Mercado inicia semana entre alívio externo e cautela com inflação e petróleo

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Bolsas asiáticas avançam, Europa opera sem direção única e futuros de Nova York apontam leve alta, enquanto investidores acompanham as negociações sobre o Estreito de Ormuz e aguardam novos dados de inflação nos Estados Unidos.

Os mercados internacionais iniciam esta segunda-feira (10) com viés moderadamente positivo, sustentados pelo avanço das bolsas asiáticas, pela expectativa de juros menos pressionados nos Estados Unidos e por sinais de negociação para a reabertura do Estreito de Ormuz. O movimento, entretanto, permanece limitado pela instabilidade no Oriente Médio, pelo comportamento do petróleo e pela divulgação, nesta semana, da inflação norte-americana.

No Brasil, o Ibovespa tenta se recuperar da queda de 1,76% registrada na sexta-feira, quando encerrou aos 172.455 pontos, pressionado principalmente por Petrobras e pela repercussão dos balanços corporativos. O cenário externo oferece algum apoio, mas o desempenho da bolsa brasileira continuará sensível ao petróleo, ao minério de ferro, aos juros futuros e às novas projeções econômicas do Boletim Focus.

A retomada dos trabalhos no Congresso também entra no radar. Deputados e senadores iniciam uma semana de esforço concentrado em plena campanha eleitoral, com matérias econômicas e sociais represadas. O calendário político pode aumentar a volatilidade dos ativos domésticos caso avance alguma proposta com impacto fiscal.

Emprego fraco nos Estados Unidos reduz pressão sobre o Fed

O relatório de emprego divulgado na sexta-feira mostrou a eliminação de 23 mil vagas nos Estados Unidos em julho, resultado pior do que o esperado. Os números anteriores também foram revisados para baixo, reforçando os sinais de desaceleração do mercado de trabalho.

A leitura reduziu as apostas em novas altas dos juros pelo Federal Reserve e ajudou as bolsas norte-americanas a encerrarem mais uma semana de ganhos. O S&P 500 alcançou novo recorde, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram.

Nesta manhã, os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq operam com pequenas altas. O mercado, porém, evita movimentos mais fortes antes da divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira.

A expectativa é de inflação anual de 3,4% em julho, enquanto o núcleo do índice — que exclui itens mais voláteis — deve ficar próximo de 2,5%. Uma leitura acima do esperado poderá reacender a pressão sobre os juros; números mais baixos fortaleceriam a perspectiva de manutenção das taxas pelo Fed.

Petróleo encontra equilíbrio precário em Ormuz

O petróleo apresenta variações limitadas, com o Brent negociado ao redor de US$ 83,50 por barril. Investidores acompanham as negociações entre Irã e Omã para estabelecer uma rota de navegação no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de energia.

O Irã condiciona a normalização do tráfego marítimo a concessões dos Estados Unidos, entre elas a suspensão de sanções e a liberação de ativos iranianos. A ausência de um acordo definitivo mantém um prêmio de risco sobre as cotações.

Para o mercado brasileiro, o petróleo produz efeitos contraditórios. A valorização pode favorecer Petrobras e outras companhias do setor, mas também aumenta o risco de inflação, pressiona combustíveis e dificulta a redução dos juros.

Ásia avança com tecnologia e expectativa de juros menores

As bolsas asiáticas encerraram a sessão majoritariamente em alta. O destaque foi o Japão, onde o Nikkei avançou aproximadamente 2,1%, impulsionado por empresas dos setores de tecnologia, semicondutores e metais.

Hong Kong e China continental também registraram ganhos, enquanto a Coreia do Sul apresentou avanço mais moderado. Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 recuou.

O movimento refletiu a combinação entre dados mais fracos do emprego norte-americano, redução dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos e expectativa de menor pressão monetária sobre as economias globais.

Europa opera sem direção única

As bolsas europeias começaram o dia próximas da estabilidade. O índice pan-europeu Stoxx 600 apresentava pequena valorização, enquanto Frankfurt avançava e Londres e Paris recuavam levemente.

Os investidores avaliam resultados corporativos e os efeitos de uma possível desaceleração norte-americana. A Europa também acompanha a inflação, a atividade econômica e os riscos energéticos associados ao Oriente Médio.

Brasil busca recuperação após queda do Ibovespa

O mercado doméstico começa a semana tentando recompor parte das perdas da sexta-feira. O corte da Selic para 14% ao ano oferece algum suporte aos ativos de risco, mas a comunicação cautelosa do Banco Central reduziu as apostas em uma sequência automática de novas reduções.

O Copom deixou claro que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação, das expectativas econômicas, do mercado de trabalho e do cenário fiscal. O resultado é um ambiente no qual cada indicador pode provocar ajustes importantes na curva de juros.

O Boletim Focus desta manhã será observado para verificar se o mercado continua reduzindo sua projeção para a inflação e se passou a incorporar novos cortes na Selic. Na edição anterior, a expectativa para o IPCA de 2026 estava próxima de 5,03%, enquanto o crescimento estimado do PIB permanecia ao redor de 1,99%.

Vale, Petrobras, bancos e empresas ligadas ao consumo devem concentrar as atenções. O petróleo pode oferecer suporte à Petrobras, mas minério, câmbio e juros continuarão determinantes para a direção do Ibovespa.

Tendências do dia

O mercado brasileiro encontra um exterior relativamente favorável, mas não inteiramente tranquilo. Os dados fracos de emprego nos Estados Unidos reduzem a pressão por juros mais altos, enquanto a recuperação das bolsas asiáticas melhora o apetite por risco.

Em sentido contrário, o petróleo permanece vulnerável às notícias envolvendo o Estreito de Ormuz. No ambiente doméstico, as novas projeções do Focus, o comportamento dos juros futuros e o retorno do Congresso devem influenciar os negócios.

A tendência inicial é de tentativa de recuperação do Ibovespa, com volatilidade concentrada em Petrobras, Vale e bancos. O dólar poderá perder força se prevalecer o alívio internacional, mas o cenário político e fiscal limita movimentos mais consistentes.

Agenda econômica

HorárioPaísIndicador ou eventoRelevância
ManhãBrasilBoletim FocusAtualiza projeções para inflação, PIB, dólar e Selic
Durante o diaBrasilRetorno do Congresso em esforço concentradoMercado acompanha projetos com impacto econômico e fiscal
Durante o diaEstados UnidosExpectativa para a inflação de julhoPode alterar as apostas para os juros do Federal Reserve
Durante o diaEstados UnidosDiscursos e sinalizações de dirigentes do FedInvestidores buscam indicações sobre a política monetária
SemanaEstados UnidosÍndices CPI e PPIPrincipais referências de inflação da semana

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorMovimento nesta manhãLeitura
Futuros do S&P 500cerca de +0,2%Emprego fraco reduz receio de alta dos juros
Futuros do Nasdaqcerca de +0,4%Tecnologia mantém desempenho positivo
Futuros do Dow Jonespróximo da estabilidadeMercado aguarda inflação
Títulos do Tesourorendimentos em leve quedaExpectativa de Fed menos agressivo

Europa

ÍndiceMovimento aproximadoLeitura
Stoxx 600+0,1%Mercado próximo da estabilidade
DAX – Alemanhaentre +0,1% e +0,3%Resultados corporativos oferecem apoio
CAC 40 – França-0,1%Realização moderada
FTSE 100 – Reino Unido-0,3%Pressão sobre ações de maior peso

Ásia

ÍndiceFechamento aproximadoLeitura
Nikkei 225 – Japão+2,1%Tecnologia e metais lideram os ganhos
Hang Seng – Hong Kong+1,0%Recuperação de ações chinesas
Xangai – China+0,7%Avanço moderado
Kospi – Coreia do Sul+0,4%Alta limitada por fabricantes de chips
S&P/ASX 200 – Austrália-0,3%Recursos naturais e bancos pressionam

Commodities

ProdutoMovimentoFator predominante
Petróleo Brentpróximo de US$ 83,50Negociações sobre o Estreito de Ormuz
Petróleo WTIpróximo de US$ 78Tensão geopolítica e demanda chinesa
Ouroacima de US$ 4.400/onçaBusca por proteção e queda dos rendimentos dos Treasuries
Café arábicaqueda próxima de 1,7%Realização e ajustes nas posições
Açúcarleve baixaPetróleo e perspectivas de oferta
Suco de laranjaalta superior a 3%Preocupações com disponibilidade
Soja e milhoatenção ao climaCondições das lavouras nos Estados Unidos

Fontes: Reuters/Associated Press/Banco Central/CNN Brasil/MarketWatch

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