Corrida eleitoral volta a fazer preço e amplia volatilidade do Ibovespa

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Mercado brasileiro tenta recuperação após queda de 2,5%, enquanto investidores acompanham inflação nos Estados Unidos, petróleo e uma extensa agenda de balanços corporativos.

A corrida eleitoral voltou a fazer preço no mercado brasileiro. Depois de meses em que as atenções estiveram concentradas nos juros, na inflação e no cenário internacional, pesquisas eleitorais, declarações de candidatos e expectativas sobre a política econômica passaram a influenciar com mais intensidade as decisões dos investidores.

Na terça-feira (11), o Ibovespa caiu 2,5%, aos 167.874 pontos, no menor nível desde janeiro. O dólar avançou e fechou próximo de R$ 5,16. A reação refletiu uma combinação de fatores: aumento da percepção de risco eleitoral, IPCA ligeiramente acima das projeções, sinalização cautelosa do Banco Central e rebaixamento da recomendação para as ações brasileiras pelo JPMorgan. O banco reduziu a avaliação do país de “acima da média” para “neutra”, citando juros elevados, desaceleração econômica e volatilidade política.

Nesta quarta-feira (12), o EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha as principais ações brasileiras, avançava 0,35% antes da abertura, acompanhando a alta dos futuros dos Estados Unidos. O movimento indica uma tentativa de recuperação, mas ainda não assegura uma abertura positiva do Ibovespa.

A partir de agora, a Bolsa deverá ficar mais sensível às pesquisas de intenção de voto e, principalmente, às propostas econômicas dos candidatos. O mercado tentará antecipar qual será o compromisso de cada candidatura com o equilíbrio fiscal, o controle da dívida pública, as reformas e a condução da política econômica.

Isso não significa que toda queda da Bolsa será provocada pela eleição. O pregão anterior mostrou exatamente o contrário: fatores políticos, fiscais, monetários e internacionais atuaram simultaneamente. O período eleitoral aumenta a sensibilidade dos preços, mas não elimina o peso dos fundamentos econômicos.

Inflação americana pode definir o humor do dia

No exterior, o principal indicador desta quarta-feira será o Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos, o CPI de julho, previsto para as 9h30.

As projeções indicam alta mensal de 0,1%, depois da queda de 0,4% registrada em junho. Em 12 meses, a inflação americana deve chegar a 3,4%, ainda distante da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.

Uma inflação abaixo do esperado pode favorecer os ativos de risco ao reforçar a expectativa de uma política monetária menos restritiva. Um resultado acima das projeções, entretanto, poderá pressionar os juros dos títulos americanos, fortalecer o dólar e provocar nova saída de recursos dos mercados emergentes.

Petróleo mantém risco inflacionário no radar

A desaceleração recente dos combustíveis ajudou a conter a inflação, mas esse alívio pode ser temporário. As negociações para ampliar a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz não avançaram como o mercado esperava, mantendo as incertezas sobre a oferta global.

Segundo os dados apresentados no relatório mensal da Agência Internacional de Energia, as exportações de petróleo do Oriente Médio, que chegaram a aproximadamente 20 milhões de barris por dia no começo de julho, recuaram para 12 milhões no fim do mês. A projeção aponta déficit de 1,8 milhão de barris por dia no mercado durante o terceiro trimestre.

O petróleo mais caro pode voltar a pressionar combustíveis, transportes e cadeias produtivas, dificultando a desaceleração da inflação tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Na terça-feira, o IBGE informou que o IPCA brasileiro desacelerou para 0,07% em julho, acumulando 4,44% em 12 meses. Apesar da melhora, a inflação de serviços permanece resistente.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
5hAIE divulga o relatório mensal do mercado de petróleo
9hIBGE publica a Pesquisa Mensal de Serviços de junho
9h30Estados Unidos divulgam o CPI de julho
11h30Estados Unidos informam os estoques semanais de petróleo
14h30Banco Central publica o fluxo cambial semanal
Sem horário definidoOpep divulga o relatório mensal de petróleo

A divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços nesta quarta-feira está confirmada no calendário oficial do IBGE.

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500+0,29%
Futuros do Nasdaq+0,71%
Futuros do Dow Jones+0,13%
EWZ+0,35%

Dados registrados às 7h27.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50+0,24%
Londres — FTSE 100+0,06%
Frankfurt — DAX+0,43%
Paris — CAC 40-0,04%

Dados registrados às 7h29.

Ásia

MercadoVariação
China — CSI 300+0,58%
Hong Kong — Hang Seng-0,83%
Japão — Nikkei+0,83%

Commodities

AtivoVariaçãoCotação
Petróleo Brent-0,19%US$ 88,74 por barril
Minério de ferro-0,02%US$ 95,75

Dados registrados às 7h30.

Balanços corporativos

Após o fechamento do mercado, divulgam resultados: Banco do Brasil, CSN, CSN Mineração, Suzano, Casas Bahia, Equatorial, Hapvida, MRV, Rede D’Or, Rumo, Sabesp, Copasa, Minerva, SLC Agrícola, Ultrapar, Americanas, Azzas, Cogna, CVC, Eneva, Kepler Weber, Positivo, Qualicorp e Vittia.

Fontes: IBGE, Agência Internacional de Energia, Banco Central, Reuters e dados do mercado financeiro.

Leia também:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *