Documento do Banco Central e inflação de julho serão decisivos para avaliar se haverá espaço para novos cortes dos juros ainda neste ano
O mercado financeiro inicia esta terça-feira (11) concentrado em dois indicadores capazes de mudar as expectativas para os juros no Brasil: a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho.
Embora sejam divulgações diferentes, ambas ajudarão investidores, empresas e analistas a responder à mesma pergunta: o Banco Central terá espaço para continuar reduzindo a Selic nas próximas reuniões?
Na semana passada, o Copom promoveu o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual e reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano. O comunicado, entretanto, não antecipou os próximos movimentos e reforçou que as decisões continuarão condicionadas à evolução dos dados econômicos.

Ata pode revelar grau de cautela do Banco Central
A ata será examinada em busca de detalhes que não apareceram no comunicado divulgado após a reunião. O mercado quer entender especialmente como o Banco Central avalia o comportamento da inflação, a atividade econômica, o mercado de trabalho e o cenário internacional.
O aumento do preço do petróleo, provocado pelas tensões no Oriente Médio, representa um dos principais riscos. Como o insumo afeta combustíveis, transporte, produção industrial e diferentes etapas das cadeias produtivas, uma alta prolongada pode disseminar pressões inflacionárias pela economia.
Também permanece no radar o risco de ocorrência do El Niño, fenômeno climático capaz de prejudicar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos.
Essas incertezas ajudam a explicar a postura cautelosa do Copom. Embora a inflação tenha apresentado sinais de desaceleração, as expectativas para os próximos anos continuam acima do centro da meta de 3%.
IPCA mostrará a velocidade da desinflação
O IPCA de julho, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrará se a inflação brasileira está efetivamente convergindo para a meta e, sobretudo, em que velocidade esse movimento está ocorrendo.
Em junho, o índice registrou alta de 0,16%, acumulando 3,36% no ano e 4,64% em 12 meses. A leitura de julho será importante para verificar o comportamento dos preços dos alimentos, da energia, dos serviços e dos chamados núcleos de inflação, que excluem itens mais voláteis.
Uma inflação menor e mais disseminada entre os diferentes grupos de produtos e serviços poderá reforçar as expectativas de novos cortes da Selic. Um resultado acima do previsto, especialmente nos serviços, aumentará a possibilidade de interrupção do ciclo de redução dos juros.
A questão central já não é apenas saber se a inflação continuará recuando, mas se esse processo será suficientemente rápido e consistente para levar o IPCA ao centro da meta.
Real valorizado ajuda a conter preços
A valorização do real tem funcionado como elemento favorável ao controle da inflação. O ingresso de recursos atraídos pelos juros brasileiros e o aumento da demanda pelo petróleo produzido no país ajudam a sustentar a moeda nacional.
Um real mais forte reduz o custo, em moeda brasileira, de produtos, matérias-primas e componentes importados. Esse movimento limita a chamada inflação importada, embora não seja suficiente para neutralizar completamente os efeitos de uma eventual escalada do petróleo.
Bolsas internacionais operam com cautela
No exterior, os futuros dos principais índices norte-americanos operam próximos da estabilidade. O EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, registra queda, sinalizando uma abertura mais cautelosa para o mercado doméstico.
Na Europa e na Ásia, as bolsas também apresentam desempenho predominantemente negativo. O petróleo Brent avança mais de 2% e se aproxima de US$ 90 por barril, diante da ausência de sinais de acordo entre Estados Unidos e Irã.
Radar do investidor
| Indicador | Variação |
|---|---|
| Futuros do S&P 500 | -0,01% |
| Futuros do Nasdaq | +0,06% |
| Futuros do Dow Jones | -0,12% |
| EWZ | -0,40% |
Dados registrados às 7h25.
Agenda econômica e corporativa
| Horário | Divulgação |
|---|---|
| Antes da abertura | Balanço do BTG Pactual |
| 8h | Ata da reunião do Copom |
| 9h | IPCA de julho |
| 9h | Pesquisa Industrial Mensal Regional de junho |
| 11h | Pesquisa CNT/MDA sobre o cenário político e eleitoral |
| Após o fechamento | Balanços de PagBank, B3, Direcional, Aeris Energy, Cury, Taesa e Vamos |
Mercados internacionais
Estados Unidos
| Indicador futuro | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | -0,01% |
| Nasdaq | +0,06% |
| Dow Jones | -0,12% |
Europa
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | -0,01% |
| Londres – FTSE 100 | -0,15% |
| Frankfurt – DAX | -0,18% |
| Paris – CAC 40 | -0,25% |
Dados registrados às 7h26.
Ásia
| Mercado | Variação |
|---|---|
| CSI 300 – China | -0,81% |
| Hang Seng – Hong Kong | -1,10% |
| Nikkei – Japão | Feriado |
Commodities
| Produto | Variação | Cotação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | +2,26% | US$ 89,70 por barril |
| Minério de ferro | +0,81% | US$ 95,80 |
Dados registrados às 7h27.
O que observar ao longo do dia

O comportamento do mercado brasileiro dependerá menos do número isolado do IPCA e mais da combinação entre inflação, ata do Copom e expectativas para os próximos meses.
Uma leitura favorável poderá fortalecer o real, reduzir os juros futuros e beneficiar ações de empresas ligadas ao consumo, construção civil e varejo. Uma inflação acima das projeções ou uma ata mais dura poderá provocar o movimento contrário.
Enquanto isso, a alta do petróleo tende a favorecer empresas produtoras, mas também eleva os riscos inflacionários. O mercado começa o dia, portanto, diante de um equilíbrio delicado: a mesma commodity que pode sustentar parte da Bolsa também pode dificultar a continuidade da queda dos juros.
Fontes:Banco Central/IBGE/revista Veja
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