Mercados comemoram acordo entre EUA e Irã e petróleo despenca mais de 5%

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Reabertura do Estreito de Ormuz reduz temor de desabastecimento global, impulsiona bolsas internacionais e pode aliviar pressão sobre bancos centrais nesta semana decisiva para os juros.

Os mercados globais iniciaram a semana em clima de alívio após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão temporária das hostilidades na região. O entendimento, que foi considerado o avanço diplomático mais significativo desde o início da escalada militar ocorrida em fevereiro, provocou forte queda nos preços do petróleo e impulsionou as bolsas internacionais.

O barril do petróleo Brent recuava mais de 5% nas primeiras horas desta segunda-feira, negociado próximo de US$ 82, enquanto os futuros das bolsas americanas avançavam com força. O Nasdaq liderava os ganhos no pré-mercado, refletindo o retorno do apetite por risco dos investidores diante da perspectiva de redução das tensões geopolíticas.

O acordo prevê a assinatura formal do documento em Genebra, na próxima sexta-feira. Embora ainda não represente um tratado definitivo de paz, o entendimento estabelece um cessar-fogo e abre uma janela de 60 dias para a construção de um acordo permanente entre Estados Unidos e Irã.

Petróleo volta ao centro das atenções

O principal impacto imediato do anúncio ocorreu no mercado de energia. O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passa uma parcela significativa da produção mundial de petróleo.

Nas últimas semanas, o bloqueio parcial da região elevou os temores de desabastecimento e pressionou os preços internacionais da commodity. O movimento alimentou preocupações inflacionárias em diversos países e levou investidores a revisarem projeções para a política monetária global.

Agora, a expectativa passa a ser a velocidade com que a produção e a logística internacional conseguirão normalizar os fluxos de exportação. Mesmo com o acordo, analistas alertam que a recomposição dos estoques globais pode levar semanas.

Bancos centrais ganham novo cenário

A redução das tensões no Oriente Médio ocorre justamente em uma semana decisiva para os bancos centrais.

Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) divulgará sua decisão sobre os juros nos Estados Unidos. No mesmo dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará a nova taxa Selic no Brasil.

Até poucos dias atrás, o avanço do petróleo vinha reforçando expectativas de manutenção de juros elevados por mais tempo. Com a queda das cotações, parte dessa pressão pode ser suavizada, embora os dirigentes monetários continuem atentos ao comportamento da inflação nos próximos meses.

Na Europa, o Banco Central Europeu elevou recentemente os juros diante das preocupações com os efeitos inflacionários da crise energética. O novo cenário poderá influenciar as próximas avaliações da autoridade monetária.

Brasil acompanha cenário externo

No mercado brasileiro, o reflexo positivo ainda era moderado. O EWZ, principal fundo que reúne ações brasileiras negociadas em Nova York, avançava apenas 0,20% no início do dia.

Internamente, os investidores acompanham a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central e também a agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa de compromissos diplomáticos na França durante a reunião do G7.

Entre os temas em discussão está a possibilidade de um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar das recentes ameaças de ampliação de tarifas comerciais sobre produtos brasileiros.

Com a agenda econômica relativamente esvaziada nesta segunda-feira, os mercados devem permanecer atentos principalmente aos desdobramentos do acordo no Oriente Médio e às expectativas para as decisões de juros que serão anunciadas nos próximos dias.

Mercados 7h25

IndicadorVariação
S&P 500 Futuro+1,25%
Nasdaq Futuro+2,02%
Dow Jones Futuro+0,85%
Euro Stoxx 50+1,02%
FTSE 100 (Londres)+0,13%
DAX (Frankfurt)+1,20%
CAC 40 (Paris)+1,02%
CSI 300 (China)+2,39%
Hang Seng (Hong Kong)+0,50%
Nikkei (Japão)+4,99%
Brent-5,14%
Minério de Ferro+0,70%

Agenda do Dia

8h25 – Boletim Focus (Brasil)

10h15 – Produção Industrial de maio (EUA)

O que observar hoje?

A forte queda do petróleo reduz parte da pressão inflacionária global e pode influenciar as expectativas para as decisões de juros do Fed e do Banco Central brasileiro nesta quarta-feira. O comportamento da commodity ao longo da semana será o principal termômetro para avaliar se o acordo entre EUA e Irã terá efeitos duradouros sobre os mercados.

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