Expectativa por encontro entre Trump e Xi impulsiona mercados globais

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Bolsas avançam com perspectivas de redução das tensões comerciais, valorização das empresas de tecnologia e queda do petróleo; no Brasil, investidores acompanham o Boletim Focus e a reta final das eleições.

Diplomacia entre Estados Unidos e China anima investidores

Os mercados internacionais começaram esta segunda-feira (21) em alta, favorecidos pela expectativa em torno do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping. A reunião deverá ocorrer durante uma agenda prevista entre quarta e sexta-feira, de 23 a 25 de setembro.

Embora o mercado não espere necessariamente um acordo amplo, qualquer sinal de redução das tensões entre as duas maiores economias do mundo poderá melhorar as perspectivas para o comércio internacional, as cadeias produtivas e os investimentos.

As conversas deverão envolver tarifas comerciais, exportações de tecnologia, inteligência artificial e questões geopolíticas. Esses temas afetam diretamente empresas de semicondutores, mineração, logística, agronegócio e indústria.

Um dos sinais de distensão veio do mercado cambial. O yuan atingiu o maior valor em mais de três anos diante do dólar, após o Banco Popular da China reduzir a resistência à valorização da moeda. O movimento foi interpretado como uma tentativa de criar um ambiente mais estável antes do encontro entre os dois presidentes.

Tecnologia reforça o movimento de alta

O avanço das bolsas também recebe impulso das empresas ligadas à inteligência artificial. A expectativa de manutenção dos investimentos em centros de dados, chips e infraestrutura tecnológica favorece as ações do setor.

Os futuros do Nasdaq subiam 1,11% por volta das 7h36, enquanto o S&P 500 avançava 0,69% e o Dow Jones registrava alta de 0,63%.

Na Europa, o movimento também era positivo. O Euro Stoxx 50 avançava 1,31%, acompanhado pelas bolsas de Londres, Frankfurt e Paris. As ações de tecnologia lideravam os ganhos, enquanto os papéis de empresas de energia recuavam com a queda do petróleo.

A inteligência artificial, entretanto, continua sendo uma fonte simultânea de entusiasmo e preocupação. Uma desaceleração abrupta dos investimentos poderia pressionar empresas que atingiram avaliações elevadas. Por outro lado, a expansão descontrolada da tecnologia aumenta as discussões sobre segurança, regulação e concentração econômica.

Petróleo recua, mas permanece acima de US$ 100

O petróleo Brent caía 2,80%, negociado a US$ 100,96 por barril no início da manhã. A retração está relacionada ao aumento dos fluxos de exportação da Arábia Saudita e às tentativas de recuperação de infraestruturas atingidas pelos conflitos no Oriente Médio.

A possibilidade de avanços diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã também contribui para retirar parte do prêmio de risco acumulado nas últimas semanas.

Mesmo com a queda, o petróleo permanece em patamar elevado. Isso significa que os riscos inflacionários não desapareceram. Uma nova escalada militar ou ameaça ao transporte de cargas na região poderá provocar outra rodada de valorização.

Para o Brasil, o recuo traz efeitos mistos. Pode reduzir a pressão sobre combustíveis, fretes e inflação, mas tende a limitar o desempenho das ações da Petrobras. Já empresas consumidoras de energia e setores dependentes de transporte podem ser beneficiados.

Brasil acompanha juros, inflação e eleições

No mercado brasileiro, o EWZ, fundo que representa as principais ações brasileiras negociadas em Nova York, avançava 0,72% pela manhã, indicando uma abertura positiva para a Bolsa.

O Boletim Focus mostrou aumento da projeção do IPCA de 2026 para 4,92%, acima do teto da meta de inflação. Ao mesmo tempo, os economistas passaram a projetar a Selic em 13,50% ao final do ano, indicando a possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual.

A combinação merece atenção. A perspectiva de juros menores favorece ações, crédito e atividade econômica, mas a inflação resistente reduz o espaço para uma flexibilização mais rápida da política monetária.

O dólar começou a manhã em queda, negociado próximo de R$ 5,12, influenciado pela melhora do ambiente externo, pelo recuo do petróleo e pelas novas projeções para os juros brasileiros.

Além dos indicadores econômicos, o mercado acompanha as pesquisas Quaest e BTG Nexus para a Presidência da República. Com a eleição se aproximando, propostas fiscais, alianças políticas e sinais sobre a condução da economia tendem a provocar maior oscilação nos ativos brasileiros.

Cautela continua necessária

O ambiente desta manhã é favorável aos ativos de risco, mas ainda não representa uma mudança definitiva de cenário. O encontro entre Trump e Xi poderá reduzir tensões comerciais, mas também poderá produzir apenas declarações diplomáticas sem resultados concretos.

O mesmo vale para o petróleo: a queda alivia a pressão inflacionária no curto prazo, porém o risco geopolítico continua elevado.

O otimismo existe e aparece nas telas, mas permanece condicionado à política internacional, aos juros americanos e à capacidade das duas maiores economias do mundo de transformar discursos em acordos.

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