas em aumento dos juros na reunião de setembro.

Petróleo sobe e minério recua

O petróleo Brent operava a US$ 90,85 por barril, com alta de 0,12%, após novos bombardeios americanos contra o Irã. A commodity permanece sujeita a fortes oscilações diante dos riscos para o abastecimento no Oriente Médio.

O minério de ferro seguia na direção contrária, com queda de 2,46%, cotado a US$ 95,70. O recuo pode pressionar Vale e siderúrgicas brasileiras, reduzindo parte do impulso positivo vindo do exterior.

EWZ indica recuperação do mercado brasileiro

O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, avançava 1,75% nesta manhã. O desempenho sinaliza uma possível recuperação do Ibovespa, que caiu 1,52% na quarta-feira e encerrou o pregão aos 173.885 pontos.

No Brasil, investidores acompanham a taxa de desemprego, o IGP-M, os dados de crédito, a arrecadação federal e o resultado primário do Governo Central.

No ambiente corporativo, Ambev e Usiminas divulgam seus resultados antes da abertura. Depois do fechamento, será a vez de Vale, Multiplan e EcoRodovias. Nos Estados Unidos, Amazon e Apple apresentam seus balanços após o encerramento do pregão.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
8hBrasil: IGP-M de julho
ManhãBrasil: PNAD Contínua
Durante o diaBrasil: resultado primário do Governo Central
Durante o diaBrasil: geração de empregos pelo Caged
9h30EUA: PIB do segundo trimestre
9h30EUA: inflação PCE de junho
9h30EUA: renda e gastos pessoais
9h30EUA: pedidos semanais de seguro-desemprego
Durante o diaBanco da Inglaterra: decisão de juros
Após o fechamentoBalanços de Apple e Amazon

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorMovimento
Dow Jones — fechamento anterior-2,19%
S&P 500 — fechamento anterior-1,52%
Nasdaq — fechamento anterior-1,74%
Treasury de 30 anos5,239%
Juros do Fed3,50% a 3,75%

Os números do PIB e da inflação PCE poderão alterar rapidamente as apostas para a reunião de setembro. O mercado passou a atribuir probabilidade superior a 60% para uma elevação dos juros, mas essa projeção continuará sujeita à volatilidade do petróleo e aos dados desta manhã.

Europa

ÍndiceMovimento aproximado
Stoxx 600+0,4%
FTSE 100estabilidade/leve alta
DAXpróximo da estabilidade
CAC 40+0,8%

As bolsas europeias operam sem direção única, divididas entre os balanços corporativos e as preocupações com a guerra. O FTSE 100 chegou a renovar máxima histórica, apoiado por mineradoras e empresas industriais. O Banco da Inglaterra manteve os juros em 3,75%, mas reconheceu o risco inflacionário provocado pela energia.

Ásia

ÍndiceFechamento
Nikkei — Japão+0,71%
Hang Seng — Hong Kong+0,20%
Kospi — Coreia do Sul-1,2%
Sensex — Índia+0,35%

O mercado asiático terminou misto. O Japão avançou com ações de eletrônicos, enquanto a Coreia do Sul voltou a cair em meio às dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. Samsung apresentou forte crescimento do lucro, mas a reação do mercado permaneceu cautelosa.

Commodities

ProdutoCotação aproximadaTendência
Petróleo Brentem torno de US$ 90Volátil
Petróleo WTIentre US$ 83 e US$ 85Pressionado após forte alta
OuroUS$ 4.062 por onçaEstável
Minério de ferroSem direção firmeCautela com a China

O petróleo continua sendo o principal termômetro do risco geopolítico. Qualquer sinal de interrupção no Estreito de Ormuz ou no Bab el-Mandeb poderá provocar nova disparada das cotações.

Tendências do dia

O Ibovespa poderá encontrar sustentação em Petrobras, Vale e empresas exportadoras, mas continuará vulnerável à alta dos juros longos americanos e à reação do mercado aos indicadores dos Estados Unidos.

O dólar tende a permanecer volátil. Um PCE acima do esperado reforçará a possibilidade de alta dos juros pelo Fed e poderá fortalecer a moeda americana. Já uma inflação mais moderada abrirá espaço para recuperação dos ativos de risco.

Radar do investidor

📌 Fed mantém os juros, mas divisão interna aumenta a incerteza sobre setembro.
📌 Treasury de 30 anos alcança o maior rendimento desde 2007.
📌 Estados Unidos retomam ataques contra o Irã e mantêm petróleo volátil.
📌 Microsoft avança com crescimento do Azure, enquanto Meta preocupa pelo custo da IA.
📌 PIB e inflação PCE dos Estados Unidos podem definir o rumo do pregão.
📌 Vale, Ambev, Usiminas e Multiplan divulgam resultados.
📌 Petrobras pode encontrar apoio nas cotações elevadas do petróleo.
📌 Ibovespa tenta reagir após cair 1,52% na quarta-feira.

Fontes: Ibovespa/Reuters/FGV/BEA

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