Em sua 25ª edição, evento realizado pela Abag e pela B3 reúne lideranças empresariais, autoridades, especialistas e representantes do mercado financeiro para discutir geopolítica, inovação, financiamento e prioridades do setor.
A integração entre o campo e a indústria será o eixo central do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA),que está sendo realizado nesta segunda-feira (10), no Sheraton WTC São Paulo Hotel, na capital paulista. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em parceria com a B3, o encontro terá atividades presenciais e transmissão gratuita pela internet.
Com o tema “Agro & Indústria — Integrando e Transformando o Brasil”, o evento reunirá representantes do setor produtivo, da indústria, do mercado financeiro, da academia e do poder público para discutir os desafios que influenciarão a competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
Realizado anualmente desde 2002, o congresso chega aos 25 anos consolidado como um dos principais fóruns nacionais de formulação de propostas para o setor. Na edição de 2025, mais de 800 pessoas participaram presencialmente, enquanto a transmissão pela internet registrou mais de 3 mil acessos.

Campo e indústria formam uma única cadeia
A proposta desta edição é reforçar que a força da agropecuária brasileira não termina no cultivo, na criação de animais ou na colheita. O campo depende de máquinas, fertilizantes, defensivos, sementes, pesquisa, conectividade, energia, logística, armazenagem, processamento e financiamento.
Ao mesmo tempo, grande parte da indústria brasileira depende diretamente das matérias-primas produzidas pelo agronegócio.
Essa relação sustenta cadeias que abrangem desde a produção de alimentos e biocombustíveis até os setores têxtil, farmacêutico, químico, automotivo e de geração de energia. Para a Abag, integrar melhor esses segmentos pode elevar a produtividade, agregar valor aos produtos e ampliar a participação do Brasil nos mercados internacionais.
O presidente da entidade, Ingo Plöger, define o campo brasileiro como uma “indústria a céu aberto”. Segundo ele, o país precisa abandonar a visão que separa artificialmente produção rural e atividade industrial para construir uma estratégia de longo prazo baseada em tecnologia, sustentabilidade e segurança alimentar e energética.
Geopolítica pressiona as cadeias produtivas
O primeiro debate do congresso será dedicado ao papel do agronegócio na geopolítica. Conflitos internacionais, avanço do protecionismo, tarifas comerciais e reorganização das cadeias globais passaram a interferir diretamente nas decisões tomadas dentro das propriedades rurais.
Alterações nas rotas marítimas influenciam o preço dos fertilizantes e dos combustíveis. Barreiras tarifárias e sanitárias podem limitar exportações. Tensões diplomáticas afetam contratos e investimentos, enquanto as novas exigências ambientais impõem mudanças nos sistemas de produção e rastreabilidade.
O painel “O agro na geopolítica” terá a participação de Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Marrocos, e do diplomata Braz Baracuhy, especialista em relações internacionais. A mediação será do jornalista William Waack.
O debate deverá abordar segurança alimentar, acordos comerciais, sustentabilidade, comércio exterior e o papel do Brasil como fornecedor de alimentos, energia e produtos vinculados à bioeconomia.
Indústria leva automação e biotecnologia ao campo
O painel “A indústria que revoluciona o agro” discutirá como automação, conectividade, biotecnologia, bioenergia e novas matrizes energéticas estão modificando a produção rural.
Participarão do debate Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil; Eder Lopes, CEO da Inpasa; e Gastón Diaz Perez, presidente e CEO da Bosch América Latina.
A discussão parte do entendimento de que o ganho de produtividade dependerá cada vez mais da capacidade de transformar informações coletadas no campo em decisões de gestão. Sensores, inteligência artificial, imagens de satélite e análise de dados permitem antecipar problemas climáticos, reduzir o desperdício de insumos e acompanhar o desenvolvimento das lavouras com maior precisão.
O congresso também estreia o “Future Flash do Agro Brasileiro”, uma série de apresentações rápidas sobre tecnologias, modelos de negócio e soluções que devem influenciar o setor nos próximos anos.
Mariana Vasconcelos, cofundadora e CEO da Agrosmart, apresentará o tema “A nova infraestrutura invisível do agro”, com destaque para conectividade e inteligência de dados.
Flávia Garcia Cid, produtora rural e gestora da Fazenda Jaracatiá, abordará a verticalização sustentável como instrumento de agregação de valor. Já Victor Brian Magalhães, CEO da TerraMares Ambiental, apresentará aplicações da biotecnologia e de microrganismos na transformação de passivos ambientais em oportunidades econômicas.
Crédito caro amplia importância do mercado de capitais
O financiamento será outro eixo central do encontro. Em um cenário marcado por juros elevados, riscos climáticos, limitações orçamentárias e aumento dos custos de produção, o crédito rural subsidiado já não atende sozinho às necessidades de investimento do agronegócio.
O painel “Investimento e financiamento em tempos voláteis” terá a participação de Fabiana Perobelli, superintendente de Relacionamento com Clientes da B3; Flavia Palacios, diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima); Julyana Yokota, especialista setorial da S&P Global Ratings; e Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A mediação será da jornalista Thais Herédia.
O debate incluirá crédito, seguro rural, gestão de riscos e instrumentos do mercado de capitais. Entre eles estão os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e as debêntures destinadas a projetos de infraestrutura.
Dados apresentados pela B3 na edição anterior do congresso mostravam que o patrimônio dos Fiagros já superava R$ 40 bilhões. O estoque de CRAs ultrapassava R$ 140 bilhões.
Os números indicam o crescimento do mercado de capitais no financiamento do setor, mas também revelam um potencial ainda pouco explorado diante do tamanho do agronegócio brasileiro.
A parceria entre a Abag e a B3 simboliza essa aproximação. O produtor continua dependendo do crédito bancário tradicional, mas passa a contar com instrumentos capazes de conectar investidores a projetos de armazenagem, logística, energia renovável, industrialização e expansão da produção.
Sustentabilidade depende de financiamento
A transição para uma agricultura de menor emissão de carbono exige recursos para recuperar pastagens, modernizar máquinas, implantar sistemas integrados de produção, ampliar a geração de energia renovável e melhorar a rastreabilidade.
Sem crédito adequado, a sustentabilidade corre o risco de permanecer apenas como exigência regulatória ou argumento de marketing.
Por isso, o congresso relaciona diretamente financiamento, inovação e descarbonização. O desafio não é apenas cobrar práticas ambientais dos produtores, mas construir mecanismos capazes de remunerar os resultados obtidos no campo.
Bioenergia, biocombustíveis, produção de biomassa e aproveitamento de resíduos colocam o agronegócio no centro da transição energética. O Brasil possui vantagens competitivas importantes, mas precisa combiná-las com segurança jurídica, infraestrutura, pesquisa e acesso a capital de longo prazo.
Evento discutirá propostas para o próximo governo
A programação também terá uma mesa-redonda sobre as prioridades do agronegócio para o próximo ciclo político. O debate reunirá Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global; Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da Abag; e Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Segundo a organização, os candidatos à Presidência da República receberão um conjunto de propostas elaborado pela Abag. O documento deverá abordar infraestrutura, segurança jurídica, ambiente regulatório, comércio exterior, inovação e integração produtiva.
A iniciativa procura transformar as discussões do congresso em uma agenda de Estado, evitando que os projetos estratégicos do agronegócio sejam interrompidos ou alterados a cada mudança de governo.
O encerramento será conduzido pelo ex-presidente Michel Temer, que apresentará a palestra “Caminhos para o futuro”.
Congresso homenageará lideranças do setor
A 25ª edição também entregará dois reconhecimentos tradicionais.
A pesquisadora Iêda Mendes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), receberá o Prêmio Norman Borlaug — Sustentabilidade. Seu trabalho está associado ao desenvolvimento de pesquisas sobre a saúde biológica dos solos e sistemas produtivos sustentáveis.
O Prêmio Ney Bittencourt de Araújo — Personalidade do Agronegócio será concedido a Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da Abag.
As homenagens reforçam dois pilares presentes na programação: a importância da pesquisa científica para o aumento da produtividade e a necessidade de planejamento estratégico para ampliar a competitividade do setor.
Serviço
| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Evento | 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio |
| Tema | Agro & Indústria — Integrando e Transformando o Brasil |
| Data | 10 de agosto de 2026 |
| Horário | Das 9h às 18h15 |
| Local | Sheraton WTC São Paulo Hotel |
| Endereço | Avenida das Nações Unidas, 12.559, São Paulo |
| Formato | Presencial e on-line, com tradução simultânea para o inglês |
| Transmissão | Gratuita, mediante inscrição |
| Programação | Site oficial do 25º CBA |
Fonte: programação oficial do 25º CBA, na Associação Brasileira do Agronegócio e na B3.
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